Ex-procurador da República declara apoio a Haddad

“Já fui chamado de petista e antipetista. Já fui psdebista e anti tbem. Houve muita especulação sobre meu interesse eleitoreiro na minha atuação profissional. Nada se comprovou. Agora, não posso deixar passar barato discurso de intolerância e etc. Por exclusão, voto em Haddad”, disse o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que esteve à frente da PGR durante a Lava Jato.

Neste sábado, Haddad também recebeu o apoio de Joaquim Barbosa, ex-presidente do STF.

Confira abaixo seu twitter:

VOX POPULI: Haddad empata e confirma tendência de virada

Pesquisa Vox 247 realizada neste sábado 27 aponta empate entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), apontando para uma virada real neste domingo 28, data da votação do segundo turno.

Nos votos totais, as intenções de voto são de exatamente a 43% a 43%. Ninguém/Brancos/Nulos são 9% e “não sabe” ou “não respondeu”, 5%.

Nos votos válidos, os percentuais são de exatamente 50% a 50%.

Os votos espontâneos para presidente, quando os eleitores citam o nome do candidato espontaneamente, são de 51% a 49% para Bolsonaro.

Esta pesquisa foi registrada junto à Justiça Eleitoral no dia 21 de outubro, sob o número BR-09614/2018. Foram entrevistados 2.000 eleitores de 16 anos ou mais, em 121 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, estimada em um intervalo de confiança de 95%.

A pesquisa Vox 247 foi a segunda encomendada pela Editora 247 ao instituto Vox Populi financiada totalmente por eleitores, membros da comunidade 247, assinantes solidários ou não do portal e da TV 247. Para isso, foi aberta uma campanha de financiamento coletivo no site Catarse, ainda aberta.

A pesquisa Vox 247 do dia 6 de outubro, véspera da votação do primeiro turno, foi a que mais se aproximou do resultado das urnas no primeiro turno das eleições de 2018, em comparação às dos outros dois institutos de pesquisa mais tradicionais do país, o Ibope e o Datafolha.

A onda do “vira vira” alavanca Haddad

A campanha eleitoral foi marcada por duas grandes ondas, que promoveram candidaturas à liderança nas pesquisas. Estamos agora numa terceira onda, que pode ser a decisiva.

A primeira foi a do lançamento da candidatura do Haddad, com suas viagens pelo Brasil para apresentar-se como o candidato do Lula e promover seu programa, centrado na educação e no trabalho. Foi uma trajetória vitoriosa, em que se buscava a transferência dos votos do Lula, amplo favorito para ganhar as eleições no primeiro turno, mas impossibilitado de ser candidato, pela perseguição politica promovida pelo judiciário contra ele.

Essa onda levou Haddad a empatar e a superar mesmo a Bolsonazi no segundo turno das pesquisas, numa semana surpreendente, porque contou com varias trabalhadas dentro da candidatura da extrema direita e desembocou nas gigantescas manifestações das mulheres pelo #EleNão.

Mas quando se esperava a consolidação da dianteira do Haddad, surgiram, de forma suspeita, pesquisas, a primeira do Ibope, com dados recolhidos, pelo menos oficialmente nos dias 19 e 20 de novembro – portanto incluído o dia 20, dia das manifestações – revelando uma grande virada a favor do candidato da extrema direita. Uma pesquisa que parecia se chocar com o clima politico instalado por aquela semana, mas que foi confirmada por uma outra, do Datafolha, na mesma direção.

Posteriormente se revelaram dados que apontavam que a contraofensiva da extrema direita tinha começado ja na quinta feira, dia 18, com a deflagração de uma gigantesca onda de fakenews, disparados pelos mecanismos de milhões de robôs, antes de tudo tratando de reverter a imagem das manifestações das mulheres, desqualificadas com imagens falsas, fabricadas, que as condenavam do ponto de vista moral e outras diretamente contra o Haddad – dentre as quais a da mamadeira foi simbólica desse tipo de ação mentirosa. No domingo as igrejas evangélicas se encarregaram de propagar essa campanha para suas bases, consolidando a virada produzida por essa segunda onda.

