Em contraponto a PT, Ciro articula movimento de oposição a Bolsonaro

Terceiro colocado na disputa presidencial,  Ciro Gomes articula a formação de um movimento que seja um contraponto à frente de esquerda, mas que também faça oposição ao presidente eleito Jair Bolsonaro no Congresso Nacional.

A ideia é formar uma frente parlamentar com integrantes de partidos como PSB, PSDB, PPS e DEM que não pretendem aderir à base aliada do capitão reformado e que têm resistência ao grupo liderado por siglas como PT e PCdoB.

Pelos cálculos de Ciro, Bolsonaro deve contar com o apoio de cerca de 175 deputados federais da próxima legislatura. O campo oposicionista formado por partidos de esquerda soma em torno de 90. A estratégia é tentar elevar o último número para pelo menos 120.

“O objetivo é ampliar a centro-esquerda. Eu imagino que o PSDB não vai querer se associar ao PT e, pelo menos a parte mais sadia da sigla, não vai querer se associar ao Bolsonaro. E por antipetismo vamos ficar longe deles?”, disse Ciro à Folha.

O pedetista não exclui a participação de petistas no movimento, mas critica a formação de uma frente de esquerda articulada pelo partido. Segundo ele, ela seria uma “mentira da burocracia petista” para enganar “abestados”.

“Francamente, não excluo o PT. Apenas não podemos permitir que o PT venha exercitar a sua fraude em cima desse momento tão crítico do país”, disse.

Para ele, além de fazer oposição ao governo, a ideia é que o movimento de centro-esquerda funcione como uma “guarda da institucionalidade democrática”, protegendo o interesse nacional e e o direitos das classes mais pobres.

“O deputado federal Onyx Lorenzoni [ministro da Casa Civil deBolsonaro] é do DEM. O que vai acontecer com o DEM? Vamos entregar de barato ou temos uma conversa com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia?”, questionou.

A ideia é que, na próxima semana, Ciro visite Brasília para intensificar conversas para a formação do movimento. Os partidos do chamado centrão, como PP e PSD, também devem ser procurados.

Nesta terça-feira (30), o juiz federal Sergio Moro disse estar honrado com um eventual convite de Bolsonaro para integrar a sua administração. Para Ciro, é melhor que Moro seja indicado para o Ministério da Justiça do que ao STF (Supremo Tribunal Federal).

“Acho Moro um juiz político, politiqueiro. Então, é muito melhor que ele fique no Ministério do que no Supremo. Ele deveria assumir logo a política. A aptidão dele para a política é completa. Só que com a toga vira uma aberração”, criticou.

Condenado por cobrança de propina no DF pode ser ministro de Bolsonaro

A bancada da bala quer que o deputado Alberto Fraga (DEM-DF), que perdeu a eleição para governador do Distrito Federal, tenha um cargo com status de ministro no Palácio do Planalto.

Bolsonaro é fiel aos amigos e gosta que eles estejam por perto. Ele e Fraga são companheiros de longa data na Câmara.

Condenação de Fraga

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal condenou, no dia de setembro, o deputado Alberto Fraga (DEM), por concussão – uso do cargo público para obter vantagem indevida. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Fraga pediu e recebeu R$ 350 mil para firmar um contrato entre o governo do Distrito Federal e a cooperativa de ônibus Coopertran em 2008, quando era secretário de Transportes da gestão de José Roberto Arruda (PR).

O democrata foi condenado a 4 anos, 2 meses e 20 dias de prisão, em regime inicial semiaberto, além de 14 dias-multa. O Judiciário informou que a pena foi aumentada por conta do cargo público ocupado por ele.

Em nota, a assessoria de Fraga afirmou que a decisão como “uma ação totalmente política”. “Enquanto os processos demoram anos para serem julgados o de Fraga tramitou em apenas dois dias. É no mínimo estranho”, diz o texto.

Projeto de lei que tramita na Câmara de JP visa resgatar cidadania de pessoas em situação de rua

Tramita nas Comissões Permanentes da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP), um Projeto de Lei (PL) que dispõe sobre a obrigatoriedade do Poder Público Municipal de prestar atendimento à população em situação de rua na Capital paraibana. A matéria foi proposta pelo presidente da Casa, vereador Marcos Vinícius (PSDB), que destaca a importância do resgate da cidadania, a reinserção no mercado de trabalho e a habitação, por meio de políticas públicas que atendam às suas necessidades dessas pessoas.

