Governo Bolsonaro ‘cirou’? Caixa anuncia descontos em dívidas de até 90%

Boa notícia para quem está endividado com a Caixa Econômica Federal: o banco lançou nesta terça-feira (28) uma campanha de renegociação de dívidas chamada “Você no Azul” que abrange 3 milhões de clientes.

Os descontos para liquidação à vista de atrasos superiores a 360 dias variam entre 40% e 90% — a depender da situação dos contratos e do tipo de empréstimo feito.

Em nota, a Caixa informa que a ação vale por 90 dias, em todo o Brasil, e que mais informações podem ser obtidas pelos clientes de quatro maneiras:

  1. Pessoalmente, nas agências;
  2. Ou pelo site www.negociardividas.caixa.gov.br;
  3. Ou pelo telefone 0800 726 8068 opção 8;
  4. Ou pelas redes sociais da Caixa no Facebook e no Twitter.

“Um dos nossos principais objetivos é resgatar o poder de compra e parcelamento dos clientes, adequar seus compromissos à sua realidade financeira, e possibilitar que possa tomar novo crédito no mercado, com a exclusão da restrição em seu cadastro”, disse no comunicado o presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

O governo Bolsonaro ‘cirou’?

O discurso adotado por Guimarães lembra a promessa do presidenciável Ciro Gomes (PDT) na última campanha presidencial.

Ciro Gomes (PDT), candidato à Presidência em 2018 — Foto: Agência O Globo

De acordo com o ex-governador do Ceará, se eleito, renegociaria dívidas por meio de bancos públicos e limparia, assim, o nome de 63 milhões de brasileiros que estão no SPC. Esse seria o motor da retomada da economia brasileira, segundo Ciro, caso fosse eleito.

“Fico feliz que ouviram minha proposta e ao menos uma providência este governo desastrado está tomando para ajudar as famílias brasileiras. E fica a lição para Bolsonaro: estudar é muito importante”, completou.

Antes de sofrer o atentado que o tirou de combate na campanha presidencial de 2018, Jair Bolsonaro chegou a debater com Ciro na televisão sobre esse projeto. Disse ele, no evento transmitido pela Band:

“Deus te ajude, Ciro, porque eu confesso que não tenho como pagar essa dívida de uma forma tão simplista como você está propondo aí”, disse o então candidato do PSL, agora no Planalto. Veja o vídeo aqui:

A campanha “Você no Azul”, da Caixa, sejamos justos, é bem mais modesta, e atingirá “apenas” 3 milhões de pessoas. Mas se o plano der certo, o governo Bolsonaro pode decidir “aumentar isso daí”.

Procurado, o governo não comentou as declarações de Ciro, nem informou se tem planos de ampliar o programa de descontos de dívidas da Caixa.

Por Gustavo Ferreira e Isabel Filgueiras, Valor Investe

‘Cansei de dizer que Bolsonaro era despreparado’, diz Ciro

A frase acima é do ex-governador Ciro Gomes (PDT-CE), que voltou a disparar contra o presidente Jair Bolsonaro.

Em entrevista ao blog do George Marques, na “Revista Fórum”, Ciro disse que, em “respeito aos eleitores do seu adversário”, vai esperar os 100 dias de governo Bolsonaro para cobrar resultados.

“Eu não vou fazer uma crítica, mas uma avaliação sistemática com parâmetros objetivos. Porque o Bolsonaro se elegeu com discurso simplório assentado em duas colunas: uma simplificação grosseira do gravíssimo problema de segurança pública e um moralismo de goela que não se sustenta”, disse ao blog.

Para o ex-presidenciável, a falta de preparo de Bolsonaro para o cargo já era sabida por todos.

“Cansei de dizer, até em certo momento mais azedo, de que ele tinha um parafuso a menos, meio tresloucado, cansei de dizer dos problemas desses filhos dele. Eu só não sabia que os problemas com os filhos eram tão graves”, completou.

Vídeo – Ciro Gomes repete irmão: “Lula tá preso, babaca!”

Ciro Gomes repetiu durante a Bienal da UNE, em Salvador, o que seu irmão, o senador Cid Gomes, disse em evento no Ceará durante o segundo turno das eleições de 2018.

“O jovem no bar é obrigado a defender corrupção, aparelhamento do Estado, formação de quadrilha. Isso não é para vocês. Vocês não têm nada a ver com isso”, discursava Ciro, quando alguém da plateia gritou:

“Corrupto!”