Os eixos da campanha da extrema direita foram o perigo do comunismo e a corrupção do PT. Mas a sua alavanca fundamental era a produção da rejeição do Haddad, cujo favoritismo era dado não apenas pela sua tendencia ascendente, mas pela rejeição muito maior do candidato da extrema direita. De um candidato como o Haddad se pode discordar plenamente, mas produzir sua rejeição só pode se dar por mentiras forjadas e multiplicadas aos milhões, objetivo logrado, absurdamente, por essa campanha: até hoje a rejeição de Haddad é maior do que a do Bolsonazi ou está em empate técnico.

As consequências dessa onda foram varias: reverteram o clima geral, promovendo o favoritismo do candidato da extrema direita, deslocaram a agenda das questões programáticas para as acusações ao Haddad – que tinha obrigatoriamente que se defender, mas ao faze-lo, confirmava essa nova centralidade, o deslocamento, junto com o programa do PT, da própria imagem do Lula e da projeção da do Bolsonazi como personagem central da campanha. Ao recuperar a iniciativa, a extrema direita colocou a esquerda na defensiva, com perda sua capacidade de iniciativa e a obrigada reação às acusações, pelos efeitos devastadores que estavam tendo.

Estava configurada o tipo de campanha eleitoral da guerra híbrida, combinando fakenews, robôs, igrejas evangélicas e contando, uma vez mais, com a passividade cúmplice do judiciário, apesar das escandalosas evidencias de que as fakenews e os robôs são financiados com milhões de empresários privados, que se jogam na campanha do Bolsonazi, da mesma forma que se haviam jogado na conjuntura de 2015/2016, que havia levado ao golpe contra a Dilma.

Se reinstaurou um clima histérico similar ao daqueles anos, com as denuncias funcionando subterraneamente, enquanto as estapafúrdias declarações do candidato, do seu vice, do seu guru econômico, instalavam um clima bélico, de que passaram a fazer parte direta comandos violentos da extrema direita, com ataques a pessoas que defendiam posições contrarias a eles, com mortes, feridas, invasões de locais públicos e pichações de caráter diretamente nazista.

Foi nesse clima que se deram os últimos dias do primeiro turno e o resultado desse turno, transformado diretamente, segundo o diretor do Datafolha por essa acao subterrânea, mentirosa e ilegal da candidatura da extrema direita.

Tomada de surpresa, como todos fomos, a candidatura do Haddad demorou um tanto a se recompor, no inicio do segundo turno, com o tempo passando a contar contra. Até que o novo circuito de viagens pelo Brasil, na segunda metade da campanha do segundo turno, foi esboçando uma nova onda, com o cenário espetacular da massividade das manifestações, centradas no nordeste – Bahia, Piauí, Ceará, Maranhao, Sergipe, Pernambuco, – Paraíba, – mas também no sul, como em Sao Paulo, no Rio, em Belo Horizonte, em Curitiba.

Conforme a iniciativa e o entusiasmo foi se apossando do campo democrático, foi se gerando a onda do vira vira, apoiada na retomada de crescimento do Haddad e de queda do Bolsonazi. É a terceira onda da campanha, que retoma a iniciativa, recoloca os temas programáticos do Haddad no centro da campanha, ao mesmo tempo que trabalha fortemente para elevar a rejeição do Bolsonazi.

As novas tendencias são favoráveis ao Haddad, mas que tem que remontar uma direrença que chegou a se aproximar dos 20 pontos em algumas pesquisas, mas que foi baixando para, nas espontâneas, ter uma diferença de menos da metade daquela cifra e, nas pesquisas do Vox Populi, se aproximar de um empate técnico. É uma corrida contra o tempo, para que essa nova onda, esse reversão de votos do Boloznazi, mas também de conquista dos votos indecisos, especialmente de mulheres, de eleitores do Ciro, assim como a luta contra a desinformação de que o Haddad é o candidato do Lula, que ainda predomina em setores de nível econômico mais baixo da população.

