Paraíba perde 134 médicos com saída de Cuba do programa Mais Médicos

A Paraíba deve perder 134 médicos cubanos que participam do programa social Mais Médicos no Brasil. O Ministério da Saúde de Cuba divulgou a decisão de não fazer mais parte do projeto porque que as mudanças anunciadas pelo novo governo brasileiro descumprem as garantias acordadas desde o início do projeto, há cinco anos.

De acordo com assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Saúde, os médicos cubanos atuam em 70 municípios do estado, em Unidades Básicas de Saúde da Família, que ficarão, cada uma, com um profissional a menos.

Profissionais cubanos que chegaram à Paraíba em 2015, no início do programa Mais Médicos — Foto: Ricardo Puppe/Secom-PB/Arquivo

Em nota, o Governo de Cuba afirmou que considera que a ideologia do presidente eleito do Brasil em 2018, Jair Bolsonaro, ameaça a integridades dos profissionais cubanos. E também não admite que o gestor questione a preparação dos médicos para condicionar a permanência deles no programa.

Já o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou, através de uma rede social, que o governo cubano não aceitou as condições estabelecidas para manter o programa Mais Médicos. “Condicionamos a continuidade do programa Mais Médicos à aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”, justificou.

No documento, o governo cubano considera, ainda, inaceitável que o profissionalismo cubano seja questionado tendo prestado serviços em 67 países. “Portanto, perante esta triste realidade, o Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do programa Mais Médicos”, diz a nota.

O Ministério da Saúde enxerga o programa Mais Médicos como uma conquista social e “agradece pelo respeito, sensibilidade e profissionalismo” com os quais os médicos cubanos foram tratados no Brasil até o momento.

Estupidez ideológica tira 8 mil médicos do país

A sensação de que Bolsonaro já está governando, e o fazendo de forma autoritária, antes mesmo de ter sido diplomado e com suas contas de campanha sob suspeita no TSE é cada vez mais nítida. E isso só atrapalha o dia a dia dos brasileiros. Mais um sinal disso é a saída de 8.000 cubanos do programa Mais Médicos, anunciada hoje.

Sempre centralizador, incapaz de dialogar ou de delegar, Bolsonaro, sem sequer ter nomeado seu ministro da Saúde, sem dizer o que vai fazer com a Saúde na campanha, nem depois dela, impôs novas condições para os cubanos continuarem, em plena vigência do contrato: queria que revalidassem seus diplomas, como se não estivessem à altura de atender a brasileiros e quis interferir nas relações entre os médicos e o governo cubano.

Nada mais que pretextos para tirar os “vermelhos” do país.

Cuba não aceitou e vai abandonar o programa criado pelo governo Dilma Rousseff, o que vai afetar principalmente cidades do Nordeste. O programa, é bom que se diga, não privilegia cubanos; ao contrário, preenche as 18 mil vagas preferencialmente com brasileiros; cubanos e profissionais de outros países ficam com as vagas restantes.

Os cubanos trabalhavam em locais inóspitos e de difícil acesso, onde os brasileiros não queriam ir.

A medicina cubana é tida como uma das mais avançadas do mundo, atua com sucesso inclusive nas pesquisas da cura do câncer. Colocar em dúvida a qualificação de médicos daquele país é um claro e inaceitável viés ideológico.

E uma prova de como a estreiteza e estupidez ideológica acarretam prejuízos à população, principalmente a mais desprotegida.

Antes de começar a governar o novo presidente já desfalcou os mais pobres em 8 mil médicos.

Alek Solnik