Segundo a matéria, o Poder Público Municipal deve manter, na cidade de João Pessoa, serviços e programas de atenção à população em situação de rua, garantindo padrões éticos de dignidade e não violência na concretização de mínimos sociais e dos direitos de cidadania a esse segmento social.

“Os motivos pelos quais as pessoas passaram a viver e morar na rua são diversos, tais como desemprego, desavenças e perda de referência familiar e autoestima. A maioria dessas pessoas sofre todas as formas de violação de seus direitos humanos. Como ainda não temos, no Brasil, nem no município, uma lei ou iniciativa estabelecendo direitos que atendam às especificidades dessa população, esperamos que a presente iniciativa possa corrigir essa falha”, explica o propositor da matéria.

Inserção em espaços

Em sua justificativa, o parlamentar ainda destaca que a demanda do movimento da população em situação de rua é por moradia, saúde, educação, dando visibilidade à sociedade de que “mais do que criar espaços para o morador de rua, a luta é pela inserção dessa população nos espaços”, referendando Anderson Lopes Miranda, coordenador do Movimento Nacional da População em Situação de Rua de São Paulo (MNPR/São Paulo).

O documento preconiza a instalação e a manutenção com padrões de qualidade de uma rede de serviços e de programas de caráter público direcionados à essa população, que incluam desde ações emergenciais até atenções de caráter promocional em regime permanente. A ação municipal deve ter caráter intersetorial. Os serviços e programas direcionados a esse segmento serão operados através de rede municipal e/ou por contratos e convênios de prestação de serviços com associações civis de assistência social.

Princípios do PL

A atenção à população em situação de rua deve observar os seguintes princípios: o respeito e a garantia à dignidade; o direito a ter um espaço para se localizar e referir na cidade, para ter um mínimo de privacidade como condição inerente à sua sobrevivência, existência e cidadania; a supressão de todo e qualquer ato violento e de comprovação vexatória; a não discriminação; o direito de restabelecer a dignidade e a autonomia, bem como sua convivência comunitária; garantir a capacitação e o treinamento dos agentes que operam a política de atendimento à população em situação de rua.

Também fica estabelecido para essa população o seguinte: abrigos emergenciais para acolhida e pernoite no período de inverno; albergues para acolhida e alojamento de pessoas na cidade em tratamento de saúde, imigrantes recém-chegados, em situação de despejo, desabrigo emergencial e mulheres vítimas de violência; centros de serviços; casas de convivência; moradias provisórias; soluções habitacionais definitivas; oficinas, cooperativas de trabalho e comunidades produtivas; associação e cooperativas.

As instalações especificadas na nova norma deverá prestar os seguintes serviços e programas com os respectivos padrões de qualidade: fornecer condições de higiene pessoal, alimentação, vestuário, guarda de volumes, serviços de documentação, cuidados ambulatoriais básicos e estacionamento de “carrinhos”, quando for o caso; promover a socialização e a organização grupal, atividades ocupacionais, educacionais, culturais e de lazer; serviços próprios ou conveniados que atendam pessoas moradoras de rua em situação de abandono e em tratamento de saúde, portadoras de moléstias infectocontagiosas, inclusive portadoras de HIV, idosos, portadores de doença mental, portadores de deficiência; processo de reinserção social que incluam auxílio moradia e financiamento de construções em regime de mutirão; capacitação profissional, encaminhamento a empregos, formação de produção e geração de renda e manutenção de projetos agrícolas de desenvolvimento autossustentado que promovam a autonomia e a reinserção social dessa população.

Fórum para gestão participativa

O órgão municipal responsável pela coordenação de política de atenção à população de rua deverá manter um fórum para gestão participativa dos programas e serviços que interagem na atenção à população em situação de rua da cidade. Esse fórum deverá ser composto por, além das secretarias envolvidas, por representação do legislativo municipal, das associações que trabalham com essas pessoas e representantes dessa população.

O orçamento municipal deverá manter atividade específica com dotação orçamentária própria e compatível com essa política, devendo ser publicado, anualmente, no “Semanário Oficial” do Município, o censo dessa população de modo a comparar com as vagas ofertadas face às necessidades. Se aprovada e sancionada, a Lei deverá ser regulamentada, pelo Executivo Municipal, no prazo de 90 dias, definindo as competências dos vários órgãos municipais, bem como estabelecerá os padrões de qualidade dos serviços e programas especificados.

Reportagem do Globo Esporte envolve governador Ricardo Coutinho no escândalo do futebol da Paraíba

A reportagem do Esporte Espetacular, da TV Globo, exibida neste domingo (28), diz que o governador da Ricardo Coutinho (PSB), sabia do suposto esquema de propina no futebol paraibano, investigado pela Operação Cartola, e até teria mandado o ex-vice de futebol do Botafogo, Breno Morais, comprar juiz.

