Flávio Bolsonaro empregou esposa e mãe de miliciano foragido

O senador eleito Flávio Bolsonaro empregou, em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) até novembro de 2018, a mãe e a esposa do capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, que está foragido desde esta terça-feira (22) acusado de ser um dos chefes da mais antiga milícia da cidade. Nóbrega seria líder do chamado Escritório do Crime, grupo suspeito de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol).

A mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, e a mulher, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, trabalharam no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Alerj até novembro de 2018, quando foram exoneradas. Ambas ocupavam o cargo CCDAL-5, com salários de R$ 6.490,35. Raimunda trabalhou no gabinete do senador eleito desde 2016, enquanto Danielle foi funcionária Alerj desde 2010.

Raimunda é uma das servidoras que fizeram repasses para a conta de Fabrício Queiroz. A investigação sobre ex-assessor teve início após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em contas do ex-segurança e ex-motorista de Flávio Bolsonaro. O relatório do Coaf foi anexado às investigações do MP-RJ sobre o pagamento de mesada a deputados estaduais do Rio de Janeiro em troca de apoio ao governo de Sérgio Cabral (MDB).

Ex-integrante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Adriano já foi preso em 2011 nas investigações da na operação “Dedo de Deus”, que combatia a prática do jogo do bicho.

Em nota, a defesa de Flávio Bolsonaro se defendeu das acusações, mas confirmou que as funcionárias foram indicadas por Queiroz.

Miliciano foi homenageado por Flávio Bolsonaro

Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope e suspeito de integrar milícia foi homenageado por Flávio Bolsonaro
Divulgação

Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope e suspeito de integrar milícia foi homenageado por Flávio Bolsonaro

Durante sua passagem pela Alerj, Flávio Bolsonaro fez duas homenagens para Adriano Magalhães da Nóbrega. Em 2003, ele apresentou uma moção de louvor ao PM, que na época era 1º tenente e comandante da guarnição de Patrulhamento Tático Móvel (Patamo) do 16º BPM (Olaria).

Já em 2005, ele concedeu a Adriano a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria do parlamento fluminense, destacando o currículo do agente. Flávio também apresentou uma moção de louvor ao major Ronald Paulo Alves Pereira, que também foi alvo de mandado de prisão nesta terça-feira. Ronald já foi detido.

Adriano Magalhães da Nóbrega é alvo da Operações Os Intocáveis, realizada pelo  Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que visa coibir a grilagem de terras na zona oeste do Rio de Janeiro. De acordo com a investigação, suspeita-se que Adriano faça parte do chamado Escritório do Crime, braço armado da milícia , especializado em assassinatos por encomenda. A polícia trabalha com a linha de investigação de que o grupo é responsável pela execução da morte da vereadora.

Em Davos, Bolsonaro passa vergonha e cita dados errados sobre meio ambiente e governo

O presidente Jair Bolsonaro discursou e respondeu a uma sequência de perguntas nesta terça-feira (22), durante sessão plenária do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Aos Fatos está checando algumas de suas declarações.

Acompanhe, abaixo, o resultado.


FALSO

Somos o país que mais preserva o meio ambiente.

Como o país não aparece na primeira colocação nem na porcentagem de área florestal preservada, nem no ranking mundial de sustentabilidade, não é possível dizer que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente.

Se Bolsonaro estiver falando de área de florestas preservadas, o Brasil ocupa a 30ª posição. Em 2015, segundo o estudo do Banco Mundial, o país possuía 59,9% de sua área preservada. Os países que possuem a maior porcentagem de área preservada são Suriname (98,3%), Micronésia (91,8%) e Gabão (89,3%). Países como a Suécia (68,9%) e o Japão (68,5%) também estão acima do Brasil.

A afirmação continuará incorreta mesmo se o presidente se referir ao grau de sustentabilidade do país. O Brasil, no último Enviromental Perfomance Index, apareceu na 69ª posição. Nas primeiras colocações estão a Suíça, a França e a Dinamarca. O estudo é feito pelas Universidades de Yale e Columbia, em colaboração com o Fórum Econômico Mundial, e utiliza 24 indicadores — entre eles a emissão de gases, a proteção da biodiversidade e a porcentagem de água potável — para fazer um ranking de 180 países.


FALSO

30% do nosso território são florestas.

O presidente citou esse dado na sessão de perguntas e respostas que seguiu seu discurso. Na verdade, a proporção de florestas que cobrem o território nacional é o dobro do mencionado por Jair Bolsonaro. Segundo dados de 2015 do Banco Mundial, que têm como fonte a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, o Brasil tem 59% de seu território coberto por florestas — são 4,9 milhões de km2.

