O mecanismo criado pelo ex-presidiário Ricardo Coutinho

Na denúncia da Operação Calvário, os promotores do Ministério Público da Paraíba destacam como funcionava o esquema criminoso liderado pelo ex-governador Ricardo Coutinho que envolveu mais de R$ 1 bilhão do Governo da Paraíba.

Segundo o documento, organizações sociais eram privilegiadas em licitações da saúde, “notadamente por meio de direcionamento e hiperdimensionamento” de contratos de prestação de serviço e fornecimento de materiais hospitalares. As OSs, em contrapartida, devolviam percentual sobre os valores recebidos.

Após a organização criminosa se instalar na saúde do estado, esquema semelhante foi implantado na gestão da educação do governo local.

“É inexorável perceber, assim, que a empresa criminosa chefiada por RICARDO COUTINHO, de fato, possuía um modelo de negócio alicerçado num plano corrupto de governança, onde eram mapeadas todas as possibilidades de se auferir a maior vantagem financeira para o deleito de seus integrantes.”

O Antagonista

Wilson (o pai) sepulta a candidatura de Wilson (o filho) à prefeitura de João Pessoa

A pré-candidatura do deputado estadual Wilson Filho à prefeitura de João Pessoa já pode ser considerada a mais curta da história. Com o pai mais sujo que pau de galinheiro, quem danado vai votar em Wilsinho para comandar os cofres da maior cidade da Paraíba?

Novos vídeos, divulgados neste domingo (12), com exclusividade, pela reportagem do Fantástico da TV Globo, mostram como parte da verba reservada para obras de combate a seca no município de Uiraúna, no Sertão da Paraíba, teria sido desviada.

As investigações apontam supostos pagamentos ao deputado federal Wilson Santiago (PTB) e ao prefeito João Bosco Fernandes (PSDB), que são aliados políticos. “Aproximadamente R$ 1 milhão foi pago a título de propina para o deputado e R$ 600 mil ao prefeito”, assegura o delegado da Polícia Federal, Vítor Morais.

A obra em questão é uma adutora, que teve sua construção aprovada em 2017 pelo Ministério do Desenvolvimento Regional. Trata-se de um sistema de tubulações que levaria água da Lagoa do Arroz, em São José do Rio do Peixe, até o Açude Capivara, em Uiraúna, que abastece 11 cidades da região.

Ao preço de R$ 24,8 milhões, a obra deveria ter sido concluída em junho do ano passado. Mas, mesmo com R$ 17 milhões já liberados, pouco foi feito.

Nas imagens do Fantástico, são exibidos flagrantes de pagamento de propina em um esquema de corrupção que desviou verba pública com pagamento de propinas e licitações fraudulentas no município de Uiraúna, uma região pobre e que sofre com um problema crônico de falta de água.

Em outra reportagem, exibida em dezembro, o Fantástico mostrou vídeos de propinas sendo entregues em Brasília. Dessa vez, os flagrantes foram feitos em João Pessoa, capital da Paraíba.

O esquema

Segundo a Polícia Federal, o esquema era comandado pelo empresário George Barbosa, dono de uma construtora que já realizou duzentas obras públicas. Em troca de propina, ele teria sido beneficiado pela Prefeitura de Uiraúna e vencido uma licitação fraudulenta.

Ainda de acordo com a PF, o rateio era simples: 10% do valor total foi parar com o deputado federal e 5% do valor foi para o prefeito. O esquema funcionou até setembro do ano passado, quando George procurou a Polícia Federal. Ele fez um acordo de delação premiada e depois disso passou a gravar as entregas de propina.

O Fantástico, inclusive, teve acesso a uma dessas entregas, em frente a um supermercado de João Pessoa. George separou R$ 50 mil para entregar a Evani Ramalho, secretária parlamentar de Santiago.

Os policiais federais estavam escondidos no local. O carro da assessora chegou e George entrou no carro com um gravador de áudio ligado. Ela ainda reclamou que o dinheiro estava numa sacola, fácil de ser visto, e que faltava dinheiro. Depois disso, foi embora. Os policiais a seguiram até ela entrar na sede estadual do PTB, em João Pessoa, o partido presidido por Santiago na Paraíba.

Dois dias depois, ela repassou mais R$ 50 mil ao empresário, e foi presa acusada de corrupção. De acordo com a sua defesa, contudo, ela está a disposição da polícia e do Poder Judiciário para contribuir com o que for necessário para provar sua inocência.