Uma das transcrições a que a reportagem teve acesso relata um diálogo peculiar entre dirigentes do Botafogo-PB. Zezinho, então presidente do clube, e Breno, ex-vice de futebol, falam sobre a derrota por 4 a 0 sofrida pelo Botafogo-PB pelo Atlético-MG, válida pela Copa do Brasil, em João Pessoa.

Breno conta a Zezinho que teria assistido ao jogo ao lado do governador do estado, Ricardo Coutinho, que, incomodado com a goleada imposta pelo time visitante, teria lamentado que o dirigente não tivesse pago propina ao árbitro para beneficiar a equipe da casa. Segundo o dirigente, o governador teria dito: “Breno, o certo era você ter comprado o juiz de um jogo desse aí“, que disse ter respondido: “Eu sei, mas não tive jeito de chegar.”

Por email, o governador descartou a autoria da citação atribuída a ele, bem como qualquer acusação. Ricardo considera descabido e irresponsáveis o uso indevido de seu nome, segundo ele, sem apresentação de elementos de comprovação.

Confira a matéria abaixo:

Operação Cartola: investigações encontram novas irregularidades no futebol da Paraíba

Seis meses depois da Operação Cartola, em que a Polícia Civil e o Ministério Público da Paraíba revelaram um grande esquema de manipulação de resultados no Campeonato Paraibano, dirigentes de clubes e federação continuam sob a mira dos investigadores. O Esporte Espetacular teve acesso ao processo que tramita na 4ª Vara Criminal do estado e encontrou novas irregularidades que expandiram-se para fora dos campos de futebol.

No decorrer de oito meses de investigação, aproximadamente 105 mil ligações telefônicas de pessoas suspeitas foram gravadas, com autorização judicial. Algumas delas indicam que os acusados teriam, inclusive, tentado exercer sua influência utilizando-se de uma suposta proximidade com o governador da Paraíba e a Polícia Militar, em benefício próprio.

Veja o vídeo clicando AQUI

Segundo a Polícia Civil, 80 pessoas foram investigadas no esquema. A operação teve como objetivo apurar crimes cometidos por uma organização composta por membros da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Comissão Estadual de Arbitragem da Paraíba (CEAF), Tribunal de Justiça Desportiva da Paraíba (TJD/PB) e dirigentes de clubes de futebol profissional da Paraíba e árbitros.

Uma das transcrições a que a reportagem teve acesso relata um diálogo peculiar entre dirigentes do Botafogo-PB. Zezinho, então presidente do clube, e Breno, ex-vice de futebol, falam sobre a derrota por 4 a 0 sofrida pelo Botafogo-PB pelo Atlético-MG, válida pela Copa do Brasil, em João Pessoa.

Breno conta a Zezinho que teria assistido ao jogo ao lado do governador do estado, Ricardo Coutinho, que, incomodado com a goleada imposta pelo time visitante, teria lamentado que o dirigente não tivesse pago propina ao árbitro para beneficiar a equipe da casa. Segundo o dirigente, o governador teria dito: “Breno, o certo era você ter comprado o juiz de um jogo desse aí“, que disse ter respondido: “Eu sei, mas não tive jeito de chegar.”

Questionado, Breno disse não ter relação próxima com o governador. No entanto, um vídeo divulgado logo após a Operação Cartola mostra o político saindo em defesa do ex-vice de futebol do Botafogo.

– Meu querido amigo Breno. Breno que é um injustiçado, viu? Esse negócio do cabra com a caneta achar que vai dar na cara de todo mundo, que vai acabar com a vida do outro e não tem nada pra provar, esse negócio tá cheio no brasil aí, viu? – disse o governador Ricardo Coutinho, no vídeo.

