New York Times destaca o elo entre Bolsonaro e as milícias do Rio

A imagem do Brasil no mundo, e em especial nos Estados Unidos, vem sendo afetada pela negativamente pelo fato de Jair Bolsonaro ser presidente da República. Às vésperas da viagem do encontro entre Jair Bolsonaro e Donald Trump, o jornal New York Times, o mais influente dos Estados Unidos, destaca a ligação entre a família Bolsonaro e as milícias do Rio de Janeiro, em sua reportagem sobre a prisão dos supostos assassinos de Marielle Franco.

No texto, assinado pelos jornalistas Ernesto Londoõn e Lis Moriconi, o jornal cita o fato de o assassino ser vizinho de Bolsonaro diz ainda que a família está sendo questionada por sua ligação com os milicianos. “O Sr. Lessa foi detido em sua residência em um condomínio de luxo à beira-mar no bairro da Barra da Tijuca. O complexo fechado abrigava o presidente Jair Bolsonaro até que ele se mudou para a capital no início deste ano”, aponta a reportagem, destacando que os investigadores do caso não apontam conexão entre este fato e o assassinato.

A reportagem também aponta que “a família de Bolsonaro está sob escrutínio por seus laços profissionais e pessoais com suspeitos de atuar como milicianos.”

Por fim, o New York Times também entrevista também Mônica Benício, viúva de Marielle, que cobra a identificação dos mandantes. “De todas as perguntas, quem ordenou o assassinato é o mais importante”, disse Mônica Benício, parceira de longa data de Franco, em uma entrevista na segunda-feira. “Tem que ser respondido porque isso foi uma afronta à nossa democracia.”

PSL, de Bolsonaro, vai se revelando um partido de picaretas

O PSL, legenda do presidente Jair Bolsonaro, vai se revelando um partido bem picareta. Reportagens da Folha mostraram que a sigla lançou candidatas de fachada para manipular dinheiro do fundo público de financiamento de campanhas reservado para mulheres.

O presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, sem ter como explicar as peculiaridades das operações, preferiu atacar a legislação, que estabelece uma cota mínima de 30% das candidaturas (e das verbas) para mulheres. Para Bivar, política é uma questão de vocação.

Cotas para Parlamentos funcionam? A literatura, como em tantos outros temas polêmicos, traz estudos que contentam a todas as freguesias. A comparação internacional é difícil, porque existem diferentes modelos de cotas. Há desde países, como Ruanda, que reservam cadeiras apenas para mulheres em eleições paralelas nas quais apenas mulheres podem votar, até nações como a Suécia, nas quais alguns partidos decidiram voluntariamente equilibrar melhor o gênero das candidaturas.

Para complicar mais as coisas, os efeitos de cada uma dessas alternativas variam conforme o sistema eleitoral. Uma cota partidária de candidatas significa uma coisa num modelo de listas abertas e outra, bem mais forte, num país que adota a lista fechada.

Se é lícito tirar uma lição geral dessa salada, acho que dá para afirmar que a adoção de algum tipo de cota tende a ampliar a participação das mulheres na política. Mas fazê-lo não é condição necessária para atingir um patamar elevado. Nos países escandinavos, mulheres já haviam superado a marca de 30% das cadeiras em 1990, antes da moda das cotas.

O Brasil está tão atrás na representação feminina (pouco mais de 10%, o que é menos da metade da média mundial) que eu penso que a utilização de uma cota “soft”, sem reserva de assentos, não nos fará mal. Ajudaria bastante se legendas como o PSL não pervertessem o sistema.

Folha

Procurador quis encerrar investigação sobre Flávio Bolsonaro sem diligências

O procurador regional eleitoral do Rio de Janeiro, Sidney Madruga, quis encerrar uma investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) sem realizar nenhuma diligência.