Com relação ao deputado federal Wilson Santiago, o Supremo Tribunal Federal o afastou do cargo de parlamentar. Por enquanto ele responde às acusações em liberdade.

Sua defesa diz que ele nunca recebeu propina e que ele não tem conhecimento de que seus assessores tenham recebido. “O deputado tem total interesse no esclarecimento desses fatos até para que ele possa comprovar a sua inocência. E demonstrar que o delator tão somente está fazendo essas acusações para auferir os benefícios da delação premiada”, declarou Luís Henrique Machado, advogado do parlamentar.

Em nota, os advogados de George Barbosa disseram que o empresário resolveu “colaborar com a justiça para corrigir condutas avaliadas como ilícitas”. George também aguarda o processo em liberdade.

Já o prefeito João Bosco Fernandes está preso há três semanas e se licenciou do cargo. O vice-prefeito, que é sobrinho de Wilson Santiago, assumiu o cargo. A defesa do prefeito informou que só se manifestará após conhecimento e análise dos conhecimentos da denúncia.

 

Ministério Público denuncia Ricardo Coutinho, Estela Bezerra, Cida Ramos, Francisco Ferreira e mais 32 por participação na ORCRIM Girassol

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) protocolou no Tribunal de Justiça, nesta segunda-feira (13/01), a sexta denúncia com base nas investigações da “Operação Calvário”. Na peça jurídica, o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) e a Comissão de Combate aos Crimes de Responsabilidade e a Improbidade Administrativa (Ccrimp) acusam 35 gentes públicos, empresários e operadores financeiros de formarem uma organização criminosa (Orcrim) para a prática de delitos, como corrupção e lavagem de ativos, através de atividades de organizações sociais (OSs) na saúde e da adoção de inexigibilidades (fraudadas) na educação.

De acordo com a denúncia 0000015-77-22-020.815.0000, a organização criminosa atuava em três núcleos: político, administrativo e financeiro operacional. Integravam o núcleo político, o ex-governador Ricardo Vieira Coutinho; a deputada estadual Estelizabel Bezerra de Souza; a ex-secretária de Estado, Maria Aparecida Ramos de Meneses (Cida Ramos) e a prefeita do Conde, Márcia de Figueiredo Lucena Lira. Faziam parte do núcleo administrativo: Waldson Dias de Souza, Gilberto Carneiro da Gama, Coriolano Coutinho, José Edvaldo Rosas, Cláudia Luciana de Sousa Mascena Veras, Aracilba Alves da Rocha, Livânia Maria da Silva Farias (colaboradora) e Ivan Burity de Almeida (colaborador).

Veja a denúncia na íntegra 

Ainda estão denunciados como integrantes do núcleo financeiro operacional da Orcrim: Francisco das Chagas Ferreira, Ney Robinson Suassuna, Geo Luiz de Souza Fontes, Bruno Miguel Teixeira de Avelar Pereira Caldas, Jair Éder Araújo Pessoa Júnior, Raquel Vieira Coutinho, Benny Pereira de Lima, Breno Dornelles Pahim Filho, Breno Dornelles Pahim Neto, Denise Krummenauer Pahim, Saulo Pereira Fernandes, Keydison Samuel de Sousa Santiago, Maurício Rocha Neves, Leandro Nunes Azevedo (colaborador), Maria Laura Caldas de Almeida Carneiro (colaboradora), Daniel Gomes da Silva (colaborador), David Clemente Monteiro Correia, José Arthur Viana Teixeira, Vladimir dos Santos Neiva, Valdemar Ábila, Márcio Nogueira Vignoli, Hilário Ananias Queiroz Nogueira, Jardel da Silva Aderico

Segundo a denúncia do MPPB, o grupo mantinha “um modelo de governança regado por corrupção e internalizado nos bastidores dos poderes Executivo e Legislativo do Estado da Paraíba, o qual se destacou, com maior intensidade, a partir da ascensão do denunciado Ricardo Vieira Coutinho ao governo estadual”. Ainda de acordo com o Ministério Público, a identificação desses 35 denunciados não a identificação e o envolvimento de “outros agentes políticos, administrativos e econômicos que contribuíram para a concretização dos desvios de recursos públicos, de modo que a multiplicidade de seus atores, certamente demandará aditamentos ou novas denúncias”.

