Irmã de Ricardo Coutinho ganha cargo comissionado na Assembleia Legislativa

O desemprego inexiste na vida de parentes de políticos. Ricardo Coutinho, por exemplo, já empregou praticamente toda a sua família na gestão pública.

Valéria Vieira Coutinho, irmã, é um dos nomes que aparecem na lista de agraciados pelo deputado estadual Adriano Galdino (PSB) com cargos comissionados na Assembleia Legislativa.

Em 2018, o vereador Malba de Jacumã, do Conde, acusou outra irmã de Ricardo, Sandra Coutinho, de ser funcionária fantasma da prefeitura. Sandra também já trabalhou na prefeitura de João Pessoa e Bayeux.

Já o famigerado Cori (Coriolano Coutinho) é chefe de gabinete do deputado federal Damião Feliciano.

E é porque Ricardo Coutinho é republicano, viu? Imagina se não fosse…

 

Procurador quis encerrar investigação sobre Flávio Bolsonaro sem diligências

O procurador regional eleitoral do Rio de Janeiro, Sidney Madruga, quis encerrar uma investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) sem realizar nenhuma diligência.

O procedimento tinha como objetivo apurar suposta falsidade ideológica eleitoral praticada por Flávio ao declarar seus bens à Justiça Eleitoral. O arquivamento pedido por Madruga foi vetado pela 2ª Câmara Criminal de Revisão do Ministério Público Federal, que determinou uma avaliação mais rigorosa do caso.

Na ocasião, a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro afirmou que Madruga entendeu que não havia crime eleitoral “com base na jurisprudência consolidada há anos no TSE [Tribunal Superior Eleitoral]”. (…)

Por Italo Nogueira, na Folha.

Mourão enquadra ministro do Meio Ambiente: “Chico Mendes faz parte da história do Brasil”

Um dia após a entrevista do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em que afirma não saber a história de Chico Mendes, o vice-presidente Hamilton Mourão enquadra o ministro e afirma que o líder seringueiro é personagem histórico para a luta ambiental no país.

“O Chico Mendes faz parte da história do Brasil na defesa do meio ambiente. É história. Assim como outros vultos passaram na nossa história”, afirmou Mourão aos jornalistas.

Durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, Salles disse que não conhece Chico Mendes e afirmou que já ouviu “histórias” sobre o líder ambientalista reconhecido mundialmente.

“O fato é que é irrelevante. Que diferença faz quem é o Chico Mendes neste momento?”, disse o ministro. “Eu não conheço o Chico Mendes, escuto histórias de todos os lados. Dos ambientalistas mais ligados à esquerda, que o enaltecem. E das pessoas do agro que dizem que ele não era isso que contam. Dizem que usava os seringueiros pra se beneficiar”, afirmou.

Leia também reportagem da agência Reuters sobre o assunto:

Um dia depois de o ministro do Meio Ambiente relativizar a figura do ambientalista Chico Mendes, o vice-presidente Hamilton Mourão defendeu seu papel e afirmou que o seringueiro, assassinado em 1988, faz parte da história do Brasil.

“O Chico Mendes faz parte da história do Brasil na defesa do meio ambiente. É história. Assim como outros vultos passaram na nossa história”, disse Mourão.

Na noite de segunda-feira, ao ser perguntado sobre a importância do ambientalista no programa Roda Viva, o ministro Ricardo Salles afirmou que não o conhecia. Depois, acrescentou que “ouvia história dos dois lados” e que as pessoas ligadas ao agronegócio acusavam Chico Mendes de “usar seringueiros para se beneficiar”.

Com a insistência dos entrevistadores, que questionavam suas opiniões, Salles disse que a discussão sobre o seringueiro era “irrelevante”. Com a insistência, o ministro cortou as perguntas. “Que diferença faz quem é Chico Mendes nesse momento?”, perguntou.

Como parte de suas atribuições, o ministro supervisiona o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade, que cuida das áreas de conservação no país.

A posição de Salles repercutiu negativamente entre ambientalistas e nas redes sociais, e o ministro foi bastante criticado.

A ex-candidata à Presidência pela Rede, Marina Silva —amiga da Chico Mendes— comentou o caso em sua conta no Twitter.

“O ministro do Meio Ambiente não sabe da relevância de Chico Mendes por motivos óbvios: não é ambientalista e é desinformado. Chico faz parte do Panteão da Pátria e é reconhecido mundialmente. Apesar da ignorância de Salles, a luta de Chico permanece viva!”, escreveu.

No início da noite, Salles também usou sua conta para comentar o caso.

