Flávio Bolsonaro empregou esposa e mãe de miliciano foragido

O senador eleito Flávio Bolsonaro empregou, em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) até novembro de 2018, a mãe e a esposa do capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, que está foragido desde esta terça-feira (22) acusado de ser um dos chefes da mais antiga milícia da cidade. Nóbrega seria líder do chamado Escritório do Crime, grupo suspeito de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol).

A mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, e a mulher, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, trabalharam no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Alerj até novembro de 2018, quando foram exoneradas. Ambas ocupavam o cargo CCDAL-5, com salários de R$ 6.490,35. Raimunda trabalhou no gabinete do senador eleito desde 2016, enquanto Danielle foi funcionária Alerj desde 2010.

Raimunda é uma das servidoras que fizeram repasses para a conta de Fabrício Queiroz. A investigação sobre ex-assessor teve início após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em contas do ex-segurança e ex-motorista de Flávio Bolsonaro. O relatório do Coaf foi anexado às investigações do MP-RJ sobre o pagamento de mesada a deputados estaduais do Rio de Janeiro em troca de apoio ao governo de Sérgio Cabral (MDB).

Ex-integrante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Adriano já foi preso em 2011 nas investigações da na operação “Dedo de Deus”, que combatia a prática do jogo do bicho.

Em nota, a defesa de Flávio Bolsonaro se defendeu das acusações, mas confirmou que as funcionárias foram indicadas por Queiroz.

Miliciano foi homenageado por Flávio Bolsonaro

Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope e suspeito de integrar milícia foi homenageado por Flávio Bolsonaro
Divulgação

Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope e suspeito de integrar milícia foi homenageado por Flávio Bolsonaro

Durante sua passagem pela Alerj, Flávio Bolsonaro fez duas homenagens para Adriano Magalhães da Nóbrega. Em 2003, ele apresentou uma moção de louvor ao PM, que na época era 1º tenente e comandante da guarnição de Patrulhamento Tático Móvel (Patamo) do 16º BPM (Olaria).

Já em 2005, ele concedeu a Adriano a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria do parlamento fluminense, destacando o currículo do agente. Flávio também apresentou uma moção de louvor ao major Ronald Paulo Alves Pereira, que também foi alvo de mandado de prisão nesta terça-feira. Ronald já foi detido.

Adriano Magalhães da Nóbrega é alvo da Operações Os Intocáveis, realizada pelo  Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que visa coibir a grilagem de terras na zona oeste do Rio de Janeiro. De acordo com a investigação, suspeita-se que Adriano faça parte do chamado Escritório do Crime, braço armado da milícia , especializado em assassinatos por encomenda. A polícia trabalha com a linha de investigação de que o grupo é responsável pela execução da morte da vereadora.

Em Davos, Bolsonaro passa vergonha e cita dados errados sobre meio ambiente e governo

O presidente Jair Bolsonaro discursou e respondeu a uma sequência de perguntas nesta terça-feira (22), durante sessão plenária do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Aos Fatos está checando algumas de suas declarações.

Acompanhe, abaixo, o resultado.


FALSO

Somos o país que mais preserva o meio ambiente.

Como o país não aparece na primeira colocação nem na porcentagem de área florestal preservada, nem no ranking mundial de sustentabilidade, não é possível dizer que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente.

Se Bolsonaro estiver falando de área de florestas preservadas, o Brasil ocupa a 30ª posição. Em 2015, segundo o estudo do Banco Mundial, o país possuía 59,9% de sua área preservada. Os países que possuem a maior porcentagem de área preservada são Suriname (98,3%), Micronésia (91,8%) e Gabão (89,3%). Países como a Suécia (68,9%) e o Japão (68,5%) também estão acima do Brasil.

A afirmação continuará incorreta mesmo se o presidente se referir ao grau de sustentabilidade do país. O Brasil, no último Enviromental Perfomance Index, apareceu na 69ª posição. Nas primeiras colocações estão a Suíça, a França e a Dinamarca. O estudo é feito pelas Universidades de Yale e Columbia, em colaboração com o Fórum Econômico Mundial, e utiliza 24 indicadores — entre eles a emissão de gases, a proteção da biodiversidade e a porcentagem de água potável — para fazer um ranking de 180 países.


FALSO

30% do nosso território são florestas.

O presidente citou esse dado na sessão de perguntas e respostas que seguiu seu discurso. Na verdade, a proporção de florestas que cobrem o território nacional é o dobro do mencionado por Jair Bolsonaro. Segundo dados de 2015 do Banco Mundial, que têm como fonte a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, o Brasil tem 59% de seu território coberto por florestas — são 4,9 milhões de km2.

Já segundo dados do Serviço Florestal Brasileiro, cerca de 61% do território nacional é coberto por vegetação nativa, distribuída nos cinco biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal.


CONTRADITÓRIO

Nossas relações internacionais serão dinamizadas pelo ministro Ernesto Araújo, implementando uma política na qual o viés ideológico deixará de existir.

Queremos tirar o viés ideológico dos nossos negócios. Não queremos viés nem de um lado nem de outro, visando o comércio com aqueles no mundo que têm práticas semelhantes a nós.

Nós representamos para o povo brasileiro um ponto de inflexão, onde repito, a questão ideológica vai ficar de fora disso tudo.

Bolsonaro mencionou três vezes em sua fala em Davos que conduzirá um governo sem viés ideológico, inclusive nas relações internacionais. Essas declarações entram em contradição com falas antigas do político. Bolsonaro já afirmou antes do período eleitoral que pretendia impor restrições a entrada de capital chinês no Brasil e desconvidou apenas países autoritários de esquerda para a posse presidencial. Além disso, a agenda de Bolsonaro no fórum está restrita a encontros bilaterais com líderes de governos nacionalistas e conservadores. Por esse motivo, a declaração de Bolsonaro foi considerada CONTRADITÓRIA.

