Por que os portais de notícias ligados à AMIDI não estão pautando o maior escândalo de corrupção da Paraíba?

Caro leitor, você já reparou que os principais portais de notícias da Paraíba não estão pautando o maior escândalo de corrupção envolvendo o governo do Estado? Muitos articulistas metidos a palmatória do mundo não escreveram sequer uma linha opinando sobre a Operação Calvário e os áudios de Waldson e Gilberto Carneiro tramando fraude em licitação.

Alguns portais mais “militantes”, que possuem familiares no governo, vão além e fazem uma defesa velada do escândalo, tentando minimizar o acontecido.

É um fato curioso que tem gerado muita boataria. Numa delas, que circula nas redes sociais, os portais membros da AMIDI – Associação de Mídia Digital são acusados de receber dinheiro da SECOM, via Luis Torres para ficar com a boca fechada. O boato chegou a ser compartilhada nas redes sociais do deputado estadual Walber Virgolino:

O boato poder ser apenas um boato. Mas quando você percebe que os portais ligados à AMIDI fingem não enxergar o maior escândalo de corrupção da história da Paraíba, e nada pautam sobre o assunto, logo nos esbarramos com a verossimilhança; ligação, nexo ou harmonia entre fatos.

Pode até não ser, mas estão passando recibo.

A AMIDI se autoproclama reguladora do mercado de mídias digitais, mas não combinou isso com ninguém, e muito menos tem o poder de tutelar como as instituições públicas vão gastar as verbas publicitárias. A Amidi nasceu com o objetivo de fazer lobby para seus membros e garantir uma fatia maior do bolo publicitário, o que não é ilegal nem imoral.

É preciso destacar que associação tem em sua diretoria muita gente do bem, como Heron Cid, Gutemberg e Fábio Targino, mas conta com elementos de pouca credibilidade e práticas nada admiráveis que podem estar manchando a imagem da associação.

Portais de notícias ligados à Amidi estariam comprando acessos através de robôs para garantir maior verba publicitária

Uma fonte revelou ao Polítika que portais membros da Associação de Mídias Digitais da Paraíba (AMIDI), que se apresenta como representante dos sites e blog do estado, mas carece de respaldo e reconhecimento no meio, estariam comprando acessos através de robôs.

A fonte relata que conversou com um profissional que promete mil acessos ao valor de R$ 10, podendo “entregar” até meio milhão de acessos em um mês. A fonte revelou ainda que o tal profissional teria trabalhado em dois portais membros da Amidi, curiosamente os dois portais sempre apareceram no topo do ranking do Alexa.

O portal Tá na área também fez uma denúncia parecida nesta terça-feira, 22:

A desconfiança que portais da Paraíba usam robôs para ganhar acessos e liderar audiência é antiga. Mas agora, além da vaidade, há um fator financeiro. Criada para fazer lobby para um pequeno grupo de amigos, a Amidi apresentou ao Tribunal de Contas do Estado um novo modelo de repartição das verbas publicitárias institucionais destinadas aos sites e blogs.

Na proposta da Amidi, as agências de publicidade devem estabelecer o valor dos contratos de veiculação de banner de acordo com o acesso dos portais no Google Analytics. Ou seja, quem contrata mais robôs vai ficar com a maior parte da verba publicitária.

A ganância do membros da Amidi tem gerado insatisfação entre os portais e blogs que sequer sabiam da existência de tal entidade e muito menos a tem como representante.

Além de não representar legalmente essa categoria de profissionais, a Amidi está com suas obrigações legais irregulares.

Nesta terça-feira (22), circulou nos grupos de mensagens, prints em que apontam tais irregularidades da AMIDI. Segundo os documentos, a “Associação” encontra-se inapta por omissão de declarações.

Ainda nesta terça-feira, um grupo de jornalistas também se reuniu e divulgou, através de texto publicado em um site paraibano, uma série de erros envolvendo a associação, tais como o fato da sede da associação ser uma incógnita, os filiados “um mistério à parte”, o site oficial estar há anos fora do ar – http://www.amidi.online/ – , o perfil no Facebook não ser atualizado desde novembro de 2015, além de ninguém ter visto a Ata de Fundação ou o Estatuto Social ou sequer saber como, quem ou quais critérios abalizaram a eleição de seu presidente e diretoria.

Confira os documentos em que apontam tais irregularidades existentes nessa AMIDI.