“Não sou, não”, respondeu o pedetista. “Eu estou solto. Eu sou limpo, eu sou limpo. Olhe: o Lula tá preso, babaca!”

Ciro repetiu duas vezes a frase.

Parte da plateia aplaudiu, mas a militância petista vaiou e gritou “Lula livre”.

Ciro disse então que ajudou Lula em todas as eleições dele e que foi contra o que chamou de “prisão arbitrária”.

“Ele aceitou os recursos. Desculpa, não sou eu que condenei o Lula. Não está na minha mão liberar Lula. Eu avisei que, se a direita ganhasse as eleições, o Lula ia ficar encarcerado por muito mais tempo. Avisei na campanha. Todo mundo pode vomitar paixão que quiser, mas enquanto a gente ficar assim, acreditando em minorias ínfimas, esmagadoramente derrotados que fomos… Companheiros, nós fomos humilhantemente derrotados por essa estratégia. Insistir nela afunda o Brasil!”

MAIS PERDIDOS QUE CEGOS EM TIROTEIO: Bolsonaro e Guedes pedem ajuda a economista de Ciro Gomes

Mauro Benevides Filho, economista chefe do plano de governo de Ciro Gomes (PDT) atenderá a um convite do governo Jair Bolsonaro (PSL) e irá a Brasília, nesta semana, para apresentar uma proposta de Reforma da Previdência ‘multipilar’ com três eixos, que envolvem assistência social, um regime de repartição e outro de capitalização com a contribuição de patrões e empregados. O encontro tem aval de Ciro, que diversas vezes já se manifestou que a questão da previdência não tem a haver com política, e sim com as contas do país.

O encontro, que faz parte da discussão que o governo está tendo para formatar a proposta que será mandada ao Congresso Nacional, acontecerá na próxima terça-feira, dia 29 de janeiro, às 8h30, com o secretário da Previdência, Rogério Marinho, e com o secretário adjunto, Leonardo Rolim. Na nova estrutura administrativa do Governo Federal, a pasta da Previdência virou secretaria e passou a integrar o Ministério da Economia, comandado por Paulo Guedes.

A proposta a ser levada por Mauro foi elaborada por técnicos e integrou o plano de governo da candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República pelo PDT, no ano passado. Ciro deu o aval para que Mauro, que foi o coordenador da proposta, levasse as sugestões para o Governo eleito, de Jair Bolsonaro. O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), de quem Benevides é auxiliar, também está ciente do encontro.

Ciro Gomes e Mauro Benevides, ambos do PDT

“Nosso entendimento é que não funciona um sistema puro de capitalização (bancado só pelo trabalhador para as aposentadorias). Nós propomos manter o regime de repartição até um determinado valor (R$ 5 mil, segundo sugeriu) e só depois fazer o regime de capitalização, mas com contribuição do trabalhador e dos patrões”, sinaliza o secretário.

O sistema que vem sendo ventilado informalmente pelo Governo prevê o regime de capitalização feito individualmente e com contribuição apenas do trabalhador.

Segundo informações, Paulo Guedes, desafeto de Mauro Benevides, perdido na elaboração do projeto de reforma da Previdencia e sem ter um projeto pronto, teria pedido a interlocutores que procurassem Benevides e lhe pedissem os cálculos feitos acerca da Reforma que foi defendida por Ciro. A equipe economica cirista se gaba de ter um projeto pronto com todos os calculos necessários para a implementação do novo regime. O regime de capitalização tem sofrido críticas e questionamentos acerca de sua implementação por conta de ser de auto custo.

Benevides tem ponderado que a proposta de Ciro se diferenciaria da proposta bolsonarista por não propor um regime de capitalização puro, como é aplicado no Chile. Segundo Benevides, haveria também contribuições ao novo sistema. O modelo proposto por Paulo Guedes é altamente criticado, pois é o mesmo modelo adotado no Chile, e que levou milhões de aposentados chilenos à miséria.

Bolsonaro e Paulo Guedes

O fato de tentar copiar a proposta de Ciro, parece não importar a Guedes, que se vê numa sinuca de bico, com pressão, inclusive internacional, a fazer uma Reforma da Previdência.

Capitalização

“O Chile (um dos primeiros países a privatizar seu sistema de Seguridade Social, adotando a capitalização) já está corrigindo isso. As aposentadorias estão baixas, e o Governo vai mandar ao Congresso de lá uma proposta para que os patrões voltem a aplicar recursos para crescer o bolo”, detalha Mauro, que é deputado federal eleito pelo PDT.

