Melhor amigo de Berg Lima já tinha alertado pessoalmente: “Isso que assisto vai ter um final triste”

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O relato a seguir é da liderança jovem Albeno Silva, único remanescente do projeto Atitude Cultural, que lançou Berg Lima na política, em 2012. Amigo de longas datas, Albeno é um exemplo de que amigo de verdade tem que criticar ao perceber um erro.

Bajulador não é amigo:

“Eu vou entrar e vou esperar o dia que você vai se “corromper” Foi exatamente com essas palavras que em 2008 eu comecei minha vida política e partidária. Muitos talvez não saibam, mas quem me vê no meio político não sabe que ao mesmo tempo que faço parte, eu o repúdio, e naquele ano, um jovem magro, em cima de uma moto e sem dinheiro no encontro da juventude negra em Santa Rita me convida a entrar no até então desconhecido PTN.
Naquela época militante ativo dos movimentos sociais, tinha comigo que político ou é corrupto ou oportunista, e depois de dias de insistência eu aceitei entrar no PTN, o então amigo que ali ganhei disse “Você precisa entrar na política, a voz da juventude, do povo negro e dos discriminados tem que aparecer, você não pode fugir dessa responsabilidade”. 
Então começo ali no Atitude Cultural “Bayeux Precisa” eu, Berg e o amigo Hélio de Tambay, com cinema nas comunidades, depois ampliamos para eventos culturais com outros amigos que se somaram, outros chegaram e ficamos mais fortes.
Nossa primeira eleição chega em 2012, sob os adjetivos das forças conservadoras de loucos, meninos… Então surge ali um mito, uma esperança que teve da população 13.042 votos com 12 humildes guerreiros.
Chegou 2014 e ali algumas coisas já me incomodavam bastante, já o meu amigo já não não era o Berg Lima professor na Prefeitura Municipal de João pessoa e sim um jovem e promissor político, mais uma vez uma votação estrondorosa e surpreendente. 
Em seguida Berg passa para o concurso do IFPB e vira servidor federal. Ainda naquela época eu trabalhava em seguradora, via como as coisas iriam ser dali pra frente e disse como amigo que sou sem nenhum apego ao poder “Berg, vamos sair desse negócio de política, as pessoas inventam coisas da sua vida, falam da sua família, de você, todos nós vigiados e com algozes que não querem perder o poder, eles vão fazer de tudo para não chegarmos e farão de tudo para nos derrubar”.
Seguiu a vida e chegamos em 2016 como fortes candidatos, nesse momento um grupo imenso já, pessoas de bem, que queiram o bem de cidade.
A vitória deu início a derrota, infelizmente e com muito pesar, o amigo que conheci formatando computador e dando aula de informática para viver era o prefeito e também outra pessoa, afastou os amigos, abandonou a militância e começou um caminho tortuoso.
Para muitos eu que seria uma estrela do governo fui escanteado, tido como chato e que só fazia reclamar, comecei a ver coisas e tentei de alguma forma ajudar, alertei, briguei e fiz o papel de amigo, mas infelizmente Berg esqueceu ou deixou de lado seus amigos mais antigos, capazes e que o ajudaram.
Bom, chegamos ao fato de ontem e alguns momentos ao ver vê-lo nos bancos do réus me vieram a cabeça: o primeiro quando disse a frase que começa esse texto, o segundo o jovem da moto que formatava computador e as vezes nem tinha o dinheiro do lanche, o terceiro em 2015 quando disque ele abandonasse a política e o último que foi há duas semanas, muito magoado e vendo o projeto popular que chegou ao poder sucumbir, falei: ” Amigo, eu preferia que vc não tivesse entrado e me convidado a entrar na política, preferia que vc continuasse a ser o professor e eu vender meus seguros, porque meu velho isso que assisto vai ter um final triste”
Sem sombra de dúvidas uma decepção, ao mesmo tempo uma dor é uma tristeza imensa, afinal é um amigo que está sendo preso, uma vida que acabou, uma linda história encerrada por uma atitude mesquinha. A todos amigos minhas desculpas, aos familiares minha solidariedade, aos militantes e a nossa juventude do partido a vida segue e sonho continua, ao meu amigo, como faria com qualquer outro conte comigo, infelizmente você deixou de lado os amigos e lá nos banco do réus vc viu que bem poucos estavam lá, e aqueles que levaram ou eram estrelas onde estavam ? Te renegaram, disseram que não conheciam vc… Assim é quando um político ou uma pessoa cai, serão bem poucos para ajudar.
Ao amigo Luiz Antônio, que Deus abençoe, tem toda capacidade e ciência para reerguer a cidade, a todos mais uma vez minhas desculpas, pois é um dia muito triste para todos que acreditaram e foram as ruas ano passado.

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