Essa onde pode virar o resultado das eleições ou pelo menos colocar uma disputa final muito acirrada. Desde logo ela redespertou o profundo sentimento democrático, de rejeição e de indignação contra as posições intolerantes, repressivas, brutais do candidato da extrema direita, que mal escondem o objetivo fundamental da sua candidatura – como a havia passado com o golpe contra a Dilma: derrotar o PT e garantir a continuidade do modelo neoliberal.

O destino do país depende assim da profundidade e da extensão da terceira onda da campanha – a onda do vira vira. Ela pode resgatar o país do abismo que o obscurantismo e a violência desatada pela extrema direita, restabelecer a democracia e fazer com que os brasileiros possam ser felizes de novo.

Crítico do PT, Marcelo Tas declara voto em Haddad

O jornalista Marcelo Tas anunciou neste sábado (27) que votará em Fernando Haddad (PT) para a presidência. Crítico do PT e das gestões do partido à frente do Governo Federal, Tas disse que votou em outro candidato no primeiro turno, mas que reprova as posturas de Bolsonaro em vários aspectos, levando-o a apoiar o petista.

“Declaro o meu apreço pela democracia, pela educação, pela questão ambiental e liberdades individuais. Estes são os valores principais que me levam a reprovar as propostas do candidato Bolsonaro (…) Pelas razões acima, meu voto é Haddad” disse em texto publicado no Facebook.

Confira o texto completo de Tas:

Na eleição presidencial desse domingo, ao contrário de alguns que vêem nela a batalha do bem contra o mal, vejo apenas o retrato doloroso do Brasil.

Não votei em nenhum dos lados no primeiro turno. Não me identifico com nenhum dos candidatos. Vejo em ambos alguns pontos positivos e muitos negativos. Mas não vou fugir de me posicionar. Peço sua paciência e tranquilidade para expor a minha escolha.

O candidato Bolsonaro tem a virtude de escancarar os deslizes múltiplos do PT, incrivelmente negados ou reconhecidos com má vontade e tímidos resmungos pelo candidato Haddad. Este por seu lado tem uma formação sólida, que o credencia ao cargo, só que não conseguiu autonomia para se libertar do papel de subalterno de Gleise, uma princesa Léa da Guerra nas Estrelas furreca que vivemos, onde Darth Wader não é o Coiso, mas o hóspede da Justiça em Curitiba. Sim, amigos, é triste dizer. Conheço Lula desde 1983. Para mim o vilão da história que nos trouxe até esse desfecho triste é ele mesmo, o mais ególatra dos políticos que já conheci. E olha que para bater FHC nesse quesito é duro. Nesse ringue de egos dilatados, que não pensam duas vezes em trocar o bem do país pelo conforto deles, tem ainda o Sarney, vivinho da Silva, não por acaso, o grande aliado que sustentou o poder do longo reinado de ambos: FHC e Lula. Que triste fim. Que competição de egos deformados é a política nacional. Que inveja tenho de um pais cujos ex-dirigentes são Jimmy Carter, Barack Obama ou Angela Merkel. Ou qualquer outro anônimo que se colocou à serviço da pátria e não da tentativa de se manter bem na foto e na crista do poder a qualquer custo, como fizeram o trio calafrio.

Chega delongas. Espero que esteja claro o meu desalento e desapreço pelas possibilidades no horizonte. Declaro o meu apreço pela democracia, pela educação, pela questão ambiental e liberdades individuais. Estes são os valores principais que me levam a reprovar as propostas do candidato Bolsonaro. Com respeito a quem vai votar nele, sugiro uma reflexão sobre esses temas. Sou neto de agricultores humildes do interior que sofrem a duras intempéries das últimas décadas. Se não cuidarmos do ambiente, não só o futuro do agro business está ameaçado, mas a nossa própria sobrevivência. Isto não é a minha opinião, são estudos científicos que levaram a mudança de política em países como Alemanha, França e até a China, hoje o país líder em preservação e bom uso de recursos e energia renovável.

Pelas razões acima, meu voto é Haddad. 