Já segundo dados do Serviço Florestal Brasileiro, cerca de 61% do território nacional é coberto por vegetação nativa, distribuída nos cinco biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal.


CONTRADITÓRIO

Nossas relações internacionais serão dinamizadas pelo ministro Ernesto Araújo, implementando uma política na qual o viés ideológico deixará de existir.

Queremos tirar o viés ideológico dos nossos negócios. Não queremos viés nem de um lado nem de outro, visando o comércio com aqueles no mundo que têm práticas semelhantes a nós.

Nós representamos para o povo brasileiro um ponto de inflexão, onde repito, a questão ideológica vai ficar de fora disso tudo.

Bolsonaro mencionou três vezes em sua fala em Davos que conduzirá um governo sem viés ideológico, inclusive nas relações internacionais. Essas declarações entram em contradição com falas antigas do político. Bolsonaro já afirmou antes do período eleitoral que pretendia impor restrições a entrada de capital chinês no Brasil e desconvidou apenas países autoritários de esquerda para a posse presidencial. Além disso, a agenda de Bolsonaro no fórum está restrita a encontros bilaterais com líderes de governos nacionalistas e conservadores. Por esse motivo, a declaração de Bolsonaro foi considerada CONTRADITÓRIA.

Antes das eleições, em outubro de 2017, em entrevista à Bloomberg, Bolsonaro afirmou que China “não tem coração” sugeriu restringir o acesso do asiáticos a setores considerados por ele como estratégicos no país. “A China vem jogando War, em especial no Brasil”.

Nos preparativos da posse presidencial, Bolsonaro também solicitou que fossem desconvidados para a cerimônia Venezuela e Cuba, dois países com ditaduras de esquerda. O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo também informou na conta pessoal no Twitter, que o governo não receberia nenhum representante da Nicarágua na posse, outro governo autoritário de esquerda. Outros países com regimes autoritários, como a Arábia Saudita, por exemplo, não sofreram restrições para participar da cerimônia.

Além disso, a agenda de encontro bilaterais de Bolsonaro durante o Fórum Econômico Mundial inclui apenas encontro com países comandado por líderes nacionalistas e conservadores, contrastando com o discurso segundo o qual as relações internacionais brasileiras não teriam “viés nem de um lado nem de outro”. O presidente brasileiro deve encontrar com líderes da Polônia, República Tcheca, Japão, Itália e Suíça.


CONTRADITÓRIO

Pela primeira vez no Brasil um presidente montou uma equipe com ministros qualificados, não aceitando ingerências político partidárias que no passado apenas geraram ineficiência do estado e corrupção.

Essa declaração já foi checada anteriormente por Aos Fatos no discurso de posse do presidente. Ainda assim, ele segue repetindo — em Davos, Bolsonaro mencionou não ter participado de negociações político-partidiárias para compor sua equipe duas vezes. Trata-se, entretanto, de uma CONTRADIÇÃO. Bolsonaro diz fazer algo, mas, na prática, a coisa é outra.

Na fase de transição de governo, quando sua equipe era montada, Bolsonaro não estabeleceu alianças do mesmo modo que administrações anteriores costumavam fazer. Suas negociações com o Congresso foram guiadas por interlocutores de bancadas, e não exclusivamente dos partidos (o Legislativo terá maior fragmentação partidária do que em gestões anteriores). Isso não significa, no entanto, que não haja interesses políticos em jogo.

O presidente, que recebeu apoio das bancadas ruralista e evangélica durante a campanha, integrou membros das respectivas frentes parlamentares em sua equipe de governo. Essas bancadas têm interesses políticos bem claros: a bancada ruralista pressionou por dar aval ao indicado ao Ministério do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que teve apoio de entidades ligadas ao setor, além do ramo da construção civil, além de ter emplacado a indicação da deputada Tereza Cristina no Ministério da Agricultura.

Ainda quando candidato, o presidente também tentou estabelecer alianças partidárias, mas fracassou. O próprio Bolsonaro chegou a negociar com o PR, um dos partidos do centrão, para que o senador Magno Malta fosse o vice da sua chapa presidencial, mas a negociação não foi para frente. O esperado era que Malta assumisse o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, mas a pasta acabou ficando com sua ex-assessora, Damares Alves.