“No campo dos esquerdopatas tudo é pretexto para não trabalhar. Quando disse que não achava relevante ficar discutindo opinião sobre Chico Mendes era justamente para evitar gastar energia com coisas improdutiva”, criticou.

Perguntado especificamente pela fala de Salles, o vice-presidente afirmou que não valia à pena “polemizar”.

Advogado e administrador, Ricardo Salles foi nomeado ministro do Meio Ambiente por ter sido secretário de Meio Ambiente do governo do tucano Geraldo Alckmin, em São Paulo, onde ficou por pouco mais de um ano. Criticado por ambientalistas, Salles é bem-visto por ruralistas e teve sua nomeação defendida pela Sociedade Rural Brasileira.

Operação calvário e superfaturamento em licitação; por que Ricardo Coutinho está com medo de falar?

Cadê aquele Ricardo Coutinho das bravatas, prometendo surras de vara nos adversários? Por onde anda o destemido Mago e suas falácias republicanas? O que Ricardo tem a dizer sobre o áudio dos seus principais secretários superfaturando licitação? Ricardo Coutinho tinha conhecimento da propina enviada através do assessor de Livânia Farias? Ricardo tem medo de que?

Para bom entendedor, o silêncio de Ricardo Coutinho já responde essas e outras indagações. O ex-governador pode até não ter participação em nenhuma maracutaia, mas está seguindo o roteiro dos culpados ao escolher o silêncio.

Ricardo precisa dar as caras e comentar os escândalos envolvendo o seu governo. Os protagonistas (Gilberto Carneiro, Waldson e Livânia) não eram apenas auxiliares, são pessoas quem caminham ao lado de Ricardo Coutinho há décadas, gente de total confiança, verdadeiros amigos.

Quem não deve, não teme…

Maior esquema de corrupção da Paraíba pode ter financiado campanhas de Ricardo Coutinho e João Azevedo

O maior escândalo de corrupção da história da Paraíba pode ter financiado as campanhas de Ricardo Coutinho e João Azevedo, ambos do PSB, partido que governa o estado desde 2011. Segundo reportagem especial do JPB, o Ministério Público acredita que há indícios que a propina repassada ao governo da Paraíba teria sido utilizada para financiar campanhas eleitorais.

De acordo com as investigações, em agosto de 2018, Leandro Nunes, assessor da Secretaria de Administração da Paraíba, recebeu uma caixa com dinheiro em um hotel no Rio de Janeiro. O dinheiro foi entregue por Michele Cardoso, braço direito de Daniel Gomes da Silva, acusado de comandar a organização criminosa:

Segundo o Ministério Público, horas antes de pegar a caixa, Leandro recebeu uma ligação de Waldson Souza, atual secretário de Planejamento:

Meia hora antes do encontro no hotel, Leandro Nunes recebeu uma outra ligação de um celular pertencente à secretaria de Administração, comandada por Livânia Farias, onde Leandro supostamente trabalhava:

No celular de Michele Cardoso, assessora do chefe do esquema, o MP encontrou mensagens de texto comprovando que a propina era utilizada para campanhas eleitorais na Paraíba:

As conversas de Michele Cardoso, a mulher da caixa com dinheiro, revelava o desespero com a provável derrota de Ricardo Coutinho e, consequentemente, o fim do contrato com a Cruz Vermelha:

A investigação também identificou, em junho de 2018, seis chamadas feitas para o celular de Coriolano Coutinho, o famoso “Cori”, irmão de Ricardo Coutinho. Coriolano já se envolveu em outra denúncia de corrupção quando era Superintendente da Emlur, no caso que ficou conhecido como o escândalo do “gari milionário”, sendo atestado pelo Ministério Público a fraude em licitação e lavagem de dinheiro:

De acordo com o MP, Jaime Gomes da Silva, tio de Daniel Gomes (chefe da quadrilha), doou R$ 300 mil para o comitê estadual do PSB, em 2010. A doação foi realizada 8 meses antes do hospital de Trauma ser terceirizado para a Cruz Vermelha:

O mais curioso é que Jaime Gomes é português e nunca teve relação política com a Paraíba.

OPERAÇÃO CALVÁRIO: Áudio grampeado mostra secretário de Ricardo Coutinho beneficiando empresário em licitação da Saúde

Vazou um áudio grampeado de uma conversa entre Waldson Souza, ex-secretário de Saúde, com um suposto empresário. Na conversa, o braço direito de Ricardo Coutinho passa instruções que favorecem a empresa que vai disputar a licitação. A conversa começa aos 4 minutos e 30 segundos.

