Ex-procurador da República declara apoio a Haddad

“Já fui chamado de petista e antipetista. Já fui psdebista e anti tbem. Houve muita especulação sobre meu interesse eleitoreiro na minha atuação profissional. Nada se comprovou. Agora, não posso deixar passar barato discurso de intolerância e etc. Por exclusão, voto em Haddad”, disse o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que esteve à frente da PGR durante a Lava Jato.

Neste sábado, Haddad também recebeu o apoio de Joaquim Barbosa, ex-presidente do STF.

Confira abaixo seu twitter:

A onda do “vira vira” alavanca Haddad

A campanha eleitoral foi marcada por duas grandes ondas, que promoveram candidaturas à liderança nas pesquisas. Estamos agora numa terceira onda, que pode ser a decisiva.

A primeira foi a do lançamento da candidatura do Haddad, com suas viagens pelo Brasil para apresentar-se como o candidato do Lula e promover seu programa, centrado na educação e no trabalho. Foi uma trajetória vitoriosa, em que se buscava a transferência dos votos do Lula, amplo favorito para ganhar as eleições no primeiro turno, mas impossibilitado de ser candidato, pela perseguição politica promovida pelo judiciário contra ele.

Essa onda levou Haddad a empatar e a superar mesmo a Bolsonazi no segundo turno das pesquisas, numa semana surpreendente, porque contou com varias trabalhadas dentro da candidatura da extrema direita e desembocou nas gigantescas manifestações das mulheres pelo #EleNão.

Mas quando se esperava a consolidação da dianteira do Haddad, surgiram, de forma suspeita, pesquisas, a primeira do Ibope, com dados recolhidos, pelo menos oficialmente nos dias 19 e 20 de novembro – portanto incluído o dia 20, dia das manifestações – revelando uma grande virada a favor do candidato da extrema direita. Uma pesquisa que parecia se chocar com o clima politico instalado por aquela semana, mas que foi confirmada por uma outra, do Datafolha, na mesma direção.

Posteriormente se revelaram dados que apontavam que a contraofensiva da extrema direita tinha começado ja na quinta feira, dia 18, com a deflagração de uma gigantesca onda de fakenews, disparados pelos mecanismos de milhões de robôs, antes de tudo tratando de reverter a imagem das manifestações das mulheres, desqualificadas com imagens falsas, fabricadas, que as condenavam do ponto de vista moral e outras diretamente contra o Haddad – dentre as quais a da mamadeira foi simbólica desse tipo de ação mentirosa. No domingo as igrejas evangélicas se encarregaram de propagar essa campanha para suas bases, consolidando a virada produzida por essa segunda onda.

Os eixos da campanha da extrema direita foram o perigo do comunismo e a corrupção do PT. Mas a sua alavanca fundamental era a produção da rejeição do Haddad, cujo favoritismo era dado não apenas pela sua tendencia ascendente, mas pela rejeição muito maior do candidato da extrema direita. De um candidato como o Haddad se pode discordar plenamente, mas produzir sua rejeição só pode se dar por mentiras forjadas e multiplicadas aos milhões, objetivo logrado, absurdamente, por essa campanha: até hoje a rejeição de Haddad é maior do que a do Bolsonazi ou está em empate técnico.

As consequências dessa onda foram varias: reverteram o clima geral, promovendo o favoritismo do candidato da extrema direita, deslocaram a agenda das questões programáticas para as acusações ao Haddad – que tinha obrigatoriamente que se defender, mas ao faze-lo, confirmava essa nova centralidade, o deslocamento, junto com o programa do PT, da própria imagem do Lula e da projeção da do Bolsonazi como personagem central da campanha. Ao recuperar a iniciativa, a extrema direita colocou a esquerda na defensiva, com perda sua capacidade de iniciativa e a obrigada reação às acusações, pelos efeitos devastadores que estavam tendo.

Estava configurada o tipo de campanha eleitoral da guerra híbrida, combinando fakenews, robôs, igrejas evangélicas e contando, uma vez mais, com a passividade cúmplice do judiciário, apesar das escandalosas evidencias de que as fakenews e os robôs são financiados com milhões de empresários privados, que se jogam na campanha do Bolsonazi, da mesma forma que se haviam jogado na conjuntura de 2015/2016, que havia levado ao golpe contra a Dilma.