Portais de notícias ligados à Amidi estariam comprando acessos através de robôs para garantir maior verba publicitária

Uma fonte revelou ao Polítika que portais membros da Associação de Mídias Digitais da Paraíba (AMIDI), que se apresenta como representante dos sites e blog do estado, mas carece de respaldo e reconhecimento no meio, estariam comprando acessos através de robôs.

A fonte relata que conversou com um profissional que promete mil acessos ao valor de R$ 10, podendo “entregar” até meio milhão de acessos em um mês. A fonte revelou ainda que o tal profissional teria trabalhado em dois portais membros da Amidi, curiosamente os dois portais sempre apareceram no topo do ranking do Alexa.

O portal Tá na área também fez uma denúncia parecida nesta terça-feira, 22:

A desconfiança que portais da Paraíba usam robôs para ganhar acessos e liderar audiência é antiga. Mas agora, além da vaidade, há um fator financeiro. Criada para fazer lobby para um pequeno grupo de amigos, a Amidi apresentou ao Tribunal de Contas do Estado um novo modelo de repartição das verbas publicitárias institucionais destinadas aos sites e blogs.

Na proposta da Amidi, as agências de publicidade devem estabelecer o valor dos contratos de veiculação de banner de acordo com o acesso dos portais no Google Analytics. Ou seja, quem contrata mais robôs vai ficar com a maior parte da verba publicitária.

A ganância do membros da Amidi tem gerado insatisfação entre os portais e blogs que sequer sabiam da existência de tal entidade e muito menos a tem como representante.

Além de não representar legalmente essa categoria de profissionais, a Amidi está com suas obrigações legais irregulares.

Nesta terça-feira (22), circulou nos grupos de mensagens, prints em que apontam tais irregularidades da AMIDI. Segundo os documentos, a “Associação” encontra-se inapta por omissão de declarações.

Ainda nesta terça-feira, um grupo de jornalistas também se reuniu e divulgou, através de texto publicado em um site paraibano, uma série de erros envolvendo a associação, tais como o fato da sede da associação ser uma incógnita, os filiados “um mistério à parte”, o site oficial estar há anos fora do ar – http://www.amidi.online/ – , o perfil no Facebook não ser atualizado desde novembro de 2015, além de ninguém ter visto a Ata de Fundação ou o Estatuto Social ou sequer saber como, quem ou quais critérios abalizaram a eleição de seu presidente e diretoria.

Confira os documentos em que apontam tais irregularidades existentes nessa AMIDI.

400 APARTAMENTOS: Luciano Cartaxo confere andamento dos trabalhos do Residencial Saturnino de Brito e obras já estão 95% prontas

A obra dos apartamentos do Residencial Saturnino de Brito já esta 95% pronta e os detalhes de acabamento estão sendo executados também nas áreas externas para que o prefeito Luciano Cartaxo faça a entrega das chaves e dê um fim definitivo a mais uma área de risco da Capital. O residencial é um conjunto de 400 apartamentos onde irão morar mais de 1.600 pessoas reassentadas que antes viviam em casas no sopé da barreira, sujeitos a deslizamentos de terra e alagamentos. A obra se assemelha ao que já foi realizado no Timbó e no São José, onde os moradores ganharam vida nova com os apartamentos entregues pela atual gestão da Prefeitura Municipal de João Pessoa  (PMJP).

Na manhã desta segunda-feira (21), o prefeito Luciano Cartaxo, realizou uma visita técnica às obras do residencial para verificar o andamento dos trabalhos e conferir as próximas etapas antes da entrega à população. Para o prefeito, a obra é uma demonstração do compromisso que a atual gestão tem com a população da Capital, por trabalhar por quem mais precisa, devido ao importante valor social, e do enfrentamento aos desafios da cidade que até então não haviam sido encarados pelas gestões anteriores

“Esta é uma ação histórica da Prefeitura na comunidade Saturnino de Brito, assim como também para os moradores do Renascer. Eles aguardavam há décadas por uma intervenção como esta, primeiro na questão da habitação, já que vamos tirar as pessoas da área de risco para morar em um apartamento de extrema qualidade. Mas, além disso, estamos fazendo uma intervenção de infraestrutura no entorno para atender também às pessoas que moram na comunidade”, afirmou o prefeito Luciano Cartaxo.

Enquanto aguardam a entrega das chaves do que serão seus novos lares, o medo dos deslizamentos já não é mais realidade para estas famílias que foram retiradas da PMJP do local e estão vivendo em segurança com o auxílio-moradia oferecido pelo governo municipal. A primeira mudança significativa para quem vive na comunidade foi a construção do muro de contenção. Com esta obra, as pessoas que moravam às margens ou sobre a antiga barreira e sofriam com inundações e riscos de soterramento, durante o período chuvoso, foram retiradas do local e cadastradas.