O sistema a ser sugerido ao Governo Federal é multipilar com três eixos básicos. O primeiro é separar a assistência social da Previdência. O segundo é manter o regime de repartição para proventos até R$ 5 mil. E, por último, o regime de capitalização para os benefícios acima deste valor, com contribuição de trabalhadores e também patronal.

“Nesse formato, de contas individuais, não há déficit. Quem determina o valor da aposentadoria é o ‘bolo’ de recursos gerado”, explica.

Para Mauro Filho, a reforma é urgente, e o sistema atual tem números alarmantes. O déficit da União (dos servidores federais) é de R$ 96 bilhões, o dos estados é de R$ 100 bilhões e o do INSS, R$ 200 bilhões, um montante de quase R$ 400 bilhões a ser resolvido.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, não deve participar do primeiro encontro, “mas quem está à frente da parte técnica da reforma é mesmo o secretário Nacional da Previdência, Rogério Marinho”, relatou Benevides.

Em contraponto a PT, Ciro articula movimento de oposição a Bolsonaro

Terceiro colocado na disputa presidencial,  Ciro Gomes articula a formação de um movimento que seja um contraponto à frente de esquerda, mas que também faça oposição ao presidente eleito Jair Bolsonaro no Congresso Nacional.

A ideia é formar uma frente parlamentar com integrantes de partidos como PSB, PSDB, PPS e DEM que não pretendem aderir à base aliada do capitão reformado e que têm resistência ao grupo liderado por siglas como PT e PCdoB.

Pelos cálculos de Ciro, Bolsonaro deve contar com o apoio de cerca de 175 deputados federais da próxima legislatura. O campo oposicionista formado por partidos de esquerda soma em torno de 90. A estratégia é tentar elevar o último número para pelo menos 120.

“O objetivo é ampliar a centro-esquerda. Eu imagino que o PSDB não vai querer se associar ao PT e, pelo menos a parte mais sadia da sigla, não vai querer se associar ao Bolsonaro. E por antipetismo vamos ficar longe deles?”, disse Ciro à Folha.

O pedetista não exclui a participação de petistas no movimento, mas critica a formação de uma frente de esquerda articulada pelo partido. Segundo ele, ela seria uma “mentira da burocracia petista” para enganar “abestados”.

“Francamente, não excluo o PT. Apenas não podemos permitir que o PT venha exercitar a sua fraude em cima desse momento tão crítico do país”, disse.

Para ele, além de fazer oposição ao governo, a ideia é que o movimento de centro-esquerda funcione como uma “guarda da institucionalidade democrática”, protegendo o interesse nacional e e o direitos das classes mais pobres.

“O deputado federal Onyx Lorenzoni [ministro da Casa Civil deBolsonaro] é do DEM. O que vai acontecer com o DEM? Vamos entregar de barato ou temos uma conversa com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia?”, questionou.

A ideia é que, na próxima semana, Ciro visite Brasília para intensificar conversas para a formação do movimento. Os partidos do chamado centrão, como PP e PSD, também devem ser procurados.

Nesta terça-feira (30), o juiz federal Sergio Moro disse estar honrado com um eventual convite de Bolsonaro para integrar a sua administração. Para Ciro, é melhor que Moro seja indicado para o Ministério da Justiça do que ao STF (Supremo Tribunal Federal).

“Acho Moro um juiz político, politiqueiro. Então, é muito melhor que ele fique no Ministério do que no Supremo. Ele deveria assumir logo a política. A aptidão dele para a política é completa. Só que com a toga vira uma aberração”, criticou.

DATAFOLHA CONFIRMA: Só Ciro Gomes (47%) vence Bolsonaro (43%) no segundo turno

O Datafolha divulgou neste sábado (6) o resultado da mais recente pesquisa de intenção de voto na eleição presidencial. Desde a última pesquisa do instituto, divulgada no dia 4, e realizada nos dias 3 e 4 de outubro, o primeiro colocado, Jair Bolsonaro oscilou um ponto para cima, e o segundo colocado, Fernando Haddad se manteve estável.

A probabilidade de os resultados retratarem a realidade é de 95%, considerando a margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos. A pesquisa ouviu 19.552 eleitores entre quinta-feira (5) e sábado (2).