O procedimento tinha como objetivo apurar suposta falsidade ideológica eleitoral praticada por Flávio ao declarar seus bens à Justiça Eleitoral. O arquivamento pedido por Madruga foi vetado pela 2ª Câmara Criminal de Revisão do Ministério Público Federal, que determinou uma avaliação mais rigorosa do caso.

Na ocasião, a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro afirmou que Madruga entendeu que não havia crime eleitoral “com base na jurisprudência consolidada há anos no TSE [Tribunal Superior Eleitoral]”. (…)

Por Italo Nogueira, na Folha.

Laranjal do PSL enfraquece discurso anticorrupção de Bolsonaro

Antes de tentar convencer idosos abaixo da linha da pobreza a aceitarem receber menos de um salário mínimo por mês de benefício assistencial, como é hoje, sob a justificativa de que o país vai quebrar, seria melhor o governo do presidente Jair Bolsonaro pedir ao seu partido que explique os indícios de cultivo de laranjas entre suas fileiras. No último caso descoberto, a direção nacional do PSL destinou R$ 400 mil de recursos públicos, na eleição do ano passado, a uma candidata que teve apenas 274 votos e que, ao que tudo indica, servia de fachada.

Do total do montante, que chegou a ela poucos dias antes do pleito, R$ 380 mil foram gastos em uma única gráfica – que se enrolou para demonstrar onde e como foi feito o serviço. Maria de Lourdes Paixão, que trabalha como secretária do partido em Pernambuco, foi intimada pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre o caso, nesta quinta (14), na superintendência da instituição.

Vale lembrar que o presidente da República, eleito com a bandeira de que a corrupção é um ralo de dinheiro do contribuinte, impedindo que recursos cheguem através de serviços e assistência a quem realmente precisa, prometeu estancar esse vazamento, criticando os escândalos envolvendo o PT, o PSDB e o MDB. O problema é que não há uma goteira, mas um ralo, em sua própria casa.

Claro que os R$ 400 mil não fazem cócegas nos déficits bilionários da Previdência Social. Mas indícios de que recursos públicos foram desviados através de um esquema montado para ludibriar o contribuinte incomodam. Afinal, como um partido com membros que tratam o dinheiro público dessa maneira pode pedir sacrifício à população?

Investigação da Folha de S.Paulo, divulgada no domingo (10), apontou que o responsável pela candidata laranja foi o grupo do presidente do partido, Luciano Bivar (PSL-PE), segundo-vice-presidente da Câmara dos Deputados. Ela foi a terceira maior beneficiada por verbas nacionais de campanha, mais do que o próprio Bolsonaro ou deputados com expressiva votação. Apenas o próprio Bivar (com R$ 1,8 milhão) e o Delegado Waldir (R$ 420 mil) – escolhido como líder do governo na Câmara e que enfrenta críticas da própria bancada – receberam mais que ela. Durante as eleições, o comando do partido esteve com o advogado de Bolsonaro, Gustavo Bebianno, hoje ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência.

Ressalte-se que não estamos falando de uma prosaica laranja, mas de um laranjal. Das acusações contra as “movimentações atípicas” de Fabrício Queiroz e sua relação com seu ex-chefe, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), até o caso envolvendo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), deputado federal mais votado de Minas Gerais, que teria usado laranjas para desviar recursos na campanha, há indícios de que membros importantes do partido desviaram recursos.

Todos os casos demandam uma célere e profunda investigação e respostas. Caso contrário, será necessário muito engajamento das redes sociais bolsonaristas para que o governo seja levado a sério pelo cidadão quando disser que está combatendo a corrupção e que a Reforma da Previdência é fundamental para “poupar dinheiro público”. 

Dada que a prática do cultivo de laranjais parece ser extensiva, seria importante que o ministro da Justiça e da Segurança Pública Sérgio Moro se pronunciasse. Não apenas demonstraria sua independência, mas também traria tranquilidade a milhões de seus apoiadores – que já ouvem críticas nas redes sociais sobre a seletividade de seu engajamento. Com um silêncio que é mais estridente quando a denúncia é contra o governo para quem trabalha.