“Agradeço a Deus todos os dias por finalmente estar vendo esta obra ser realizada. Moro aqui há 51 anos e já vi muita coisa ruim, muita gente morrendo embaixo da barreira, lama passando por dentro de casa e pessoas pedindo abrigo em dias de chuva. Mas muita gente agora está feliz e contando os dias para morar no Residencial”, afirmou Suzelane Cristina dos Santos, moradora da comunidade.

O Residencial está distribuído em 25 blocos de quatro pavimentos. Neles, vão morar aproximadamente 1.600 pessoas, mas as obras beneficiam, indiretamente, mais de 3 mil pessoas, devido às obras de infraestrutura já realizadas ou em andamento. O investimento nas obras do Residencial é de R$ 26 milhões.

Marcos Vinícius visita presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba e destaca relação institucional durante o biênio

O vereador, Marcos Vinícius Nóbrega (PSDB), visitou na manhã desta segunda-feira (21) o presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba (TJPB), Desembargador, Joás de Brito Pereira, acompanhado dos seus ex-auxiliares durante o biênio em que presidiu a Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP).

Marcos registrou a ótima relação institucional que teve com o Tribunal de Justiça durante o período em que presidiu a Câmara Municipal de João Pessoa. “Tivemos parcerias bem sucedidas, inclusive através da TV Câmara de João Pessoa, que disponibilizou em sua grade horário para o TJ/PB”. Tal parceria também foi registrada pelo presidente, Joás de Brito, que reiterou a importância da TV Câmara como espaço para a divulgação da atuação do Judiciário.

O Desembargador, Joás de Brito, registrou ainda a qualidade do ciclo de palestras realizadas pela Câmara durante os anos de 2017 e 2018 (Câmara 70 Anos e Diálogos da Democracia) quando alguns dos maiores nomes do País estiveram em João Pessoa para debater os desafios para o Brasil.

Estiveram presentes: o ex-diretor geral, Carlos Santos, o ex-procurador da Casa, Antonio Paulo Rolim e o ex-secretário de Comunicação, Janildo Silva.

A queda moral dos bolsonaristas

O escândalo que envolve Flávio Bolsonaro e a própria família do presidente da República vem se revelando bem mais grave do que parecia no início: suspeita de lavagem de dinheiro, de corrupção e até de envolvimento com as milícias. Este escândalo tem um grande alcance na disputa política em geral e na disputa pelo poder. Ele representa a queda moral dos bolsonaristas, pois eles eram os detentores quase exclusivos do discurso moral, condição que lhes dava grande vantagem estratégica já que os mantinha na ofensiva retórica e embretava seus adversários, principalmente o PT, numa já prolongada defensiva.

Se a queda moral dos bolsonaristas ainda não representa uma reversão das posições ofensiva/defensiva na relação com o PT e o campo progressista, ao menos, no momento, equilibra um pouco mais o jogo nas escaramuças e do fogo cruzado da política entre governistas e oposicionistas. O desfecho da luta pela ocupação da posição ofensiva vai depender do desdobramento da crise, das ações do governo, das ações da oposição e da virtude e capacidade dos líderes em conduzir as batalhas.

É importante observar que nenhuma força que detém o poder conseguirá mantê-lo se estiver numa longa defensiva moral. Da mesma forma, nenhuma força de fora do poder conseguirá vitórias significativas se estiver na defensiva moral. Na política brasileira recente sobram exemplos para ilustrar essas situações. Mesmo no campo militar, a defensiva moral é coveira de forças poderosas. Basta lembrar o exemplo dos Estados Unidos no Vietnã: lutavam uma guerra injusta que os colocou na defensiva moral junto à opinião pública interna e internacional, fator decisivo na sua derrota e retirada dos americanos. Ocorre que a defensiva moral erode a autoridade, a legitimidade, a confiança e o ânimo de quem a carrega, por mais meios de poder que detenha.

A moralidade, assim como a perversidade e o egoísmo, é uma potência inerente à natureza humana. Sua aspiração torna-se mais forte à medida em que as sociedades se humanizam e se civilizam, afirmam direitos, justiça, igualdade e liberdade. A exigência de conduta moral tornou-se um paradigma do republicanismo clássico por entender que o Estado deve ser res publica. E daí vem o forte repúdio às práticas de corrupção.

