A ignorância da vereadora bolsonarista Eliza Virgínia é contagiante?

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Recebi um texto da assessoria da vereadora bolsonarista Eliza Virgínia sobre cotas raciais e fiquei assustado com tanta burrice e ignorância. O show de horrores começa com o título – “cota racial é cota racista”. Eliza defende a igualdade de acesso por mérito, mas como podemos falar em meritocracia se há séculos atrás nossos antepassados escravizaram milhões de negros e depois os jogaram nas ruas?

Ou seja, a vereadora acredita que o negro não ocupa as melhores profissões e nem ingressa nas universidades públicas porque lhe falta mérito. Eliza acredita que um negro que trabalha desde cedo para ajudar a família e estuda a noite numa escola pública péssima e se alimenta mal, terá as mesmas chances de entrar num curso de medicina, engenharia ou direito que aquele estudante branco de classe média que estuda em colégio caro, não trabalha, faz cursinho e tem acesso ilimitado à informação e cultura. É muita ignorância – ou maldade mesmo! – falar em igualdade e mérito para um povo que foi escravizado por 354 para enriquecer a população branca e depois descartado como animal nas favelas.

A ignorância da parlamentar também é nítida quando ela fala em ‘igualdade prevista na Constituição’. Certamente ela nunca ouviu falar do conceito de ‘igualdade aristotélica’, que basicamente significa tratar desigualmente os desiguais para se promover a efetiva igualdade. Ou seja, se duas pessoas vivem em situações desiguais, não se pode aplicar o conceito de igualdade abstrata porque concretamente é a desigualdade que se verifica. Aquela pessoa que está em situação de desigualdade precisa de mecanismos que visem o acesso dela à cidadania.

Quem sabe desenhando ela entende:

O STF reiterou por diversas vezes que a Constituição de 88 estabeleceu precedência da igualdade material sobre a formal, permitindo ao Estado intervir para corrigir as distorções oriundas de aspectos históricos que resultaram em diferenças de índole econômica, social e cultural entre os grupos sociais. Mas como essa turma bolsonarista é atrasada no tempo, certamente a vereadora Eliza Virgínia ainda leia a CF de 1967.

Mas voltando ao show de horrores em forma de release da vereadora Eliza, ela diz que “cotas racial é o estado afirmando institucionalmente que algumas ‘raças’ são inferiores a outras, e que por isso precisam de uma ajudinha para alcançar êxito“. Talvez a vereadora não saiba (ou não aceite) mas a “ajudinha” que ela fala é somente uma reparação histórica. Uma dívida social que o Brasil tem por arrancar negros da África e escravizá-los.

Será que a vereadora um dia parou para refletir porque existem tantos negros mendigos, favelados, pobres, trabalhando nos piores empregos e recebendo os piores salários? Por que apesar de ser maioria na população o povo negro também não é maioria nas universidades? Ah, sim, ela acha que é falta de mérito!

São pensamentos nocivos como estes que devemos extirpar do parlamento. Gente como a vereadora Eliza Virgínia representam o mal na sociedade. Porque o mal existe e muitas vezes está com uma bíblia debaixo do sovaco e enfiado numa igreja.

Ainda bem que a ignorância não é contagiosa, mas na dúvida é melhor usar máscara perto da vereadora.

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