Governo Bolsonaro ‘cirou’? Caixa anuncia descontos em dívidas de até 90%

Boa notícia para quem está endividado com a Caixa Econômica Federal: o banco lançou nesta terça-feira (28) uma campanha de renegociação de dívidas chamada “Você no Azul” que abrange 3 milhões de clientes.

Os descontos para liquidação à vista de atrasos superiores a 360 dias variam entre 40% e 90% — a depender da situação dos contratos e do tipo de empréstimo feito.

Em nota, a Caixa informa que a ação vale por 90 dias, em todo o Brasil, e que mais informações podem ser obtidas pelos clientes de quatro maneiras:

  1. Pessoalmente, nas agências;
  2. Ou pelo site www.negociardividas.caixa.gov.br;
  3. Ou pelo telefone 0800 726 8068 opção 8;
  4. Ou pelas redes sociais da Caixa no Facebook e no Twitter.

“Um dos nossos principais objetivos é resgatar o poder de compra e parcelamento dos clientes, adequar seus compromissos à sua realidade financeira, e possibilitar que possa tomar novo crédito no mercado, com a exclusão da restrição em seu cadastro”, disse no comunicado o presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

O governo Bolsonaro ‘cirou’?

O discurso adotado por Guimarães lembra a promessa do presidenciável Ciro Gomes (PDT) na última campanha presidencial.

Ciro Gomes (PDT), candidato à Presidência em 2018 — Foto: Agência O Globo

De acordo com o ex-governador do Ceará, se eleito, renegociaria dívidas por meio de bancos públicos e limparia, assim, o nome de 63 milhões de brasileiros que estão no SPC. Esse seria o motor da retomada da economia brasileira, segundo Ciro, caso fosse eleito.

“Fico feliz que ouviram minha proposta e ao menos uma providência este governo desastrado está tomando para ajudar as famílias brasileiras. E fica a lição para Bolsonaro: estudar é muito importante”, completou.

Antes de sofrer o atentado que o tirou de combate na campanha presidencial de 2018, Jair Bolsonaro chegou a debater com Ciro na televisão sobre esse projeto. Disse ele, no evento transmitido pela Band:

“Deus te ajude, Ciro, porque eu confesso que não tenho como pagar essa dívida de uma forma tão simplista como você está propondo aí”, disse o então candidato do PSL, agora no Planalto. Veja o vídeo aqui:

A campanha “Você no Azul”, da Caixa, sejamos justos, é bem mais modesta, e atingirá “apenas” 3 milhões de pessoas. Mas se o plano der certo, o governo Bolsonaro pode decidir “aumentar isso daí”.

Procurado, o governo não comentou as declarações de Ciro, nem informou se tem planos de ampliar o programa de descontos de dívidas da Caixa.

Por Gustavo Ferreira e Isabel Filgueiras, Valor Investe

Cássio critica demora de repasse a municípios e repudia ‘agiotagem oficial’ da CEF

Em pronunciamento no plenário nesta quarta-feira (28), o senador Cássio Cunha Lima  criticou duramente a decisão da Caixa Econômica Federal, que é responsável pela execução dos convênios em nome da União, de elevar as taxas de administração cobradas das prefeituras pelos contratos firmados com os ministérios e financiados com recursos de emendas parlamentares.

Agiotagem oficial – Segundo Cássio, a taxa de administração passou de 2,5% sobre o valor de cada emenda individual para um percentual variável que pode ultrapassar os 10%.

“Os prefeitos, os deputados e os senadores precisam repudiar essa postura da Caixa Econômica. É uma agiotagem oficial, inadmissível e que retira dinheiro do nosso povo e que vai sacrificar ainda mais os pequenos municípios.  Precisamos exigir da Caixa e do Ministério do Planejamento uma revisão desse tarifaço”, ressaltou.

O senador explicou que “é importante e positivo que a Caixa tenha lucro, mas não é possível descontar das emendas dos parlamentares, que, no caso de milhares de cidades no Brasil, particularmente nas regiões Norte e Nordeste, são a única fonte de investimento que essas pequenas cidades têm, porque elas não dispõem de recursos próprios para fazer seus investimentos”.

“Os investimentos ocorrem quando são contemplados com as emendas parlamentares. E haver descontos dessa ordem de grandeza é retirar, do povo brasileiro, recursos escassos, recursos parcos, que farão falta no dia a dia dos municípios – alertou.

SOS municípios – Cássio também lamentou a demora na liberação do Auxílio Financeiro aos Municípios, previsto na Lei 13.633/2018, que abre crédito de R$ 2 bilhões para três ministérios: Educação (R$ 600 milhões), Saúde (R$ 1 bilhão) e Desenvolvimento Social (R$ 400 milhões). A lei é proveniente do PLN 1/2018, aprovado em sessão do Congresso Nacional em fevereiro.

O apelo que faço neste instante é para que tanto o Ministério da Saúde quanto o Ministério do Desenvolvimento Social façam o pagamento imediatamente, já que o recurso está disponível nesses ministérios desde o último dia 13 de março, quando o PLN foi sancionado. Quer dizer, os recursos já estão disponíveis, mas esbarram na burocracia, letargia, lentidão, marasmo, em alguns casos, omissão do governo federal e dos seus respectivos Ministérios para o repasse dessa ajuda tão necessária aos municípios – completou o senador.

Com informações da Agência Senado