E AGORA, GOVERNADOR-POSTE? Livânia Farias e familiares são alvos da terceira etapa da Operação Calvário

O que está faltando para o governador-poste demitir a secretária Livânia Farias? Quanto mais o tempo passa e as operações do Gaeco se desenvolvem, a inércia de João Azevedo reforça a impressão de que ele tem medo de afastar os envolvidos no maior esquema de corrupção da Paraíba.

Mas por que o medo? Seria o medo de uma delação de Livânia? Ou ele precisa do aval do governador de fato?

A secretária de Administração do governo da Paraíba, Livânia Farias, foi alvo da terceira etapa da operação Calvário. A ação, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços dela, do marido, Elvis Rodrigues Farias, e mais oito pessoas, entre familiares e dirigentes hospitalares.

Os mandados estão sendo cumpridos em João Pessoa, Sousa e no Estado do Rio de Janeiro. A ação investiga a atuação de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Gomes da Silva. O grupo é acusado de desviar recursos públicos, corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, através de contratos firmados por meio da Cruz Vermelha Brasileira filial Rio Grande do Sul (CVB-RS) e do Instituto de Psicologia Clínica, Educacional e Profissional (IPCEP) com o governo da Paraíba.

As duas instituições administraram recursos públicos da ordem de R$ 1,1 bilhão entre 2011 e 2018. Além de Livânia e Elvis, são alvos dos mandados de busca e apreensão Haroldo Rivelino da Silva, Haller Renut da Silva, Gabriella Isabel da Silva Leite, Lucas Winnicius da Silva Leite, Carlos Pereira Leite Júnior (Koloraú Júnior), Maria Laura Caldas de Almeida Carneiro, Josildo de Almeida Carneiro e Keydson Samuel de Sousa Santiago. Entre os alvos de busca e apreensão, há acusações de ocultação de patrimônio e outros por causa de funções de direção no Hospital de Trauma Senador Humberto Lucena, o contrato mais antigo da Cruz Vermelha.

Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo desembargador Ricardo Vital de Almeida, presidente da Primeira Câmara Criminal relator do processo. Os mandados estão sendo cumpridos pelo Gaeco do Ministério Público da Paraíba (MPPB) com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio de Janeiro. A ação tem a participação, ainda, da Comissão de Combate aos Crimes de Responsabilidade e a Improbidade Administrativa (CCRIMP).

Caixa de dinheiro

A operação ocorre dias depois de o ex-assessor da Secretaria de Administração do governo da Paraíba, Leandro Nunes Azevêdo, ter dado informações sobre o suposto recebimento de propinas pagas pela Cruz Vermelha Brasileira em acerto, segundo ele, feito entre Livânia e Daniel Gomes. Ele disse ao Ministériol Público que foi ao Rio de Janeiro, em agosto do ano passado, receber uma caixa de vinho recheada de dinheiro. O conteúdo entregue pela secretária de Daniel, Michelle Cartoso, continha quase R$ 900 mil, de acordo com o depoimento. O dinheiro teria sido usado para o pagamento de fornecedores de campanha, para as eleições de 2018.

Compra de imóvel

Leandro Nunes Azevevedo contou detalhes, também, sobre uma suposta compra de imóvel na cidade de Sousa pela secretária Livânia Farias. Ele mesmo teria participado do processo de compra, inclusive com a entrega de dinheiro vivo. O imóvel teria custado R$ 400 mil, pagos em duas parcelas de R$ 200 mil, sempre em dinheiro vivo.

CONFIRA TRECHO DO DEPOIMENTO DE LEANDRO…

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