A pesquisa Datavox e o potencial de transferência de votos de Cartaxo

A preço de hoje, diria que o prefeito Luciano Cartaxo consegue transferir facilmente, em média, 40% de votos para seu sucessor. É claro que o perfil do escolhido (ou escolhida) pode ajudar ou atrapalhar na transferência.

Mesmo impedido de disputar mais uma eleição, o prefeito apareceu com 17,9% na pergunta espontânea da pesquisa Datavox. Empatado na margem de erro com Ricardo Coutinho (20,9%).

O voto na espontânea, como o próprio nome já diz, é aquele voto que o eleitor tem na ponta da língua e não precisa de estímulos para lembrar. É considerado o ‘piso’ de um político, pois dificilmente ele perde essa intenção de voto no decorrer da campanha.

Ao ser questionado se votaria num candidato apoiado pelo prefeito Luciano Cartaxo, o eleitor deu a seguinte resposta:

Num cálculo pessimista, somando os 27% que dizem votar no candidato de Cartaxo com apenas metade dos que responderam talvez, teremos 43% de eleitores dispostos a seguir o comando do prefeito. Um número confortável para garantir o sucessor no 2° turno, ou quem sabe, dependendo dos adversários, vencer logo no 1°.

Reparem que na eleição de 2018, Cartaxo conseguiu transferir em João Pessoa, 31% dos votos para o irmão Lucélio Cartaxo que disputava o governo. Um resultado considerável diante de um governo bem avaliado e com uma forte estrutura (lícita e ilícita) na capital.

Contudo, em 2020 a transferência de votos tende a ser mais efetiva, mesmo não sendo para o seu irmão gêmeo. É que uma coisa é um político tentar transferir seu prestígio eleitoral para outro. Outra coisa é transferir votos utilizando a narrativa da continuidade de uma gestão que é bem avaliada.

Analisando na prática, vejamos os exemplos de Ricardo Coutinho. O pseudo-republicano nunca conseguiu levar suas candidatas (Cida e Estela) para o 2° turno em João Pessoa. Mas elegeu um quase desconhecido, no 1° turno, para o governo do estado.

As três eleições em questão corroboram com a tese de que é bem mais fácil transferir votos para um candidato que representa a continuidade de um governo bem avaliado do que transferir seu capital eleitoral e prestígio para uma eleição noutra esfera de poder.

O próprio Cartaxo, em 2012, foi eleito sob tal lógica. Ele representava a continuidade da gestão do saudoso Luciano Agra; que conseguiu ser melhor do que o antecessor RC.

O eleitor quer segurança, e a lógica da continuidade daquilo que está indo bem é o fator mais determinante na escolha do voto.

Contudo, Luciano Cartaxo precisa escolher um(a) candidato(a) sem teto de vidro ou rabo de palha.

Um nome que mantenha o debate eleitoral focado na gestão municipal, e não em escândalos que já eclodiram ou estão por eclodir…

POLÍTIKA/DATAVOX: Gestão de Luciano Cartaxo tem aprovação de 65% da população

 

 

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