EmpresárioÔ Waldson, fala aí, será que rola?

WaldsonRola.

EmpresárioDesembaralha?

WaldsonEu queria o governador aqui. Ele tá em campanha ou viajando

WaldsonFicou 1 e 600, foi? (milhões)

EmpresárioFicou 1 e 600 e uns quebradinhos

Segundo informações de bastidores, o empresário que aparece no áudio estaria envolvido no esquema de corrupção da Cruz Vermelha.

O grampo também envolve o procurador-geral do Estado, Gilberto Carneiro. No segundo áudio, aos 30 minutos e 30 segundos, Gilberto dá a entender que o juíz Aluízio Bezerra é aliado do PSB, o que compromete a independência do magistrado.

Giberto Carneiro: “Agora deixe eu lhe pedir uma coisa, faça uma visita a Aluízio Bezerra, de uma conversada com ele, tranquilo, porque ele é um defensor nosso. Tem que alimentar ele de informação”.

Laranjal do PSL enfraquece discurso anticorrupção de Bolsonaro

Antes de tentar convencer idosos abaixo da linha da pobreza a aceitarem receber menos de um salário mínimo por mês de benefício assistencial, como é hoje, sob a justificativa de que o país vai quebrar, seria melhor o governo do presidente Jair Bolsonaro pedir ao seu partido que explique os indícios de cultivo de laranjas entre suas fileiras. No último caso descoberto, a direção nacional do PSL destinou R$ 400 mil de recursos públicos, na eleição do ano passado, a uma candidata que teve apenas 274 votos e que, ao que tudo indica, servia de fachada.

Do total do montante, que chegou a ela poucos dias antes do pleito, R$ 380 mil foram gastos em uma única gráfica – que se enrolou para demonstrar onde e como foi feito o serviço. Maria de Lourdes Paixão, que trabalha como secretária do partido em Pernambuco, foi intimada pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre o caso, nesta quinta (14), na superintendência da instituição.

Vale lembrar que o presidente da República, eleito com a bandeira de que a corrupção é um ralo de dinheiro do contribuinte, impedindo que recursos cheguem através de serviços e assistência a quem realmente precisa, prometeu estancar esse vazamento, criticando os escândalos envolvendo o PT, o PSDB e o MDB. O problema é que não há uma goteira, mas um ralo, em sua própria casa.

Claro que os R$ 400 mil não fazem cócegas nos déficits bilionários da Previdência Social. Mas indícios de que recursos públicos foram desviados através de um esquema montado para ludibriar o contribuinte incomodam. Afinal, como um partido com membros que tratam o dinheiro público dessa maneira pode pedir sacrifício à população?

Investigação da Folha de S.Paulo, divulgada no domingo (10), apontou que o responsável pela candidata laranja foi o grupo do presidente do partido, Luciano Bivar (PSL-PE), segundo-vice-presidente da Câmara dos Deputados. Ela foi a terceira maior beneficiada por verbas nacionais de campanha, mais do que o próprio Bolsonaro ou deputados com expressiva votação. Apenas o próprio Bivar (com R$ 1,8 milhão) e o Delegado Waldir (R$ 420 mil) – escolhido como líder do governo na Câmara e que enfrenta críticas da própria bancada – receberam mais que ela. Durante as eleições, o comando do partido esteve com o advogado de Bolsonaro, Gustavo Bebianno, hoje ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência.

Ressalte-se que não estamos falando de uma prosaica laranja, mas de um laranjal. Das acusações contra as “movimentações atípicas” de Fabrício Queiroz e sua relação com seu ex-chefe, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), até o caso envolvendo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), deputado federal mais votado de Minas Gerais, que teria usado laranjas para desviar recursos na campanha, há indícios de que membros importantes do partido desviaram recursos.

Todos os casos demandam uma célere e profunda investigação e respostas. Caso contrário, será necessário muito engajamento das redes sociais bolsonaristas para que o governo seja levado a sério pelo cidadão quando disser que está combatendo a corrupção e que a Reforma da Previdência é fundamental para “poupar dinheiro público”. 

Dada que a prática do cultivo de laranjais parece ser extensiva, seria importante que o ministro da Justiça e da Segurança Pública Sérgio Moro se pronunciasse. Não apenas demonstraria sua independência, mas também traria tranquilidade a milhões de seus apoiadores – que já ouvem críticas nas redes sociais sobre a seletividade de seu engajamento. Com um silêncio que é mais estridente quando a denúncia é contra o governo para quem trabalha.

Leonardo Sakamoto