Votos válidos

 Simulações de segundo turno
  • Bolsonaro 45% x 43% Haddad (branco/nulo: 10%; não sabe: 2%)
  • Ciro 47% x 43% Bolsonaro (branco/nulo: 8%; não sabe: 2%)
  • Bolsonaro 43% x 41% Alckmin (branco/nulo: 13%; não sabe: 2%)
  • Alckmin 41% x 38% Haddad (branco/nulo: 18%; não sabe: 2%)

‘Sou o único capaz de derrotar Bolsonaro’, diz Ciro Gomes

De passagem pela favela da Rocinha , nesta sexta-feira, o candidato do PDT à Presidência,Ciro Gomes , disse que “não é razoável” pedir a nenhum dos concorrentes ao Planalto que desista de sua candidatura para apoiar outras na tentativa de chegar ao segundo turno.

– O que é razoável é pedir ao eleitorado. Eu sou o único capaz de derrotar o Bolsonaro. O PT perdeu a condição de unir o Brasil. Eu tenho o melhor projeto, a experiência e a ficha limpa. Vou lutar até às 17h do dia 7 para proteger o país do fascismo – disse.

Apesar das últimas pesquisas, que colocam Ciro em terceiro lugar na disputa, mas distante de Fernando Haddad (PT), na segunda posição, o candidato do PDT disse estar confiante de que até o dia das eleições, no domingo, vai haver uma virada.

– É completamente provável (a virada). É só olhar o que aconteceu com as pesquisas nas eleições passadas. O segundo turno era entre Marina e Dilma e a história foi outra – afirmou.

A penúltima pesquisa Datafolha do primeiro turno das eleições presidenciais, divulgada ontem, mostrou que Jair Bolsonaro (PSL) avançou para 35% das intenções de voto e Haddad tem 22%. Na sequência, Ciro aparece com 11%.

O levantamento simulou cenários para o segundo turno. O confronto entre Bolsonaro e Haddad mostra um empate técnico, com vantagem numérica para o candidato do PSL: 44% a 43%. A disputa entre Bolsonaro e Alckmin também seria apertada: 43% a 42% para o tucano. Ciro é o único com vantagem mais folgada em relação ao capitão: venceria por 48% a 42%.

Perguntado sobre as características que o diferenciam positivamente em comparação a Haddad para enfrentar Bolsonaro, Ciro disse ter experiência chancelada pelo povo do Ceará. Para ele, o candidato petista não tem condições de enfrentar a “onda fascista”.

Ciro diz que aceitaria encabeçar chapa de união com Alckmin e Marina

A possibilidade de uma chapa “Alcirina” – Alckmin, Ciro e Marina –, defendida por um manifesto virtual contrário à polarização PT x Bolsonaro, foi bem recebida nesta quarta-feira (3) pelo candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, durante agenda com a Juventude Pedetista, em São Paulo.

Pelo manifesto, Ciro seria a alternativa mais viável a chefiar uma candidatura comum e evitar, com isso, clima de maior animosidade em um eventual segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Ambos aparecem, respectivamente, na liderança e na vice-liderança das últimas pesquisas Ibope e Datafolha de intenção de votos.

Indagado sobre uma chapa “Alcirina”, o pedetista avaliou: “Não gosto de oportunismos; só estou na política porque aposto na inteligência do povo brasileiro. Me honra muito a ideia de que eu possa ser o estuário de todos”, disse.

Por outro lado, o presidenciável declarou não poder “cometer a indelicadeza” de, na condição de adversário de Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa, “pedir a eles que desistam de suas candidaturas”.

“Isso é algo que só eles podem decidir”, disse.

Questionado se aceitaria incorporar pontos dos planos de governo de Marina e Alckmin, ele respondeu: “Ah, sim. Da Marina, quase todos –com exceção da autonomia do Banco Central. Ela mesmo não acredita nisso e aceitou porque tem uma ‘banqueirada’ aí avizinhada a ela”, disse. “No resto, a Marina é uma pessoa que trabalha pelo Brasil, é íntegra, de boa fé, decente, gosta do povo.”

“E do Alckmin [incorporaria] algumas coisas: o IVA [Imposto sobre Valor Agregado] ele copiou de mim, está em um livro meu de 1995”, disse. Ao ser lembrado que o IVA é adotado já na Europa, Ciro justificou: “Peguei o melhor da prática internacional; evidente que não inventei a roda”.

O pedetista foi taxativo ao responder se aceitaria apoio de Marina e Alckmin caso eles o procurassem: “Muito evidente que sim, porque a tarefa agora é proteger a democracia brasileira.”

O comando da campanha de Alckmin refutou o manifesto “Alcirina”. “Manifesto sem autor, sem sentido e sem a menor chance de acontecer. Único acordo possível é com o povo no dia 7 de outubro”, disseram os tucanos, em nota.