Se reinstaurou um clima histérico similar ao daqueles anos, com as denuncias funcionando subterraneamente, enquanto as estapafúrdias declarações do candidato, do seu vice, do seu guru econômico, instalavam um clima bélico, de que passaram a fazer parte direta comandos violentos da extrema direita, com ataques a pessoas que defendiam posições contrarias a eles, com mortes, feridas, invasões de locais públicos e pichações de caráter diretamente nazista.

Foi nesse clima que se deram os últimos dias do primeiro turno e o resultado desse turno, transformado diretamente, segundo o diretor do Datafolha por essa acao subterrânea, mentirosa e ilegal da candidatura da extrema direita.

Tomada de surpresa, como todos fomos, a candidatura do Haddad demorou um tanto a se recompor, no inicio do segundo turno, com o tempo passando a contar contra. Até que o novo circuito de viagens pelo Brasil, na segunda metade da campanha do segundo turno, foi esboçando uma nova onda, com o cenário espetacular da massividade das manifestações, centradas no nordeste – Bahia, Piauí, Ceará, Maranhao, Sergipe, Pernambuco, – Paraíba, – mas também no sul, como em Sao Paulo, no Rio, em Belo Horizonte, em Curitiba.

Conforme a iniciativa e o entusiasmo foi se apossando do campo democrático, foi se gerando a onda do vira vira, apoiada na retomada de crescimento do Haddad e de queda do Bolsonazi. É a terceira onda da campanha, que retoma a iniciativa, recoloca os temas programáticos do Haddad no centro da campanha, ao mesmo tempo que trabalha fortemente para elevar a rejeição do Bolsonazi.

As novas tendencias são favoráveis ao Haddad, mas que tem que remontar uma direrença que chegou a se aproximar dos 20 pontos em algumas pesquisas, mas que foi baixando para, nas espontâneas, ter uma diferença de menos da metade daquela cifra e, nas pesquisas do Vox Populi, se aproximar de um empate técnico. É uma corrida contra o tempo, para que essa nova onda, esse reversão de votos do Boloznazi, mas também de conquista dos votos indecisos, especialmente de mulheres, de eleitores do Ciro, assim como a luta contra a desinformação de que o Haddad é o candidato do Lula, que ainda predomina em setores de nível econômico mais baixo da população.

Essa onde pode virar o resultado das eleições ou pelo menos colocar uma disputa final muito acirrada. Desde logo ela redespertou o profundo sentimento democrático, de rejeição e de indignação contra as posições intolerantes, repressivas, brutais do candidato da extrema direita, que mal escondem o objetivo fundamental da sua candidatura – como a havia passado com o golpe contra a Dilma: derrotar o PT e garantir a continuidade do modelo neoliberal.

O destino do país depende assim da profundidade e da extensão da terceira onda da campanha – a onda do vira vira. Ela pode resgatar o país do abismo que o obscurantismo e a violência desatada pela extrema direita, restabelecer a democracia e fazer com que os brasileiros possam ser felizes de novo.

Crítico do PT, Marcelo Tas declara voto em Haddad

O jornalista Marcelo Tas anunciou neste sábado (27) que votará em Fernando Haddad (PT) para a presidência. Crítico do PT e das gestões do partido à frente do Governo Federal, Tas disse que votou em outro candidato no primeiro turno, mas que reprova as posturas de Bolsonaro em vários aspectos, levando-o a apoiar o petista.

“Declaro o meu apreço pela democracia, pela educação, pela questão ambiental e liberdades individuais. Estes são os valores principais que me levam a reprovar as propostas do candidato Bolsonaro (…) Pelas razões acima, meu voto é Haddad” disse em texto publicado no Facebook.

Confira o texto completo de Tas:

Na eleição presidencial desse domingo, ao contrário de alguns que vêem nela a batalha do bem contra o mal, vejo apenas o retrato doloroso do Brasil.

Não votei em nenhum dos lados no primeiro turno. Não me identifico com nenhum dos candidatos. Vejo em ambos alguns pontos positivos e muitos negativos. Mas não vou fugir de me posicionar. Peço sua paciência e tranquilidade para expor a minha escolha.