Independente de quem vencer domingo, a tarefa de reconstrução do país, arrasado pelos descaminhos recentes (e não estou falando apenas de Temer, vice de Dilma), é imensa. A tarefa será de todos. A resposta deve ser com Educação e Inovação, em todos os setores das atividades.

No dia seguinte à eleição, independente do resultado, estarei pronto para colaborar para o aperfeiçoamento da democracia e a construção de uma nação mais digna para brasileiros e brasileiras de todas as posições políticas, raças, credos e tradições.

Agradeço quem chegou até aqui e puder respeitar meu ponto de vista, sem precisar concordar com ele. Garanto que irei respeitar e aceitar democraticamente o voto de cada um, inclusive daqueles que discordam de mim.

Bolsonaro é abandonado por aliados e surta na frente das câmeras; assista

O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) foi abandonado pelos adiados João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB), em São Paulo, e surtou na frente das câmeras.

“Ao invés de brigarem pela minha eleição, por voto para mim, fica lá brigando pelo governo de São Paulo. O objetivo de vocês é Bolsonaro, depois França ou Doria”, disse o candidato do PSL em tom de desespero.

Bolsonaro acredita que o abandono dos aliados na reta final permitiu que o adversário Fernando Haddad (PT) virasse na capital paulista. O petista tem 51%, segundo o Ibope.

Os candidatos ao governo do estado, ambos aliados, discordam de Bolsonaro e se acham mais importantes que o ex-militar. Por isso não querem segurar a “âncora” a 3 dias da eleição.

Assista ao vídeo:

Diferença de Haddad para Bolsonaro cai pra 5 pontos e petista pode virar no domingo

A nova rodada da pesquisa CUT/Vox Populi realizada nos dias 22 e 23 (terça e quarta) apresenta números idênticos ao do levantamento realizado nos dias 16 e 17. A diferença entre Haddad e Bolsonaro é de apenas 5 pontos nos votos totais e 6 pontos nos válidos. 44% para Bolsonaro e 39% para Haddad nos votos totais e 53% a 47% nos válidos.

Na simulação estimulada, quando o entrevistador apresenta os nomes dos candidatos, Bolsonaro aparece com 44% das intenções de votos contra 39% de Haddad. A diferença entre os dois candidatos é de apenas 5%. Se for considerada a margem de erro da pesquisa, que é de 2,2%, a diferença entre as intenções de voto em Haddad e Bolsonaro pode chegar a 1 ponto percentual (2,2% a menos para Bolsonaro e 2,2% a mais para Haddad).

A pesquisa mostra também que 17% dos eleitores ainda estão indecisos. Desse total, 12% disseram que não vão votar em ninguém, vão votar em branco ou anular os votos. Outros 5% não sabem ou não quiseram responder. Os percentuais são exatamente iguais aos da pesquisa anterior.

Os percentuais de votos válidos, excluídos os brancos, nulos, ninguém ou não sabem ou não responderam, também são idênticos aos da pesquisa anterior: 53% para Bolsonaro e 47% para Haddad.

O percentual de rejeição a Fernando Haddad se manteve estável (41%). Já a rejeição a Bolsonaro aumentou 2% entre a pesquisa anterior e a rodada realizada nos dias 22 e 23 – de 38% para 40%.

Cenário espontâneo

A simulação espontânea, quando o entrevistador apenas pergunta em quem o eleitor vai votar, aponta Bolsonaro com 43% das intenções de votos contra 37% de Haddad, os mesmos percentuais do levantamento realizado nos dias 16 e 17.

Neste cenário, 13% disseram que não votarão em ninguém, votarão em branco ou anularão o voto e 7% não sabem ou não responderam. Na pesquisa anterior, os percentuais eram de 12% e 8%, respectivamente.

Estratificação

No cenário estimulado, o Nordeste, Região onde o candidato petista apresentou os maiores percentuais de intenção de voto durante toda a corrida presidencial, aumentou o número de eleitores que pretendem votar em Haddad: de 57% para 60%.

