Bolsonaro decide indicar seu filho Eduardo como embaixador nos EUA

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O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira (11) que decidiu indicar seu filho Eduardo Bolsonaro como embaixador do Brasil nos Estados Unidos, mas que cabe ao atual deputado federal aceitar ou não o cargo.

“Da minha parte, eu me decidi agora, mas não é fácil uma decisão como esta estando no lugar dele e renunciando ao mandato”, disse ele em entrevista a jornalistas. “Apesar de ser meu filho, ele tem de decidir”, acrescentou.

Questionado pela Folha sobre o assunto, Eduardo Bolsonaro disse que ainda não há nada definido.

“A missão que o presidente Bolsonaro der para mim certamente vou desempenhar da melhor maneira. Não tem nada formal, nada oficial. O presidente falou, está falado, mas não chegou nada oficial”, disse, na Câmara.

Jair e Eduardo Bolsonaro em Brasília em dezembro – Adriano Machado – 4.dez.18/Reuters

O presidente afirmou que o filho fala inglês com fluência, tem boa relação com a família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e “daria conta do recado perfeitamente”.

“É uma coisa que está no meu radar, sim, e existe a possibilidade. Ele é amigo dos filhos do Donald Trump, fala inglês e espanhol, tem uma vivência muito grande do mundo. Poderia ser uma pessoa adequada e daria conta do recado perfeitamente”, ressaltou.

Bolsonaro disse ter ficado surpreso com o vazamento da informação e brincou que há um anão embaixo da mesa do gabinete presidencial. “Isso foi hoje. Parabéns ao anão que dizem ter embaixo da minha mesa, que agiu rapidamente. Chegou rapidamente a vocês essa informação aí.”

O presidente lembrou também que já havia cogitado a possibilidade no passado, mas que voltou a considerá-la nesta quinta.

“Não quero decidir por ele seu futuro”, disse. “Eu fiquei pensando: imagine se tivesse no Brasil o filho do presidente Mauricio Macri como embaixador da Argentina? Obviamente que o tratamento seria diferente de um embaixador normal”, afirmou.

O presidente reafirmou que, se dependesse dele, tomaria uma decisão agora, mas lembrou que, além de ter de deixar o mandato, Eduardo acabou de se casar.

Bolsonaro afirmou ainda que já conversou sobre o assunto com o Ministério da Defesa e que também fez contato com os Estados Unidos.

“Quando a gente vai indicar os embaixadores, o serviço de inteligência faz os contatos também. Qualquer embaixada do Brasil tem que bem nos representar, e é isso que nós queremos”, disse.

Eduardo fez 35 anos nesta quarta (10), idade mínima para assumir como embaixador. Depois da indicação do presidente, o Senado ainda precisa confirmar o nome.

O deputado federal só não anunciou em público que aceitou a indicação por um temor político. Ele pediu à sua assessoria para determinar se precisaria renunciar para assumir o cargo ou se uma licença resolveria o caso.

Se renunciar, teme ser constrangido com um veto na sabatina no Senado. O entorno de Bolsonaro defende uma sondagem informal com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), mas o deputado por ora rejeita a ideia.

Rejeição de indicação desse tipo é rara, mas já ocorreu. Em 2015, Guilherme Patriota foi impedido de representar o país na Organização dos Estados Americanos, mas o contexto era a queda de braço que levou ao impeachment da então presidente, Dilma Rousseff (PT).

Não parece ser o caso agora, apesar da desconfiança dos Bolsonaro.

Advogado e escrivão da Polícia Federal, Eduardo não tem formação internacional específica. É um dos mais influentes expoentes do chamado grupo ideológico do governo, influenciado pelas ideias do escritor brasileiro radicado nos EUA Olavo de Carvalho.

Foi ele quem avalizou a indicação, feita por Olavo, do diplomata Ernesto Araújo para o cargo de chanceler.

Ambos têm trabalhado em dupla, com o deputado à frente da Comissão de Defesa e Relações Exteriores da Câmara, e trocam elogios constantemente.

Folha

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