O candidato Bolsonaro tem a virtude de escancarar os deslizes múltiplos do PT, incrivelmente negados ou reconhecidos com má vontade e tímidos resmungos pelo candidato Haddad. Este por seu lado tem uma formação sólida, que o credencia ao cargo, só que não conseguiu autonomia para se libertar do papel de subalterno de Gleise, uma princesa Léa da Guerra nas Estrelas furreca que vivemos, onde Darth Wader não é o Coiso, mas o hóspede da Justiça em Curitiba. Sim, amigos, é triste dizer. Conheço Lula desde 1983. Para mim o vilão da história que nos trouxe até esse desfecho triste é ele mesmo, o mais ególatra dos políticos que já conheci. E olha que para bater FHC nesse quesito é duro. Nesse ringue de egos dilatados, que não pensam duas vezes em trocar o bem do país pelo conforto deles, tem ainda o Sarney, vivinho da Silva, não por acaso, o grande aliado que sustentou o poder do longo reinado de ambos: FHC e Lula. Que triste fim. Que competição de egos deformados é a política nacional. Que inveja tenho de um pais cujos ex-dirigentes são Jimmy Carter, Barack Obama ou Angela Merkel. Ou qualquer outro anônimo que se colocou à serviço da pátria e não da tentativa de se manter bem na foto e na crista do poder a qualquer custo, como fizeram o trio calafrio.

Chega delongas. Espero que esteja claro o meu desalento e desapreço pelas possibilidades no horizonte. Declaro o meu apreço pela democracia, pela educação, pela questão ambiental e liberdades individuais. Estes são os valores principais que me levam a reprovar as propostas do candidato Bolsonaro. Com respeito a quem vai votar nele, sugiro uma reflexão sobre esses temas. Sou neto de agricultores humildes do interior que sofrem a duras intempéries das últimas décadas. Se não cuidarmos do ambiente, não só o futuro do agro business está ameaçado, mas a nossa própria sobrevivência. Isto não é a minha opinião, são estudos científicos que levaram a mudança de política em países como Alemanha, França e até a China, hoje o país líder em preservação e bom uso de recursos e energia renovável.

Pelas razões acima, meu voto é Haddad. 

Independente de quem vencer domingo, a tarefa de reconstrução do país, arrasado pelos descaminhos recentes (e não estou falando apenas de Temer, vice de Dilma), é imensa. A tarefa será de todos. A resposta deve ser com Educação e Inovação, em todos os setores das atividades.

No dia seguinte à eleição, independente do resultado, estarei pronto para colaborar para o aperfeiçoamento da democracia e a construção de uma nação mais digna para brasileiros e brasileiras de todas as posições políticas, raças, credos e tradições.

Agradeço quem chegou até aqui e puder respeitar meu ponto de vista, sem precisar concordar com ele. Garanto que irei respeitar e aceitar democraticamente o voto de cada um, inclusive daqueles que discordam de mim.

Disparada na rejeição de Bolsonaro abre espaço para virada de Hadadd

Os brasileiros começam a reagir e rejeitar os discursos ditatoriais do candidato Jair Bolsonaro, que ameaçou prender ou expulsar do País os seus opositores, e à ameaça de fechar o Supremo Tribunal Federal (STF), feita pelo seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL).

Segundo a pesquisa Ibope divulgada nesta noite, a rejeição ao candidato da extrema-direita subiu cinco pontos em uma semana, saindo de 35% para 40%. Nos votos válidos, Bolsonaro caiu dois pontos, indo para 57%, e nas menções espontâneas a queda é de cinco pontos percentuais, de 47% para 42%.

Já o candidato do PT a presidente, Fernando Haddad aparece em alta: subiu dois pontos nos votos válidos, de 41% para 43%, e viu sua rejeição cair seis pontos, de 47% para 41%. Crescimento do petista ocorre na intensificação do contato com os eleitores e na adesão de líderes de diversos segmentos da sociedade.

Nos votos totais, Jair Bolsonaro tem 50% e Fernando Haddad (PT) tem 37%. Votos brancos e nulos somam 10% e indecisos, 3%.

O desafio faltando apenas cinco dias para a eleição é tirar 6,5 pontos de Bolsonaro até domingo. Há horizonte para a virada e para vitória da democracia na reta final.