Leonardo Sakamoto

Rachel Sheherazade detona filho de Bolsonaro e inicia guerra nas redes sociais

Na última quinta-feira, 07 de fevereiro, a jornalista Rachel Sheherazade voltou a causar polêmica após criticar o filho do Presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro.

Em suas redes sociais, a âncora do Jornal do SBT causou polêmica ao ironizar as notícias à respeito do Senador Flávio Bolsonaro.

Rachel compartilhou uma notícia divulgada pelo Estadão em que dizia que Flávio faz parte da Mesa Diretora do Senado e terá quase R$ 500 mil por mês para contratar comissionados.

Sem papas na língua, a jornalista disparou: “Perguntar não ofende: Os comissionados receberão seus salários integrais ou terão que depositar uma parte na conta do Queiroz?”, escreveu ela.

Na web, o comentário da jornalista logo repercutiu e gerou bastante briga entre os internautas, que se dividiram em apoiar e criticar a fala de Rachel

Folha faz powerpoint das ligações das milícias com os Bolsonaros

A Folha de S. Paulo divulgou nesta quarta-feira (30) um powerpoint para facilitar o entendimento de suposta organização criminosa comandada pelo clã Bolsonaro.

A ferramenta do slide com o organograma da suposta “organização criminosa” foi utilizada pela primeira vez contra o ex-presidente Lula, em setembro de 2016, pelo procurador Deltan Dallagnol.

Neste powerpoint da Folha, no entanto, o alvo é o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) suspeito de envolvimento com as milícias no Rio e de movimentação atípica, segundo o Coaf.

” A atual crise em torno do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho de Jair Bolsonaro, jogou luz na antiga e ainda pouco esclarecida relação da família do presidente da República com as milícias do Rio de Janeiro”, explica o texto da Folha..

No powerpoint da Folha, além dos casos Queiroz e milícias, também relaciona os Bolsonaro com o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), ocorrido em março do ano passado.

 

Bolsonaristas talvez tenham eleito chefe da milícia, diz diretor de Tropa de Elite

— Os eleitores de Bolsonaro que acharam que estavam votando no capitão Nascimento talvez tenham votado no Rocha, o chefe da milícia.

A opinião é do cineasta José Padilha, diretor de Tropa de Elite e Tropa de Elite 2 – filmes que descrevem a atuação de milicianos nas engrenagens da política, em especial no Rio de Janeiro, e que tiveram grande impacto cultural no país.

O capitão Nascimento, interpretado por Wagner Moura nos longas, era o agente do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) que ultrapassava qualquer tipo de fronteira ética ou legal para combater o crime. O major Rocha, interpretado por Sandro Rocha, era o policial corrupto que passava a controlar o tráfico na comunidade.

Assim que vieram à tona as acusações de que o senador eleito Flávio Bolsonaro havia comissionado em seu gabinete a mãe e a mulher de um ex-capitão da PM suspeito de chefiar milícias, pipocaram comparações com os filmes de Padilha e até sugestões para filmagens de um Tropa de Elite 3.

Em entrevista à reportagem por e-mail, o diretor diz achar “muito estranho” o cargo em comissão indicado pelo filho do presidente a parentes do policial Adriano Nóbrega.

— [Ele é] considerado por muitos policiais que conheço no Bope como um policial matador e supostamente envolvido na morte de bicheiros, presidentes de escolas de samba e milicianos inimigos — diz Padilha.

Em sua defesa, o parlamentar afirma que as nomeações foram atribuídas por seu ex-assessor, o ex-policial militar Fabrício Queiroz, cujas movimentações financeiras foram consideradas como atípicas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
Padilha diz considerar Jair Bolsonaro um político “unfit for office”, isto é, inapto para o cargo. Isso não significa, contudo, que ele faça o coro dos petistas, que antagonizaram com o presidente nas últimas eleições. Haddad, diz o diretor, também era inapto.