De acordo a investigação, o forte poder econômico do grupo era outra ferramenta utilizada em irregularidades cometidas em favor do Botafogo-PB. Na Copa do Nordeste deste ano, o time da Paraíba fazia parte do Grupo C, com Bahia, Náutico e Altos do Piauí. O Botafogo-PB chegou à última rodada da primeira fase na liderança de sua chave. Mas, se perdesse para o Bahia, e o Náutico vencesse o Altos-PI, poderia ser eliminado. Então, os dirigentes do clube vislumbraram a possibilidade de oferecer uma quantia para “motivar” os jogadores da equipe do Piauí, conduta conhecida como “mala branca”. O diálogo foi o seguinte:

  • BRENO: “A gente tem que mandar um incentivo pra ele”.
  • ZEZINHO: “Exato, não tem outra saída não”.
  • BRENO: “Tem que botar cinquenta mil lá pra eles, no mínimo”.
  • ZEZINHO: “Eu tenho o telefone do presidente lá”.
Trecho de diálogo gravado entre ex-presidente do Botafogo-PB e homem que a polícia acredita ser presidente do Altos, do Piauí, indica "mala branca" na Copa do Nordeste — Foto: Reprodução

Trecho de diálogo gravado entre ex-presidente do Botafogo-PB e homem que a polícia acredita ser presidente do Altos, do Piauí, indica “mala branca” na Copa do Nordeste — Foto: Reprodução

No dia seguinte, o então presidente do Botafogo-PB ligou para um homem, que a polícia acredita ser o presidente do Altos-PI, Warton Lacerda.

  • ZEZINHO: “Presidente? Presidente?”
  • WARTON: “Opa, como é que tá, Zezinho?”
  • ZEZINHO: “Eu vou ver aqui com o pessoal pra gente mandar aí alguma coisa pra vocês ganharem o jogo ou empatar”.
  • WARTON: “Tá bom”.
  • ZEZINHO: “Pra vocês tirarem ponto do Náutico, viu?”
  • WARTON: “Eu tô aqui à disposição. Nós vamos jogar como se fosse uma final esse jogo”.
  • ZEZINHO: “A gente sabe que você trabalha de forma legal aí, vocês são corretos igual a gente. É verdade.”

Como os dirigentes planejaram, o jogo entre Náutico e Altos acabou empatado por 2 a 2 e, com isso, o Botafogo avançou à fase seguinte da Copa do Nordeste.

Zezinho foi procurado pela reportagem, mas não quis comentar sobre as acusações. Em entrevista, o presidente do Altos confirmou ter recebido uma oferta de dinheiro vinda do dirigente do Botafogo. Contudo, afirmou que seu time sempre entra nas partidas para vencer e que acha a prática de “mala branca normal”.

– Na verdade, ele disse que seria um incentivo, não seria nada por aposta. Eu não considero imoral até porque o estatuto do torcedor não diz que é imoral – disse Warton.

O Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) é claro ao tratar do assunto. O artigo 242 diz que dar ou prometer vantagem indevida a dirigente, técnico e atleta para influenciar o resultado da partida é uma conduta passiva de multa e eliminação de competições.

Código Brasileiro de Justiça Desportiva aponta que a "mala branca" é passível de multa e até eliminação da competição — Foto: reprodução

Código Brasileiro de Justiça Desportiva aponta que a “mala branca” é passível de multa e até eliminação da competição — Foto: reprodução

O poder econômico dos investigados também era usado para manter irregularidades às escuras. O relatório da Polícia Civil aponta que Amadeu Rodrigues, então presidente da Federação Paraibana de Futebol (FPF), pagava propina a jornalistas locais para evitar a produção de notícias sobre os atos de corrupção que teriam sido cometidos na entidade.

Em um bilhete apreendido pela polícia durante a operação há uma anotação na qual Amadeu pede a uma funcionária da FPF para pegar R$ 2 mil reais com Marcos Souto, ex-diretor jurídico da entidade, para pagar a um repórter. Em outra anotação, a funcionária é orientada a pagar a outro jornalista. Dessa vez, uma quantia de R$1,5 mil reais.

Jornalistas locais foram subornados para não produzirem reportagens sobre atos de corrupção na Federação Paraibana — Foto: Reprodução

Jornalistas locais foram subornados para não produzirem reportagens sobre atos de corrupção na Federação Paraibana — Foto: Reprodução

A reportagem procurou Amadeu em um condomínio de luxo em João Pessoa, tentou ainda contactá-lo por telefone, mas o ex-dirigente não foi localizado pela reportagem para responder aos questionamentos. O sindicato dos jornalistas da Paraíba, por sua vez, afirmou que as denúncias devem ser investigadas e que repudia esse tipo de conduta.

Bilhete apreendido pela Polícia mostra anotação do presidente da Federação Paraibana pedindo pagamento de suborno a jornalista — Foto: Reprodução

Bilhete apreendido pela Polícia mostra anotação do presidente da Federação Paraibana pedindo pagamento de suborno a jornalista — Foto: Reprodução

No curso da reportagem, diversas fontes ligadas às investigações e partes envolvidas no processo relataram ter sofrido pressão política para atenuar o ímpeto da Operação Cartola. Alguns, inclusive, afirmam ter recebido ameaças. A Polícia Civil não fala mais sobre o assunto. Os inquéritos sobre a organização criminosa que tramitavam na Delegacia de Defraudações foram encerrados.