Os percentuais de intenção de voto em Haddad também cresceram entre os homens (de 35% para 37%), entre os maduros (de 37% para 41%); entre os eleitores que têm até o ensino fundamental (de 44% para 47%) e entre os que ganham até 2 salários mínimos (45% para 50%).

Os percentuais de intenção de voto em Bolsonaro registraram queda de 27% para 25% na Região Nordeste, entre os homens – de 53% para 49% -; entre os maduros – de 48% para 43%.

Religião

Considerando apenas os válidos, as intenções de votos para presidente apresentou pouca variação. Haddad oscilou positivamente um ponto percentual entre os católicos (de 42% para 43%), 2% entre os espíritas (de 38% para 40%) e 4% nos que se declararam sem religião (de 42% para 46%). Mas oscilou negativamente 3% entre os evangélicos (30% para 27%) e 6% nos que declararam seguir outras religiões (de 48% para 42%).

Rejeição

O percentual de rejeição a Fernando Haddad se manteve estável (41%). Já a rejeição a Bolsonaro aumentou 2 pontos percentuais entre a pesquisa anterior e a rodada realizada nos dias 22 e 23 – de 38% para 40%.

O maior percentual de rejeição contra Bolsonaro foi registrado no Nordeste (59%). Já os eleitores do Sudeste e do Sul rejeitam mais Haddad, 48% em cada Região.

52% dos que se declararam negros e 42% dos pardos rejeitam Bolsonaro. Já entre os que se declararam brancos, o percentual de rejeição de Haddad sobe para 49%.

Metologia

A pesquisa CUT-Vox Populi foi realizada entre os dias 22 e 23 de outubro. Foram feitas 2.000 entrevistas pessoais e domiciliares com eleitores de 16 anos ou mais, residentes em áreas urbanas e rurais, de todos os estados e do Distrito Federal, em capitais, regiões metropolitanas e no interior de todos os estratos socioeconômicos. Os entrevistadores foram em 121 municípios.

A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais, estimada em um intervalo de confiança de 95%.

Rejeição a João Doria ‘contamina’ Bolsonaro na cidade de SP e Haddad lidera com 51%

O “Bolsodoria”, voto casado em Jair Bolsonaro (PSL), para presidente, e João Doria (PSDB), para governador, tem pior desempenho entre os paulistanos do que entre os moradores do interior de São Paulo. Na capital paulista, Fernando Haddad, do PT, chega a estar numericamente à frente de Bolsonaro, enquanto Márcio França, candidato do PSB e adversário de Doria na disputa estadual, lidera com 18 pontos de vantagem em relação ao tucano. Já no interior do Estado, o Bolsodoria é líder.

Doria renunciou ao cargo de prefeito para disputar o governo do estado pouco mais de um ano depois de assumir, em 2017, mesmo tendo se comprometido a ficar na prefeitura até o fim do mandato. As pesquisas qualitativas apontam a saída como um dos principais fatores da rejeição do paulistano a ele (48% dos eleitores da capital dizem que não votam nele contra 25% dos do interior, segundo o Ibope).

As dificuldades na capital podem ter contribuído para contaminar o desempenho de Bolsonaro na cidade, já que no 2º turno Doria passou a divulgar com maior intensidade nas redes sociais, em debates e no horário eleitoral no rádio e na TV a dobradinha extraoficial entre os dois.

Na cidade de São Paulo, Haddad avançou em relação ao 1º turno e tem 51% da intenção de voto contra 49% de Bolsonaro, de acordo com o Ibope. No primeiro turno, Haddad perdeu para Bolsonaro. Teve 19,7% dos votos dos paulistanos, contra 44,58% de Bolsonaro. Na eleição de 2014, a capital paulista deu larga a vitória para os tucanos. Aécio Neves venceu com 63,85% dos votos contra 36,15% de Dilma Rousseff (PT). Haddad foi prefeito da capital entre 2012 e 2016, mas perdeu a reeleição no 1º turno para Doria e deixou o governo com baixa aprovação.

A resistência dos paulistanos a Doria faz com que seu desempenho seja mais frágil na cidade em que governo até abril de 2018: tem 41% das intenções de voto contra 59% de França.