A Operação Calvário

A Operação Calvário foi desencadeada no dia 14 de dezembro de 2018 para investigar núcleos de uma organização criminosa, gerida por Daniel Gomes da Silva, que se valeu da Cruz Vermelha Brasil – filial do Rio Grande do Sul (CVB/RS) e do Ipcep como instrumentos para a operacionalização de um esquema de propina no Estado da Paraíba. A organização seria responsável por desvio de recursos públicos, corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, através de contratos firmados junto a unidades de saúde do Estado, que chegaram a R$ 1,1 bilhão.

MaisPB

Será que a ex-presidiária Estela Bezerra ainda vai me processar por dizer que ela estava sendo investigada na Calvário?

A deputada estadual Estela Bezerra processou o blog por dizer que a mesma estava sendo investigada na Operação Calvário. Semanas depois, Estela estava presa e tirando seu lindo retrato na Polícia Civil.

Será que ela ainda vai ter coragem de me processar? Não duvido, esse povo da ORCRIM Girassol é muito cara de pau.

Estela Bezerra foi a deputada que mais manobrou para barrar a CPI da Cruz Vermelha

Em delação, Livânia Farias afirma que Roberto Santiago pagou mensalão a deputados estaduais entre 2013 e 2014

A mulher de confiança do ex-presidiário Ricardo Coutinho, Livânia Farias, afirmou em sua delação que o dono dos shoppings Manaíra e Mangabeira, Roberto Santiago, coordenou o pagamento de mensalão para os deputados estaduais Doda de Tião, Branco Mendes, Eva Gouveia, João Gonçalves, Lindolfo Pires, Márcio Roberto, entre outros.

Segundo Livânia, a propina era oriunda da Cruz Vermelha, através de Daniel Gomes, mas quem repassava o valor mensalmente era Roberto Santiago.

Parece que chegou a hora do GAECO convidar o ‘passarinho’ para mais uma rodada de café com biscoito no Ministério Público.

Será que o ex-presidiário Ricardo Coutinho também cobrou propina na permuta do terreno do Mangabeira Shopping?

Luciano Cartaxo autoriza obras e Epitácio Pessoa passa por maior intervenção de sua história para se transformar em uma ‘avenida passeio’

A Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) começou, nesta segunda-feira (13), a escrever uma nova história para a Avenida Epitácio Pessoa. Com a ordem de serviço assinada hoje pelo prefeito Luciano Cartaxo, a principal via da cidade inicia a sua maior intervenção e reestruturação total de ponta a ponta com obras que modificarão o seu perfil, transformando-a em uma Avenida Passeio. Aliando tecnologia e urbanismo, a Epitácio torna-se mais moderna e humana, um verdadeiro espaço de compartilhamento e de permanência pelas pessoas.

Ao autorizar a ordem de serviço, durante solenidade que aconteceu no canteiro da Praça do Rotary (em frente à Usina Cultural da Energisa), o prefeito Luciano Cartaxo explicou que as obras, orçadas em mais de R$ 11,2 milhões em recursos próprios, já foram iniciadas e acontecerão por etapas para garantir o mínimo impacto possível comum neste tipo de intervenção ao tráfego local. Esta primeira etapa se inicia na esquina da avenida com a Maximiano de Figueiredo (próximo à Praça da Independência) até a Praça do Rotary, tendo sequência por quarteirões. A previsão é de que a obra seja concluída até o final do ano.

“Estamos construindo uma cidade voltada para as pessoas e a melhoria da qualidade de vida, e esta transformação pela qual a Avenida Epitácio Pessoa está passando é mais uma demonstração deste conceito de cidade para as pessoas que estamos implementando desde 2013. Aqui teremos os carros e ônibus circulando, mas queremos ver as pessoas aqui também, por isso o investimento em calçadas acessíveis, piso tátil, áreas de convivência e mais verde para tornar o ambiente mais agradável e sustentável”, afirmou o prefeito Luciano Cartaxo.

Com o projeto, a Epitácio Pessoa vai ganhar 10,5 km de calçadas padronizadas, todas com piso tátil para possibilitar um deslocamento autônomo e seguro a deficientes visuais. As esquinas serão rebaixadas nos pontos de travessia para garantir maior acessibilidade. Já as faixas de pedestre, 76 no total, terão iluminação inteligente, ou seja, haverá iluminação própria no momento da travessia. Além de toda a acessibilidade, a via vai ganhar ilhas de convivência, que juntas vão comportar 102 bancos. A Epitácio ainda vai contar com 129 lixeiras; 50 novas árvores (passando a contar com 371); 315 m² de novas áreas verdes e florais; canteiro central com 7,5 mil m² de pedras portuguesas e acréscimo de 20 abrigos de ônibus.