Ministério Público ofereceu à Justiça três denúncias contra 27 pessoas. Por enquanto, não foram feitos pedidos de prisão, só de afastamento dos envolvidos das funções relacionadas ao futebol. As suspensões atingiram Breno, Zezinho e Amadeu. Neste mês, o Botafogo-PB elegeu um novo presidente, assim como a FPF. Procurado, o clube não quis se posicionar. Já a federação, por meio de nota, afirmou que está trabalhando para reestruturar a entidade, com o auxílio da CBF e que tem colaborado com a Polícia Civil e MP.

– O que acontece é que diversos materiais foram apreendidos – tanto no que diz respeito a documentos como eletrônicos. E esse material que foi apreendido, ainda está passivo de análise e a análise pode mostrar outras evidências, algumas evidências que a gente pode usar para agregar as denúncias já articuladas ou dar origem a outras investigações – disse o promotor do MP Rafael Linhares.

Na Justiça Desportiva, 17 pessoas foram denunciadas. O primeiro julgamento estava marcado para a última quarta-feira, mas os auditores da 3ª Comissão Disciplinar do STJD entenderam que não teriam competência para analisar o caso. Com isso, o presidente da entidade remeteu o processo ao Pleno, que é a última instância do tribunal. O julgamento está previsto para novembro.

Ex-procurador da República declara apoio a Haddad

“Já fui chamado de petista e antipetista. Já fui psdebista e anti tbem. Houve muita especulação sobre meu interesse eleitoreiro na minha atuação profissional. Nada se comprovou. Agora, não posso deixar passar barato discurso de intolerância e etc. Por exclusão, voto em Haddad”, disse o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que esteve à frente da PGR durante a Lava Jato.

Neste sábado, Haddad também recebeu o apoio de Joaquim Barbosa, ex-presidente do STF.

Confira abaixo seu twitter:

VOX POPULI: Haddad empata e confirma tendência de virada

Pesquisa Vox 247 realizada neste sábado 27 aponta empate entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), apontando para uma virada real neste domingo 28, data da votação do segundo turno.

Nos votos totais, as intenções de voto são de exatamente a 43% a 43%. Ninguém/Brancos/Nulos são 9% e “não sabe” ou “não respondeu”, 5%.

Nos votos válidos, os percentuais são de exatamente 50% a 50%.

Os votos espontâneos para presidente, quando os eleitores citam o nome do candidato espontaneamente, são de 51% a 49% para Bolsonaro.

Esta pesquisa foi registrada junto à Justiça Eleitoral no dia 21 de outubro, sob o número BR-09614/2018. Foram entrevistados 2.000 eleitores de 16 anos ou mais, em 121 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, estimada em um intervalo de confiança de 95%.

A pesquisa Vox 247 foi a segunda encomendada pela Editora 247 ao instituto Vox Populi financiada totalmente por eleitores, membros da comunidade 247, assinantes solidários ou não do portal e da TV 247. Para isso, foi aberta uma campanha de financiamento coletivo no site Catarse, ainda aberta.

A pesquisa Vox 247 do dia 6 de outubro, véspera da votação do primeiro turno, foi a que mais se aproximou do resultado das urnas no primeiro turno das eleições de 2018, em comparação às dos outros dois institutos de pesquisa mais tradicionais do país, o Ibope e o Datafolha.

A onda do “vira vira” alavanca Haddad

A campanha eleitoral foi marcada por duas grandes ondas, que promoveram candidaturas à liderança nas pesquisas. Estamos agora numa terceira onda, que pode ser a decisiva.

A primeira foi a do lançamento da candidatura do Haddad, com suas viagens pelo Brasil para apresentar-se como o candidato do Lula e promover seu programa, centrado na educação e no trabalho. Foi uma trajetória vitoriosa, em que se buscava a transferência dos votos do Lula, amplo favorito para ganhar as eleições no primeiro turno, mas impossibilitado de ser candidato, pela perseguição politica promovida pelo judiciário contra ele.

Essa onda levou Haddad a empatar e a superar mesmo a Bolsonazi no segundo turno das pesquisas, numa semana surpreendente, porque contou com varias trabalhadas dentro da candidatura da extrema direita e desembocou nas gigantescas manifestações das mulheres pelo #EleNão.