Antes das eleições, em outubro de 2017, em entrevista à Bloomberg, Bolsonaro afirmou que China “não tem coração” sugeriu restringir o acesso do asiáticos a setores considerados por ele como estratégicos no país. “A China vem jogando War, em especial no Brasil”.

Nos preparativos da posse presidencial, Bolsonaro também solicitou que fossem desconvidados para a cerimônia Venezuela e Cuba, dois países com ditaduras de esquerda. O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo também informou na conta pessoal no Twitter, que o governo não receberia nenhum representante da Nicarágua na posse, outro governo autoritário de esquerda. Outros países com regimes autoritários, como a Arábia Saudita, por exemplo, não sofreram restrições para participar da cerimônia.

Além disso, a agenda de encontro bilaterais de Bolsonaro durante o Fórum Econômico Mundial inclui apenas encontro com países comandado por líderes nacionalistas e conservadores, contrastando com o discurso segundo o qual as relações internacionais brasileiras não teriam “viés nem de um lado nem de outro”. O presidente brasileiro deve encontrar com líderes da Polônia, República Tcheca, Japão, Itália e Suíça.


CONTRADITÓRIO

Pela primeira vez no Brasil um presidente montou uma equipe com ministros qualificados, não aceitando ingerências político partidárias que no passado apenas geraram ineficiência do estado e corrupção.

Essa declaração já foi checada anteriormente por Aos Fatos no discurso de posse do presidente. Ainda assim, ele segue repetindo — em Davos, Bolsonaro mencionou não ter participado de negociações político-partidiárias para compor sua equipe duas vezes. Trata-se, entretanto, de uma CONTRADIÇÃO. Bolsonaro diz fazer algo, mas, na prática, a coisa é outra.

Na fase de transição de governo, quando sua equipe era montada, Bolsonaro não estabeleceu alianças do mesmo modo que administrações anteriores costumavam fazer. Suas negociações com o Congresso foram guiadas por interlocutores de bancadas, e não exclusivamente dos partidos (o Legislativo terá maior fragmentação partidária do que em gestões anteriores). Isso não significa, no entanto, que não haja interesses políticos em jogo.

O presidente, que recebeu apoio das bancadas ruralista e evangélica durante a campanha, integrou membros das respectivas frentes parlamentares em sua equipe de governo. Essas bancadas têm interesses políticos bem claros: a bancada ruralista pressionou por dar aval ao indicado ao Ministério do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que teve apoio de entidades ligadas ao setor, além do ramo da construção civil, além de ter emplacado a indicação da deputada Tereza Cristina no Ministério da Agricultura.

Ainda quando candidato, o presidente também tentou estabelecer alianças partidárias, mas fracassou. O próprio Bolsonaro chegou a negociar com o PR, um dos partidos do centrão, para que o senador Magno Malta fosse o vice da sua chapa presidencial, mas a negociação não foi para frente. O esperado era que Malta assumisse o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, mas a pasta acabou ficando com sua ex-assessora, Damares Alves.

Portais de notícias ligados à Amidi estariam comprando acessos através de robôs para garantir maior verba publicitária

Uma fonte revelou ao Polítika que portais membros da Associação de Mídias Digitais da Paraíba (AMIDI), que se apresenta como representante dos sites e blog do estado, mas carece de respaldo e reconhecimento no meio, estariam comprando acessos através de robôs.

A fonte relata que conversou com um profissional que promete mil acessos ao valor de R$ 10, podendo “entregar” até meio milhão de acessos em um mês. A fonte revelou ainda que o tal profissional teria trabalhado em dois portais membros da Amidi, curiosamente os dois portais sempre apareceram no topo do ranking do Alexa.

O portal Tá na área também fez uma denúncia parecida nesta terça-feira, 22:

A desconfiança que portais da Paraíba usam robôs para ganhar acessos e liderar audiência é antiga. Mas agora, além da vaidade, há um fator financeiro. Criada para fazer lobby para um pequeno grupo de amigos, a Amidi apresentou ao Tribunal de Contas do Estado um novo modelo de repartição das verbas publicitárias institucionais destinadas aos sites e blogs.

Na proposta da Amidi, as agências de publicidade devem estabelecer o valor dos contratos de veiculação de banner de acordo com o acesso dos portais no Google Analytics. Ou seja, quem contrata mais robôs vai ficar com a maior parte da verba publicitária.

A ganância do membros da Amidi tem gerado insatisfação entre os portais e blogs que sequer sabiam da existência de tal entidade e muito menos a tem como representante.

Além de não representar legalmente essa categoria de profissionais, a Amidi está com suas obrigações legais irregulares.

Nesta terça-feira (22), circulou nos grupos de mensagens, prints em que apontam tais irregularidades da AMIDI. Segundo os documentos, a “Associação” encontra-se inapta por omissão de declarações.

Ainda nesta terça-feira, um grupo de jornalistas também se reuniu e divulgou, através de texto publicado em um site paraibano, uma série de erros envolvendo a associação, tais como o fato da sede da associação ser uma incógnita, os filiados “um mistério à parte”, o site oficial estar há anos fora do ar – http://www.amidi.online/ – , o perfil no Facebook não ser atualizado desde novembro de 2015, além de ninguém ter visto a Ata de Fundação ou o Estatuto Social ou sequer saber como, quem ou quais critérios abalizaram a eleição de seu presidente e diretoria.

Confira os documentos em que apontam tais irregularidades existentes nessa AMIDI.