Chegando ao final da via, já na região da praia, a Avenida Passeio Epitácio Pessoa se integra ao projeto do Largo de Tambaú, também com obras em execução pela Prefeitura, e a toda a calçadinha da Orla, completamente revitalizada também pela atual gestão. O projeto do Largo de Tambaú compreende uma área de 8.621 metros, permitindo o compartilhamento dos espaços para oferecer a convivência saudável no trecho de chegada ao Busto de Tamandaré, se transformando em uma ampla área de convivência, com espaço para caminhadas, atividades culturais e passeio para a população da Capital e turistas.

A avenida – A Epitácio Pessoa, que teve sua construção iniciada na última década de 1920, conta com 5,5 km de extensão no sentido praia e 5 km em direção ao Centro. A via já recebeu diversas intervenções da Prefeitura Municipal de João Pessoa para qualificá-la para a população. Para melhorar a segurança e facilitar o deslocamento à noite a via recebeu 448 pontos de iluminação em LED. O transporte público também passa por lá, através de 51 linhas de ônibus, com maior agilidade graças aos 7,4 km de faixas exclusivas, que reduzem o tempo do percurso dos ônibus.

Quem anda de carro também pode sentir a redução dos congestionamentos devido aos semáforos inteligentes, que detectam sozinhos o sentido de maior fluxo, determinando o tempo de verde e vermelho de acordo com a demanda de cada momento. Além disso, a via é monitorada diariamente por 10 câmeras da Superintendência de Mobilidade Urbana (Semob-JP), que detectam problemas e possibilitam ação imediata de agentes.

Em nota, Adriano Galdino rebate delação de Livânia Farias e diz que entre 2012 e 2014, estava licenciado do mandato de deputado estadual para atuar no governo

O presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino, divulgou nota rebatendo as declarações de Livânia Farias em sua delação na Operação Calvário:

Parte da imprensa paraibana divulgou nesta segunda-feira, 13, trecho da delação da ex-secretária Livânia Farias, onde ela relata que entre os anos de 2013 e 2014, em legislatura passada, teriam sido realizados repasses financeiros a deputados para votação em matérias a favor do governo.

O deputado Adriano Galdino, diante da citação do seu nome, vem a público:

1. Esclarecer que entre os anos 2012 e 2014 estava licenciado do mandato de deputado estadual atuando como secretário de Governo, ou seja, sem participar dos debates e votações na Assembleia Legislativa.

2. O deputado destaca ainda que defende o trabalho do Ministério Público em toda e qualquer investigação, se coloca a disposição das autoridades, mas reafirma que o instrumento da delação por si só não pode ser considerado prova

Adriano Galdino
Deputado Estadual

Governador rebate delação de Livânia e diz que já esperava essa atitude dela e de outras pessoas envolvidas

Durante solenidade na manhã desta segunda-feira (13), o governador João Azevêdo  rebateu as acusações da ex-secretária de Administração Livânia Farias, que em delação premiada, citou o seu nome.

De acordo com João a citação de Livânia nada mais é do que retaliação das mudanças que ele está promovendo na gestão desde que foram surgindo os envolvidos no esquema. Ele declarou ainda que já esperava essa atitude dela e de outras pessoas envolvidas.

“Eu dizia claramente que desde o início do ano, quando eu comecei a tomar medidas, em um conjunto de coisas que eu entendia que fosse corretas dentro do Governo, retaliações iriam acontecer e tá aí a prova, isso é natural. Você acha que pessoas que foram afastadas do governo, pessoas que foram citadas com algum tipo de envolvimento estão satisfeitas com esse processo? Jamais”, disse.

Será que o ex-presidiário Ricardo Coutinho também cobrou propina na permuta do terreno do Mangabeira Shopping?

As investigações da Operação Calvário estão revelando que o ex-presidiário Ricardo Coutinho tinha muita sede por propina e não deixava passar nada, inclusive recursos da Saúde.

Parece que RC não fazia nada de graça e sempre queria tirar uma ‘casquinha’ dos negócios do governo. Seria bom o GAECO investigar se o Mago da Propina também tirou vantagem da permuta de terrenos com Roberto Santiago, que resultou na construção do Mangabeira Shopping.

Lembro-me que o ex-presidiário se empenhou demais pela permuta e até estimulou movimentos populares para pressionar deputados contrários à troca de terrenos.