Mas quando se esperava a consolidação da dianteira do Haddad, surgiram, de forma suspeita, pesquisas, a primeira do Ibope, com dados recolhidos, pelo menos oficialmente nos dias 19 e 20 de novembro – portanto incluído o dia 20, dia das manifestações – revelando uma grande virada a favor do candidato da extrema direita. Uma pesquisa que parecia se chocar com o clima politico instalado por aquela semana, mas que foi confirmada por uma outra, do Datafolha, na mesma direção.

Posteriormente se revelaram dados que apontavam que a contraofensiva da extrema direita tinha começado ja na quinta feira, dia 18, com a deflagração de uma gigantesca onda de fakenews, disparados pelos mecanismos de milhões de robôs, antes de tudo tratando de reverter a imagem das manifestações das mulheres, desqualificadas com imagens falsas, fabricadas, que as condenavam do ponto de vista moral e outras diretamente contra o Haddad – dentre as quais a da mamadeira foi simbólica desse tipo de ação mentirosa. No domingo as igrejas evangélicas se encarregaram de propagar essa campanha para suas bases, consolidando a virada produzida por essa segunda onda.

Os eixos da campanha da extrema direita foram o perigo do comunismo e a corrupção do PT. Mas a sua alavanca fundamental era a produção da rejeição do Haddad, cujo favoritismo era dado não apenas pela sua tendencia ascendente, mas pela rejeição muito maior do candidato da extrema direita. De um candidato como o Haddad se pode discordar plenamente, mas produzir sua rejeição só pode se dar por mentiras forjadas e multiplicadas aos milhões, objetivo logrado, absurdamente, por essa campanha: até hoje a rejeição de Haddad é maior do que a do Bolsonazi ou está em empate técnico.

As consequências dessa onda foram varias: reverteram o clima geral, promovendo o favoritismo do candidato da extrema direita, deslocaram a agenda das questões programáticas para as acusações ao Haddad – que tinha obrigatoriamente que se defender, mas ao faze-lo, confirmava essa nova centralidade, o deslocamento, junto com o programa do PT, da própria imagem do Lula e da projeção da do Bolsonazi como personagem central da campanha. Ao recuperar a iniciativa, a extrema direita colocou a esquerda na defensiva, com perda sua capacidade de iniciativa e a obrigada reação às acusações, pelos efeitos devastadores que estavam tendo.

Estava configurada o tipo de campanha eleitoral da guerra híbrida, combinando fakenews, robôs, igrejas evangélicas e contando, uma vez mais, com a passividade cúmplice do judiciário, apesar das escandalosas evidencias de que as fakenews e os robôs são financiados com milhões de empresários privados, que se jogam na campanha do Bolsonazi, da mesma forma que se haviam jogado na conjuntura de 2015/2016, que havia levado ao golpe contra a Dilma.

Se reinstaurou um clima histérico similar ao daqueles anos, com as denuncias funcionando subterraneamente, enquanto as estapafúrdias declarações do candidato, do seu vice, do seu guru econômico, instalavam um clima bélico, de que passaram a fazer parte direta comandos violentos da extrema direita, com ataques a pessoas que defendiam posições contrarias a eles, com mortes, feridas, invasões de locais públicos e pichações de caráter diretamente nazista.

Foi nesse clima que se deram os últimos dias do primeiro turno e o resultado desse turno, transformado diretamente, segundo o diretor do Datafolha por essa acao subterrânea, mentirosa e ilegal da candidatura da extrema direita.

Tomada de surpresa, como todos fomos, a candidatura do Haddad demorou um tanto a se recompor, no inicio do segundo turno, com o tempo passando a contar contra. Até que o novo circuito de viagens pelo Brasil, na segunda metade da campanha do segundo turno, foi esboçando uma nova onda, com o cenário espetacular da massividade das manifestações, centradas no nordeste – Bahia, Piauí, Ceará, Maranhao, Sergipe, Pernambuco, – Paraíba, – mas também no sul, como em Sao Paulo, no Rio, em Belo Horizonte, em Curitiba.

Conforme a iniciativa e o entusiasmo foi se apossando do campo democrático, foi se gerando a onda do vira vira, apoiada na retomada de crescimento do Haddad e de queda do Bolsonazi. É a terceira onda da campanha, que retoma a iniciativa, recoloca os temas programáticos do Haddad no centro da campanha, ao mesmo tempo que trabalha fortemente para elevar a rejeição do Bolsonazi.