Já no interior paulista, onde está a maior parte do eleitorado do estado, Bolsonaro e Doria lideram com ampla vantagem. O candidato do PSL tem 71% dos votos válidos contra 29% de Haddad. O interior paulista era reduto inconteste dos tucanos – em 2014, Geraldo Alckmin (PSDB) ganhou em 644 das 645 cidades do estado.

Bolsonaro está na frente na disputa presidencial no conjunto estado de São Paulo, com 64% dos votos válidos (excluídos brancos e nulos) contra 36% de Haddad.

Desempenho parecido tem Doria, que lidera no interior com 60% dos votos contra 40% de França. Assim como Bolsonaro, Doria também está na frente na disputa no estado, com 53% contra 47% dos votos válidos.

A pesquisa mostra o tamanho do Bolsodoria, incentivado por Doria quando ele ainda estava no 1º turno e seu candidato, em tese, era Alckmin: 86% dos seus eleitores dizem que votam em Bolsonaro contra 14% em Haddad – não à toa, o candidato insiste em se colocar como parceiro do presidenciável do PSL no Estado.

Apesar disso, Bolsonaro não declarou apoio a Doria, desejando a ele apenas boa sorte, depois de uma tentativa infrutífera do tucano de conseguir uma declaração favorável a sua candidatura.

Já dos eleitores de França, 59% dizem que votam em Haddad e 41% em Bolsonaro.

G1

Disparada na rejeição de Bolsonaro abre espaço para virada de Hadadd

Os brasileiros começam a reagir e rejeitar os discursos ditatoriais do candidato Jair Bolsonaro, que ameaçou prender ou expulsar do País os seus opositores, e à ameaça de fechar o Supremo Tribunal Federal (STF), feita pelo seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL).

Segundo a pesquisa Ibope divulgada nesta noite, a rejeição ao candidato da extrema-direita subiu cinco pontos em uma semana, saindo de 35% para 40%. Nos votos válidos, Bolsonaro caiu dois pontos, indo para 57%, e nas menções espontâneas a queda é de cinco pontos percentuais, de 47% para 42%.

Já o candidato do PT a presidente, Fernando Haddad aparece em alta: subiu dois pontos nos votos válidos, de 41% para 43%, e viu sua rejeição cair seis pontos, de 47% para 41%. Crescimento do petista ocorre na intensificação do contato com os eleitores e na adesão de líderes de diversos segmentos da sociedade.

Nos votos totais, Jair Bolsonaro tem 50% e Fernando Haddad (PT) tem 37%. Votos brancos e nulos somam 10% e indecisos, 3%.

O desafio faltando apenas cinco dias para a eleição é tirar 6,5 pontos de Bolsonaro até domingo. Há horizonte para a virada e para vitória da democracia na reta final.

Ciro, Haddad e Alckmin vencem Bolsonaro no 2º turno, diz Ibope

Pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (24) aponta que Jair Bolsonaro (PSL) segue na liderança da corrida presidencial, apesar de estacionado, com 28% das intenções de voto, seguido por Fernando Haddad (PT), que vai a 22%. Em seguida estão Ciro Gomes (PDT), com 11%, Geraldo Alckmin (PSDB), com 8%, e Marina Silva (Rede), com 5%.

Nos cenários de segundo turno simulados pelo instituto, o candidato do PSL perde para Ciro (46% a 35%), Haddad (43% a 37%) e Alckmin (41% a 36%). Ele empataria com Marina (39% a 39%).

Pesquisa Ibope - 24 de setembro - Simulação de segundo turno entre Haddad e Bolsonaro. — Foto: Arte/G1

  • Ciro 46% x 35% Bolsonaro (branco/nulo: 15%; não sabe: 4%)
Pesquisa Ibope - 24 de setembro - Simulação de segundo turno entre Ciro e Bolsonaro. — Foto: Arte/G1
  • Alckmin 41% x 36% Bolsonaro (branco/nulo: 20%; não sabe: 4%)
Pesquisa Ibope - 24 de setembro - Simulação de segundo turno entre Alckmin e Bolsonaro. — Foto: Arte/G1
Pesquisa Ibope - 24 de setembro - Simulação de segundo turno entre Bolsonaro e Marina. — Foto: Arte/G1

Bolsonaro vê interrompida a tendência de alta desde que sofreu um ataque com faca durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG), no último dia 6. Ao mesmo tempo, o Ibope piora as projeções de segundo turno para o candidato do PSL, que na pesquisa anterior superava os outros quatro principais candidatos.