O cineasta ganhou o Urso de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim, graças a Tropa de Elite. Em fevereiro, é o ator principal de seu longa, Wagner Moura, que retorna à prestigiosa mostra alemã com Marighella, cinebiografia do guerrilheiro que lutou contra a ditadura militar.

Padilha diz que fica feliz por Moura.

— É o meu festival preferido. Está de parabéns, e isso indica que deve ser um filme incrível.

Procurada, a assessoria da Presidência da República afirmou que não comentará a entrevista do cineasta.

Se for provado que o Flávio errou, ele pagará o preço, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que seu filho, o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), deverá “pagar o preço” caso se comprove irregularidades no caso envolvendo um ex-assessor dele na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

“Se por acaso ele [Flávio] errou e isso for provado, eu me arrependo como pai, mas ele terá que pagar o preço por essas ações, que não podemos aceitar”, disse Bolsonaro em entrevista à Bloomberg. A entrevista, gravada em Davos, onde Bolsonaro participa do Fórum Econômico Mundial, ainda será exibida pelo canal de televisão.

O ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz, que atuou no gabinete de Flávio, é suspeito de ter movimentações atípicas em uma de suas contas. O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) avalia se houve participação de parlamentares e servidores da Alerj em movimentações bancárias não compatíveis com seus salários.

Essa é a primeira manifestação direta de Bolsonaro sobre o caso desde que surgiram novos fatos envolvendo seu filho e seu gabinete na Alerj. Em seu texto, a Bloomberg diz que o caso poderia colocar em risco a agenda anticorrupção de seu governo e afetar sua base aliada.

O caso

Flávio Bolsonaro recebeu 48 depósitos de R$ 2.000 cada um entre junho e julho de 2017, totalizando R$ 96.000, segundo relatório elaborado pelo Coaf divulgado pela TV Globo na semana passada. Segundo o documento, os depósitos na conta de Flávio foram feitos todos em uma mesma agência bancária na própria Alerj, ao longo de cinco dias. O Coaf detectou os depósitos por terem sido feitos de forma fracionada, o que levantou a suspeita de que se tentava esconder a origem do dinheiro.

Em entrevista à TV Record, Flávio disse que os depósitos fracionados identificados em sua conta são resultado da venda de um imóvel. O comprador foi o ex-jogador de vôlei de praia Fábio Guerra que, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo ter dado R$ 100 mil em dinheiro vivo como parte do pagamento. As datas dos depósitos, no entanto, são posteriores à data que consta na escritura de venda da cobertura do imóvel localizado no bairro Laranjeiras, no centro do Rio.

O filho do presidente também empregou em seu gabinete até novembro do ano passado a mãe e a mulher do ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, suspeito de comandar milícias no Rio de Janeiro e considerado foragido em uma operação feita pelo MP e pela Polícia Civil do Rio nessa terça-feira. Elas foram indicadas aos cargos por Queiroz, como o próprio ex-assessor parlamentar admitiu. 

A mãe de Adriano Magalhães, Raimunda Veras Magalhães, é um dos ex-servidores de Flávio citados em relatório do Coaf. Ela repassou R$ 4.600 para a conta de Queiroz. Ela também é sócia de um restaurante no Rio Comprido, zona norte do Rio, localizado em frente a uma agência do Itaú na qual foram realizados 18 depósitos em espécie para Queiroz de janeiro de 2016 a janeiro de 2017. 

Em nota, a assessoria do senador eleito disse que Raimunda foi contratada por indicação de Queiroz, que supervisionava o seu trabalho, e que não pode ser responsabilizado por atos que desconhece. 

A defesa de Queiroz confirmou a indicação e disse repudiar “veementemente qualquer tentativa de vincular seu nome a milícia” e que “a divulgação de dados sigilosos obtidos de forma ilegal constitui verdadeira violação aos direitos básicos do cidadão”.