Também procurada, a campanha de Marina não se pronunciou sobre o assunto até esta publicação.

“O PT criou o Bolsonaro, e o Bolsonaro criou o PT”

Terceiro colocado nas pesquisas, o pedetista reforçou o discurso dos últimos dias de que representa uma terceira via competitiva, já que Marina despencou nas intenções de voto em comparação com o início da campanha –no Ibope, chegou a pontuar 16%; esta semana, apareceu com 4% –, e Alckmin estagnou abaixo de 10%.

“Estamos criando uma liderança nova para o país, afinal, este é o sentido da minha presença nessa luta: quis criar um campo novo, porque acho que o PT criou o Bolsonaro, e o Bolsonaro criou o PT na proporção [de antipetismo] que estamos vendo hoje”, definiu.

O pedetista cogitou, de forma hipotética, um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad. “O que vai acontecer? Bolsonaro vai passar o tempo inteiro chamando Haddad para mostrar as contradições da prisão do Lula, do petróleo, do mensalão, da perda da eleição em São Paulo [em 2016]. Que horas vamos discutir emprego, salário, saúde e a violência que campeia impune pelo país afora?”, indagou.

O manifesto que defende a candidatura “Alcirina” é semelhante à carta publicada dias atrás pelo ex-presidente da República e presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, embora não a cite. Na carta, o tucano pedia que se contivesse “a marcha da insensatez”, por exemplo, por meio da união das candidaturas de centro. Ontem, no entanto, FHC encabeçou manifesto de mais de 90 intelectuais em defesa de Alckmin, presidente nacional de seu partido.

Segundo a mensagem de FHC, que pedia a união do centro contra a polarização PT x Bolsonaro, “qualquer dos polos da radicalização atual que seja vencedor terá enormes dificuldades para obter a coesão nacional suficiente e necessária para adoção das medidas que levem à superação da crise”.

 

Datafolha: Haddad estaciona e Ciro vence Bolsonaro no 2º turno

O Datafolha divulgou nesta terça-feira, 2, sua pesquisa mais recente de intenções de voto para presidente da República e, assim como o Ibope, o instituto mostrou um crescimento de quatro pontos de Jair Bolsonaro (PSL) que continua liderando a corrida no primeiro turno com 32%. Fernando Haddad (PT) aparece em segundo lugar com 21%.

Ciro Gomes (PDT) continua na terceira posição com 11%, seguido por Geraldo Alckmin (PSDB) que soma 9% e Marina Silva (Rede) 4%.

Confira:

Jair Bolsonaro (PSL): 32%
Fernando Haddad (PT): 21%
Ciro Gomes (PDT): 11%
Geraldo Alckmin (PSDB): 9%
Marina Silva (Rede): 4%
João Amoêdo (Novo): 3%
Henrique Meirelles (MDB): 2%
Alvaro Dias (Podemos): 2%
Cabo Daciolo (Patriota): 2%
Guilherme Boulos (PSOL): 0%
João Goulart Filho (PPL): 0%
Eymael (DC): 0%
Vera Lúcia (PSTU): 0%
Branco/nulos: 8%
Não sabe/não respondeu: 5%

Segundo turno

Ciro 42X% x 37% Alckmin (branco/nulo: 19%; não sabe: 2%)

Alckmin 43% x 41% Bolsonaro (branco/nulo: 14%; não sabe: 2%)

Ciro 46X% x 42% Bolsonaro (branco/nulo: 10%; não sabe: 2%)

Alckmin 43% x 36% Haddad (branco/nulo: 19%; não sabe: 2%)

Bolsonaro 44% x 42% Haddad (branco/nulo: 12%; não sabe: 2%)

Ciro 46X% x 32% Haddad (branco/nulo: 20%; não sabe: 2%)

Rejeição

Quando questionado sobre em quais candidatos os eleitores não votariam de jeito nenhum, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, continua liderando com 45% de rejeição, seguido por Fernando Haddad com 41% e Marina Silva com 30%.

Confira:

Bolsonaro: 45%

Haddad: 41%

Marina: 30%

Alckmin: 24%

Ciro: 22%

Meirelles: 15%

Boulos: 15%

Cabo Daciolo: 14%

Alvaro Dias: 13%

Vera: 13%

Eymael: 12%

Amoêdo: 12%

João Goulart Filho: 11%

Rejeita todos/ não votaria em nenhum: 3%

Votaria em qualquer um/ não rejeita nenhum: 1%

Não sabe: 4%

A pesquisa Datafolha, encomendada pelo jornal “Folha de S.Paulo“, ouviu 3.245 eleitores em 225 municípios. A pesquisa foi realizada nesta terça-feira, 2, possui índice de 95% de confiança e pode ser consultada no TSE sob o registro BR-03147/2018.