As novas tendencias são favoráveis ao Haddad, mas que tem que remontar uma direrença que chegou a se aproximar dos 20 pontos em algumas pesquisas, mas que foi baixando para, nas espontâneas, ter uma diferença de menos da metade daquela cifra e, nas pesquisas do Vox Populi, se aproximar de um empate técnico. É uma corrida contra o tempo, para que essa nova onda, esse reversão de votos do Boloznazi, mas também de conquista dos votos indecisos, especialmente de mulheres, de eleitores do Ciro, assim como a luta contra a desinformação de que o Haddad é o candidato do Lula, que ainda predomina em setores de nível econômico mais baixo da população.

Essa onde pode virar o resultado das eleições ou pelo menos colocar uma disputa final muito acirrada. Desde logo ela redespertou o profundo sentimento democrático, de rejeição e de indignação contra as posições intolerantes, repressivas, brutais do candidato da extrema direita, que mal escondem o objetivo fundamental da sua candidatura – como a havia passado com o golpe contra a Dilma: derrotar o PT e garantir a continuidade do modelo neoliberal.

O destino do país depende assim da profundidade e da extensão da terceira onda da campanha – a onda do vira vira. Ela pode resgatar o país do abismo que o obscurantismo e a violência desatada pela extrema direita, restabelecer a democracia e fazer com que os brasileiros possam ser felizes de novo.

EUA podem subcontratar o Brasil para uma guerra contra a Venezuela

Uma guerra entre Brasil e Venezuela é possível? Este foi um dos temas expostos pelo jornalista Pepe Escobar, em sua análise geopolítica. Ele acredita que os EUA podem sim, num eventual governo Bolsonaro, “subcontratar o Brasil para uma invasão na Venezuela”. No entanto, ele ressalta que uma invasão no País vizinho não será algo fácil, tendo em vista que Rússia e China tornaram-se parceiros econômicos da Venezuela.

Neste último domingo (21), em plena Avenida Paulista, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), filho de Bolsonaro, sugeriu uma guerra entre o Brasil e a Venezuela, dizendo que “libertaria os irmãos da fome e do socialismo”.

Pepe Escobar afirma que tal declaração demonstra que os EUA podem subcontratar o Brasil para uma guerra contra a Venezuela. “Pode apenas ser um blefe de Bolsonaro, apenas oratória, ou um plano muito sério também”, alerta.

No entanto, o jornalista destaca que a Venezuela ultimamente conta com dois parceiros comerciais de peso, China e Rússia. “Economicamente não é interessante para os dois países a desestruturação dos venezuelanos em uma guerra”, observa.

Crítico do PT, Marcelo Tas declara voto em Haddad

O jornalista Marcelo Tas anunciou neste sábado (27) que votará em Fernando Haddad (PT) para a presidência. Crítico do PT e das gestões do partido à frente do Governo Federal, Tas disse que votou em outro candidato no primeiro turno, mas que reprova as posturas de Bolsonaro em vários aspectos, levando-o a apoiar o petista.

“Declaro o meu apreço pela democracia, pela educação, pela questão ambiental e liberdades individuais. Estes são os valores principais que me levam a reprovar as propostas do candidato Bolsonaro (…) Pelas razões acima, meu voto é Haddad” disse em texto publicado no Facebook.

Confira o texto completo de Tas:

Na eleição presidencial desse domingo, ao contrário de alguns que vêem nela a batalha do bem contra o mal, vejo apenas o retrato doloroso do Brasil.

Não votei em nenhum dos lados no primeiro turno. Não me identifico com nenhum dos candidatos. Vejo em ambos alguns pontos positivos e muitos negativos. Mas não vou fugir de me posicionar. Peço sua paciência e tranquilidade para expor a minha escolha.

O candidato Bolsonaro tem a virtude de escancarar os deslizes múltiplos do PT, incrivelmente negados ou reconhecidos com má vontade e tímidos resmungos pelo candidato Haddad. Este por seu lado tem uma formação sólida, que o credencia ao cargo, só que não conseguiu autonomia para se libertar do papel de subalterno de Gleise, uma princesa Léa da Guerra nas Estrelas furreca que vivemos, onde Darth Wader não é o Coiso, mas o hóspede da Justiça em Curitiba. Sim, amigos, é triste dizer. Conheço Lula desde 1983. Para mim o vilão da história que nos trouxe até esse desfecho triste é ele mesmo, o mais ególatra dos políticos que já conheci. E olha que para bater FHC nesse quesito é duro. Nesse ringue de egos dilatados, que não pensam duas vezes em trocar o bem do país pelo conforto deles, tem ainda o Sarney, vivinho da Silva, não por acaso, o grande aliado que sustentou o poder do longo reinado de ambos: FHC e Lula. Que triste fim. Que competição de egos deformados é a política nacional. Que inveja tenho de um pais cujos ex-dirigentes são Jimmy Carter, Barack Obama ou Angela Merkel. Ou qualquer outro anônimo que se colocou à serviço da pátria e não da tentativa de se manter bem na foto e na crista do poder a qualquer custo, como fizeram o trio calafrio.