Por outro lado, o levantamento consolida a tendência de alta do candidato petista, que chegou a estar tecnicamente empatado com outros três candidatos e já cresceu 14 pontos percentuais desde que foi confirmado como substituto do ex-presidente Lula na disputa, no último dia 11. Com isso, se consolida cada vez mais em segundo lugar.

Ciro, que já chegou a estar numericamente empatado com o candidato do PT e tenta se consolidar como uma “terceira via”, manteve os mesmos 11% do último levantamento e viu Haddad abrir vantagem na briga por uma vaga no segundo turno.

A pesquisa também não traz boas notícias para Alckmin e Marina. O tucano, que iniciou na última semana uma campanha eleitoral mais agressiva contra Bolsonaro, apenas oscilou um ponto para cima dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Já a candidata da Rede manteve a tendência de queda dos levantamentos anteriores e viu sua intenção de voto encolher para menos da metade do que tinha no final de agosto (12%). Ela já empata tecnicamente com João Amoêdo (Novo), que oscilou dois pontos para cima e chegou a 3%.

Em relação aos demais candidatos, Alvaro Dias (Podemos) e Henrique Meirelles (MDB) têm 2% cada, e Guilherme Boulos (PSOL), 1%. Cabo Daciolo (Patriota), João Goulart Filho (PPL), Vera Lúcia (PSTU) e Eymael (DC) não pontuaram no levantamento.

Os dois líderes nas pesquisas também são os candidatos com maior índice de rejeição junto ao eleitor.

De acordo com o Ibope, 46% dos entrevistados não votariam de jeito nenhum no capitão reformado -eram 42% no levantamento anterior. Haddad aparece em segundo, com 30% de rejeição. Em seguida aparecem Marina (25%), Alckmin (20%), Ciro (18%), Meirelles, Daciolo, Eymael e Boulos (11% cada), Vera (10%), Dias e Amoêdo (9% cada).
A pesquisa foi contratada pela TV Globo e pelo jornal O Estado de S. Paulo e ouviu 2.506 eleitores nos dias 22 e 23 de setembro em 178 cidades brasileiras. O nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-06630/2018.

OPINIÃO: Nem PT, nem Bolsonaro; o risco dos extremos

Em todo o Brasil, as placas de ALUGA-SE e VENDE-SE são a única ideologia que prospera e une um País fragmentado.

A economia está parada. O dinheiro não circula. Os empresários esperam o resultado das eleições para decidir se investem e geram empregos — ou se vendem suas empresas por não acreditar mais no Brasil. Cerca de 13 milhões de pessoas sofrem no limbo do desemprego, a maior das indignidades.

O Brasil não pode errar nesta eleição. E o erro, daqui a três semanas, tem dois nomes: Fernando Haddad e Jair Bolsonaro.

Na economia, Fernando Haddad representa o Partido que enterrou o Brasil na crise econômica atual — a primeira vez desde 1930 que a economia encolheu dois anos consecutivos. Só uma coisa foi mais destrutiva para o País do que a corrupção institucionalizada pelo PT: o Governo Dilma, que gastou dinheiro que não existia, criando uma conta de pelo menos R$ 500 bilhões de subsídios, desonerações tributárias e novos passivos que o País vai demorar mais de uma década para pagar.

Na política, Haddad representa um Partido incapaz de reconhecer qualquer erro, de fazer a menor das autocríticas. Desde sua fundação, o PT vende ao povo brasileiro a mais calhorda das mentiras: o monopólio da verdade. Se há governo, o PT é contra, mas se alguém é contra um Governo do PT, ele é tachado de ‘golpista’.