A exigência de moralidade na vida pública, no entanto, não está isenta de problemas. Ocorre que o discurso moral pode ser manipulado e tornar-se moralismo. O moralismo  pode ser entendido como aquela atitude que se empenha em moralizar todas as coisas e situações sem expressar uma compreensão sobre as quais o moralismo se manifesta. Assim, o moralismo se esvazia de conteúdo e se torna uma mera retórica incitadora de valores igualmente vazios. Veja-se, como ilustração, a fórmula “O Brasil acima de todos e Deus acima de tudo”. O que significa isto? Nada! Trata-se de um mero formalismo, carente de qualquer conteúdo, de qualquer significado real.

Ocorre que o moralismo vem imbricado com uma aspiração justa: o combate à corrupção, embora o moralismo seja incapaz de combate-la, pois esta requer leis pertinentes de punibilidade, a certeza de sua aplicabilidade e mecanismos de controles públicos e sociais do poder. Ademais, o moralismo vem carregado com as ideias de purificação, de pureza e de limpeza, mesmo que esta seja feita pelos instrumentos demoníacos da violência. O moralismo político, por ser um ardil na busca do poder ou de sua manutenção, sugere a violação da Constituição e das leis em nome da pureza. Ele contamina a decisão judicial, pois os juízes emitem sentenças, não a partir da Constituição, das leis e da técnica jurídica, mas a partir de sua vontade moral. Contamina as políticas públicas, pois estas também são moldadas a partir dos valores morais dos agentes públicos e políticos e não a partir das necessidades e dos direitos sociais dos cidadãos. Contamina também a elaboração legislativa, pois a carga moral conservadora privilegia grupos específicos e bloqueia direitos civis e políticas sociais necessárias.

O moralismo, em nome de valores genéricos e vazios, escamoteia os que são os verdadeiros injustos e os injustiçados e disfarça a injustiça real assentada na desigualdade, pois a sua clivagem é entre os puros e os impuros. O moralismo é uma forma de autoritarismo e pode generalizá-la, pois, em nome dos valores morais, a alteridade é negada e pretende-se construir a nação como  um lugar exclusivo para os iguais iniciados na comunidade dos puros. Em regra, os moralistas são hipócritas já que não praticam o pregam e usam o próprio moralismo não para uma melhora moral da sociedade, mas para conquistar e manter o poder. Não há um conteúdo moral no moralismo, mas mero uso instrumental.

Note-se que quase todos os políticos que foram às ruas exigir moralidade pública e o impeachment de Dilma se revelaram como moralistas sem moral, pois eram corruptos juramentados. O sistema, corrupto que era de fato, entrou em colapso, mas não foi superado. Valendo-se dessa situação, Bolsonaro apresentou-se como o último baluarte da moral e como o candidato antissistema. Sem que se completassem ainda 30 dias de governo, esse baluarte ruiu e mergulhou nas profundezas apodrecidas do sistema. A família Bolsonaro emergiu desse lodo como uma família de moralistas sem moral. Com isso, Bolsonaro perdeu a pureza e a condição de ser o eleito de Deus, por revelar-se um pecador.

Há que se notar que o discurso moralista tem uma grande capacidade persuasiva e de convencimento nos momentos das disputas, pois ele se isenta de fornecer explicações racionais. Este poder persuasivo aumenta se a sociedade está desesperançada, mergulhada na crise e nas vicissitudes do desemprego e da pobreza. Todo o mal é atribuído à corrupção que, de fato, é um mal, mas não o único e talvez nem o mais importante. Já o moralismo instalado no poder é um instrumento frágil de sua manutenção, pois o elemento mais valioso da manutenção do poder são os resultados proporcionados pelo governante em benefício dos governados. Quando os governados se sentem enganados, a sua cobrança por resultados será mais incisiva e o  repúdio ao governo fracassado será ainda mais contundente. Este agora é o grande risco de Bolsonaro que poderá ver sua lua de mel com os eleitores drasticamente reduzida.

O equacionamento da crise Queiroz-Bolsonaro não é fácil. A solução mais radical seria a renúncia de Flávio ao mandato de senador. O presidente Jair Bolsonaro, claro, não pode ser imputado pelos elementos do escândalo, mas pode ser investigado, o que o enfraquecerá politicamente. Se a crise se agravar, poderá ocorrer um aumento da tutela dos militares sobre o presidente. Se se tornar incontrolável, no limite, poderá ser pressionado a renunciar. Mas a hipótese mais provável é que ele permaneça na presidência sob forte tutela dos generais de seu governo.

