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Ministro de Bolsonaro é indiciado pela Polícia Federal no caso do ‘Laranjal do PSL’

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A Polícia Federal indiciou o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, em uma investigação em que ele é alvo sobre o suposto uso de candidaturas-laranjas do PSL no Estado de Minas Gerais nas eleições passadas.

A PF apurou envolvimento do deputado federal licenciado nos crimes de falsidade ideológica e lavagem de dinheiro quando Álvaro Antônio era presidente do PSL em Minas Gerais. No esquema, as mulheres seriam usadas para cumprir a cota de 30% de candidaturas femininas.

De acordo com as investigações, há indícios de fraude na participação de supostas candidatas mulheres que receberam volume considerável de dinheiro, mas tiveram poucos votos. A suspeita é que elas eram laranjas, ou seja, não fizeram campanha e devolveram recursos ao partido de Bolsonaro.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, de R$ 279 mil repassados pelo PSL a 4 candidaturas femininas, ao menos R$ 85 mil foram destinados a 4 empresas de pessoas ligadas a Álvaro Antônio.

As investigações levaram à prisão do assessor especial do ministro Mateus Von Rondon em 27 de junho, em Brasília, na operação Sufrágio Ostentação. No mesmo dia, foram presos em Ipatinga (MG) um dos coordenadores da campanha de Álvaro Antônio à Câmara em 2018, Roberto Silva Soares, e um ex-assessor do ministro na Câmara, Haissander Souza de Paula.

Em 1º de julho, os três foram liberados e indiciados pela Polícia Federal por suspeita dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa.

Segundo a Polícia Federal, Von Rondon era dono de uma empresa de fachada, usada no esquema criminoso. A companhia aparece na prestação de contas de 4 candidatas a deputada estadual e federal suspeitas de terem sido usadas como laranjas em Minas. A soma dos valores que Lilian Bernardino, Naftali Tamar, Débora Gomes e Camila Fernandes declararam ter pago ao assessor é de R$ 32 mil.

Primeiro-secretário do diretório do PSL em Minas, Roberto Silva Soares, por sua vez, é suspeito de negociar devoluções de quantias pelas candidatas suspeitas. Ele é o atual primeiro-secretário do diretório do PSL em Minas.

O irmão do ex-coordenador de campanha de Álvaro Antônio é sócio de duas empresas elencadas como prestadoras de serviços eleitorais às candidatas investigadas que teriam recebido R$ 44,9 mil de duas supostas candidatas.

Ainda segundo as investigações, o papel de Haissander, era cobrar das envolvidas no esquema  devolução da verba pública de campanha.

O ministro ainda não comentou a decisão, após ser procurado por meio da assessoria de imprensa do Ministério do Turismo.

Com a decisão da PF de indiciá-lo, o relatório com as conclusões da apuração será enviado ao Ministério Público que poderá denunciar o ministro, arquivar o caso por entender que não há elementos de envolvimento dele ou ainda pedir novas investigações.

Versão do ministro

Embora ainda não tenha comentado o fato de ter sido indiciado, até então, Álvaro Antônio tem negado irregularidades e prometido que irá provar sua inocência.

Bolsonaro ―que se elegeu ancorado em forte discurso de combate à corrupção― tem resistido desde o início do ano a demitir Marcelo Álvaro Antônio. Chegou a dizer que tem de ter “acusação grave” para retirá-lo do cargo. Na quinta-feira (3), o ministro teve uma reunião com o presidente no Palácio do Planalto, segundo a agenda oficial de Bolsonaro.

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