“Brasil está obrigado a escolher entre o ‘coisa ruim’ e o PT?”, questiona Ciro Gomes

O candidato do PDT à PresidênciaCiro Gomes, acredita que as eleições no Brasil estão abertas e indefinidas apesar das pesquisas de opinião apontarem avanço do presidenciável do PT, Fernando Haddad, e uma consolidação no primeiro lugar de Jair Bolsonaro (PSL), que foi chamado pelo pedetista de “coisa ruim”.

Ciro argumentou que os institutos de pesquisa não podem escolher candidatos para os eleitores e lembrou que nos próximos dias haverá debates em três grandes emissoras de TV que podem mexer com as intenções de voto. Além disso, destacou que há ainda um grande número de indecisos, especialmente as mulheres.

“Acredito muito que o povo brasileiro vai usar esses últimos dias para pensar e que as pesquisas são apenas um momento”, disse a jornalistas, ao criticar os dois principais oponentes.

“Será que o Brasil aguenta projetar a crise de 2014 que não se evadiu até hoje? Será que está obrigado a escolher entre o coisa ruim e a volta do PT?”, acrescentou.

Ciro lembrou os dias que antecederam a eleição de 2014 para colocar em cheque o desempenho nas pesquisas e voltou a levantar suspeitas sobre a idoneidade das sondagens do Ibope, que na segunda-feira mostrou uma vantagem de 11 pontos de Haddad sobre ele.

“Em 23 de setembro de 2014 o Ibope dizia que Dilma tinha 37, Marina 32 e Aécio 19 e o resultado foi completamente diferente. A população agora não decidiu ainda e temos três debates fundamentais nas três maiores emissoras de TV, tem manifestações marcantes de mulheres. Apostem: a campanha está em aberto”, disse.

“Neste país se compra e se vende até deputado e será que instituto de pesquisa está imune a esse poder avassalador do dinheiro e da corrupção no Brasil?”, questionou, ao devolver pergunta dirigida a ele sobre suspeitas levantadas em relação às pesquisas por seguidores do pedetista na internet.

Pesquisa Ibope divulgada na noite de segunda-feira mostrou Bolsonaro, com 28 por cento das intenções de voto, seguido por Haddad, com 22 por cento, Ciro, com 11 por cento, e Geraldo Alckmin (PSDB), com 8 por cento.

O levantamento de 23 de setembro de 2014 mostrava a então presidente Dilma Rousseff com 38 por cento, seguida por Marina Silva, com 29 por cento, e Aécio Neves (PSDB), com 19 por cento. Nos últimos dias, o tucano ultrapassou Marina e foi para o segundo turno contra Dilma.

Petróleo

Pelo segundo dia seguido, Ciro fazia campanha no Estado do Rio de Janeiro e nesta terça fez uma tímido e rápido corpo a corpo em Duque de Caxias, violento município da Baixada Fluminense, onde fica uma das principais refinarias da Petrobras, a Reduc (Refinaria de Duque de Caxias).

O candidato reiterou que no setor de petróleo vai expropriar áreas que foram concedidas no governo Temer mediante a indenização dos compradores.

O pedetista declarou que vai restaurar a Lei de Partilha, criada no governo do PT, mas que sofreu mudanças na gestão Temer. Uma das principais alterações foi pôr fim à obrigatoriedade de que a Petrobras tenha ao menos 30 por cento das áreas no pré-sal.

Essa semana, o governo vai realizar no Rio mais uma rodada no regime de partilha de produção quando serão ofertadas quatro áreas no pré-sal, considerado a fronteira mais atrativa do mundo na atualidade. Empresas estrangeiras de grande porte e a Petrobras estão habilitadas para participar do leilão organizado pela ANP.

No governo Temer, além da alteração no regime de partilha vários leilões foram feitos tanto do regime de partilha de produção quanto no modelo de concessão. Para especialistas essa foi uma das poucas áreas do governo que avançou desde que o presidente Michel Temer assumiu em função do impeachment de Dilma Rousseff.

Ciro disse que não faz sentido manter as mudanças promovidas por Temer e levantou suspeitas sobre o atual governo.