O PT votou contra a Constituição de 1988, aquela que marcou a redemocratização; foi contra TODOS os planos econômicos que tentaram acabar com a hiperinflação, incluindo o Plano Real. E, quando o Real elegeu um presidente tucano, desde o primeiro dia o PT gritou “Fora FHC”.

Antes de jogar a favor do Brasil, o PT sempre joga a favor de si.

Mas da mesma forma que, na lei da física, os opostos se atraem, os extremos se tocam no espectro político.

O oposto do PT é Jair Bolsonaro, um homem com uma visão de mundo atrasada, que em 27 anos de Congresso só conseguiu se sobressair quando o desespero de muitos brasileiros os faz buscar uma saída ‘a qualquer custo’ para nosso problema agudo de representação política.

Para aumentar sua viabilidade eleitoral, Bolsonaro tentou nos últimos meses uma conversão liberal apoiando-se num nome solitário, o de Paulo Guedes, um economista que até ontem não o conhecia e que defende idéias diametralmente opostas a tudo que Bolsonaro fez no Congresso. Chegamos a este ponto: um candidato a Presidente da República proclama que “não entende nada” de economia, “não vê problema nisso,” e terceiriza o mais grave problema do País.

Assim como o PT, o homem que pede aos empresários para confiar em seu Posto Ipiranga votou contra o Real, contra a quebra do monopólio das telecomunicações, contra o fim do monopólio do petróleo… e a favor do regime especial de aposentadoria para deputados e senadores. Ainda este ano, votou contra o cadastro positivo, que, de acordo com 9 entre 10 economistas, ajudaria a reduzir os juros no crediário.

Mas as contradições econômicas de Bolsonaro não são nada quando comparadas à sua visão da sociedade.

No ano passado, num comício em Campina Grande, o candidato bradou: “Vamos fazer um Brasil para as maiorias! As minorias têm que se curvar às maiorias. As minorias se adequam, ou simplesmente desaparecem!”

Seus instintos batem de frente com o esforço civilizatório que é a democracia ocidental. Nela, todos são iguais perante a lei, e cabe ao Estado — que detém o monopólio da força — proteger as minorias.

O Brasil que vota em Bolsonaro o faz geralmente por dois motivos: raiva contra o ‘status quo’ e/ou medo do PT. O medo ajuda o ser humano a sobreviver, mas costuma ser paralisante. Já a raiva é a mãe dos crimes passionais.

Diversos empresários já aderiram a Bolsonaro — confortáveis com a apólice de seguro representada por Paulo Guedes — sem pensar nas consequências institucionais para o Brasil de um ‘homem forte’ à la Erdogan, Putin, Maduro. Afinal, como se comportará Bolsonaro quando o Congresso e o Judiciário se mostrarem um entrave às suas propostas? É este o País estável que vai gerar confiança e atrair investimento?

Já o Brasil que vota em Haddad deseja o retorno a uma economia forte e inclusiva (associada à imagem de Lula), sem compreender que foi o próprio PT quem destruiu aquele sonho.

São duas seitas, cada uma com seu profeta.

Qualquer um destes dois vai aprofundar a polarização do País, jogando brasileiro contra brasileiro, ‘fascista’ contra ‘comunista’, maiorias contra minorias, a bala contra a faca.

E qualquer um destes — por motivos diferentes — manterá a economia num impasse. Haddad, porque terá que fazer as reformas que passou a campanha demonizando; Bolsonaro, por sequer acreditar que as reformas são necessárias (a menos que você acredite em sua conversão.)

Nisto, Haddad e Bolsonaro — que em tese são tão diferentes — tornam-se muito parecidos: ambos são vítimas de suas contradições internas, e seus governos seriam disfuncionais.

Mas o Brasil não precisa ser vítima deles.

Esta eleição está longe de ser decidida. Os petistas continuarão sendo petistas, e os bolsonaristas continuarão seguindo seu líder. Mas é o Brasil do meio — ponderado e racional — que vai decidir nosso futuro.

Geraldo Samor