Chega delongas. Espero que esteja claro o meu desalento e desapreço pelas possibilidades no horizonte. Declaro o meu apreço pela democracia, pela educação, pela questão ambiental e liberdades individuais. Estes são os valores principais que me levam a reprovar as propostas do candidato Bolsonaro. Com respeito a quem vai votar nele, sugiro uma reflexão sobre esses temas. Sou neto de agricultores humildes do interior que sofrem a duras intempéries das últimas décadas. Se não cuidarmos do ambiente, não só o futuro do agro business está ameaçado, mas a nossa própria sobrevivência. Isto não é a minha opinião, são estudos científicos que levaram a mudança de política em países como Alemanha, França e até a China, hoje o país líder em preservação e bom uso de recursos e energia renovável.

Pelas razões acima, meu voto é Haddad. 

Independente de quem vencer domingo, a tarefa de reconstrução do país, arrasado pelos descaminhos recentes (e não estou falando apenas de Temer, vice de Dilma), é imensa. A tarefa será de todos. A resposta deve ser com Educação e Inovação, em todos os setores das atividades.

No dia seguinte à eleição, independente do resultado, estarei pronto para colaborar para o aperfeiçoamento da democracia e a construção de uma nação mais digna para brasileiros e brasileiras de todas as posições políticas, raças, credos e tradições.

Agradeço quem chegou até aqui e puder respeitar meu ponto de vista, sem precisar concordar com ele. Garanto que irei respeitar e aceitar democraticamente o voto de cada um, inclusive daqueles que discordam de mim.

URGENTE: Joaquim Barbosa declara voto em Hadadd

“Votar é fazer uma escolha racional. Eu, por exemplo, sopesei os aspectos positivos e os negativos dos dois candidatos que restam na disputa. Pela primeira vez em 32 anos de exercício do direito de voto, um candidato me inspira medo. Por isso, votarei em Fernando Haddad”, postou Joaquim Barbosa, que foi presidente do Supremo Tribunal Federal. Jair Bolsonaro vem sendo apontado pela imprensa global como uma ameaça ao Brasil e ao mundo.

(Reuters) – O presidenciável do PT, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira que o seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL), estimula pessoas violentas a saírem do armário.
“Ele estimula as milícias, os capangas, as pessoas violentas a saírem do armário, ele é a expressão da violência”, disse Haddad durante coletiva de imprensa em João Pessoa, na Paraíba.

“É muito comum na história dos povos que um covarde seja o agente da violência social. Em geral, são pequenos homens que estimulam a violência, até em função dos seus problemas psicológicos”, continuou.

“Por isso que os pequenos homens com problemas psicológicos são tratados respeitosamente, mas não chegam ao poder, porque são perigosos no poder. Não são perigosos fora do poder”, afirmou o ex-prefeito de São Paulo.

Segundo o petista, Jair Bolsonaro não tem um projeto, mas sim uma “retórica da violência”.

“A gente sabe como essa retórica da violência começa, mas a gente não sabe até onde vai. Nós precisamos cortar esse mal pela raiz”, afirmou o candidato.

Bolsonaro lidera as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial marcado para domingo.

MAIS ACERTOS DO QUE ERROS

Ao defender o projeto que representa, Haddad voltou a reconhecer que o PT cometeu erros, embora tenha feito mais acertos.

“Eu represento um projeto que tem muito mais acertos do que erros. Mudou a vida de metade da população brasileira. E os erros eu estou aqui assumindo e disposto a corrigir”, disse.

O candidato também se mostrou otimista nesta reta final antes da eleição de domingo e disse acreditar que uma virada irá acontecer, acrescentando que “segunda-feira já começamos a trabalhar na equipe de governo”.

O petista também voltou a comentar que espera um apoio do pedetista Ciro Gomes, derrotado no primeiro turno da disputa presidencial e cujo partido decidiu dar “apoio crítico” à candidatura do PT.

“Acredito que, chegando no Ceará, ele (Ciro) vai fazer um gesto importante pelo Brasil. Não é por mim, é pelo Brasil… Ele sabe o que está em jogo, ele sabe o que está em risco”, disse Haddad.