Bolsonaro, seus filhos e os bolsonaristas não poderão mais atacar Lula, a esquerda, o PT, o PSol e os movimentos sociais com a mesma desenvoltura que vinham atacando. As oposições agora também estão municiadas para o fogo cruzado. O Ministério Público, o Judiciário e Sérgio Moro foram postos contra a parede pela crise. Ou darão respostas claras e convincentes à sociedade ou a máscara enganosa de sua imparcialidade será rasgada para revelar rostos acabrunhados ou desavergonhados da cumplicidade com a corrupção e com o crime.

A crise Queiroz-Bolsonaro é a continuidade da crise anterior, é a crise de um sistema falido que não quer morrer. É a crise da incapacidade das forças políticas em reformar o sistema. É a crise da falta de lideranças virtuosas e corajosas. O que se tem são políticos acostumados à política miúda, aos conchavos, à manutenção de uma ordem institucional ineficiente que esmaga os direitos dos cidadãos. É a crise da manutenção dos privilégios inescrupulosos e criminosos que condenam o futuro da juventude e do país.

O escândalo Queiroz-Bolsonaro desfez o mito do justiceiro da pureza e fechou o caminho aos bolsonaristas em sua caminhada rumo à comunidade dos bem-aventurados. Agora eles precisam caminhar na estrada dos malditos junto com gente pecadora do PT, do PSol, do MDB, do PSDB etc. É neste jogo brutal dos interesses e das necessidades que os bolsonaristas terão que se ater. Sem o manto da pureza, terão que se revelar quem realmente são. E se o governo não for capaz de dar respostas às dramáticas necessidades sociais, a onda bolsonarista poderá se espatifar nas mãos de um povo irado, pois o povo não perdoa moralistas sem moral.

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP)

QUEIROZ COMPLICA DE VEZ FLAVIO BOLSONARO: 48 DEPÓSITOS SUSPEITOS, NO VALOR DE R$ 98 MIL

Um trecho do Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) divulgado na noite desta sesta-feira, 18, pelo Jornal Nacional, complica de vez a situação do deputado Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

O relatório do Coaf traz informações sobre movimentações financeiras de uma conta corrente de Flávio Bolsonaro, entre junho e julho de 2017. Neste período, o Coaf registrou 48 depósitos em espécie na conta do senador eleito, concentrados no autoatendimento da agência bancária que fica dentro da Assembleia Legistativa do Rio (Alerj), e sempre no mesmo valor: R$ 2 mil.

O Coaf diz que não foi possível identificar quem fez os depósitos. O relatório afirma que o fato de terem sido feitos de forma fracionada desperta suspeita de ocultação da origem do dinheiro. O Coaf classifica que tipo de ocorrência pode ter havido com base numa circular do Banco Central que trata da lavagem de dinheiro.

A revelação foi feita um dia depois que Flávio Bolsonaro pediu e o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a investigação. Ele foi citado no procedimento aberto pelo Ministério Público do Rio contra Fabrício Queiroz. O ex-assessor de Flávio Bolsonaro é investigado por movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão durante um ano.

Desafio do #10yearschallenge comprova que Cartaxo superou gestão de Ricardo Coutinho

O desafio do #10yearschallenge foi assimilado pela política e a criatividade das redes tem garantido boas comparações. Em João Pessoa, internautas tem comparado a gestão de Ricardo Coutinho, 2009, com a gestão de Cartaxo, 2019.

A comparação deixa evidente que Luciano Cartaxo superou Ricardo e já pode ser considerado o melhor prefeito da história de João Pessoa. E também o mais ousado, pois teve a coragem de intervir onde muitos preferiram se acomodar; como na reforma da Lagoa e a urbanização do bairro São José.

Com medo da população, prefeito ex-presidiário de Bayeux não despacha mais na prefeitura

O prefeito de Bayeux, Berg Lima, preso em flagrante, em 2017, ao receber propina de um fornecedor, não tem despachado na prefeitura da cidade. Berg está fugindo da população, que tem cobrado soluções para o caos gerado pelo prefeito que prometeu uma revolução administrativa e moral na eleição de 2016.

Berg também está fugindo dos servidores, que estão há três meses sem receber salário. Muitos, inclusive, passando fome e pedindo ajuda para sobreviver.

Mas o caos de Bayeux não é culpa exclusiva de Berg Lima. Os vereadores que em duas oportunidades rejeitaram a cassação do presidiário são cúmplices e a população precisa “dar o troco” nas eleições de 2020.