‘Bolsonaro está certíssimo’, diz Regina Duarte, especialista em pandemias

A secretária da Cultura do governo Bolsonaro, Regina Duarte, reconhecida especialista em pandemias, defendeu em sua conta no Instagram o pronunciamento do presidente sobre o coronavírus.

Na postagem, a Regina Duarte destacou a seguinte frase:

“Nós não podemos extrapolar a dose porque com o desemprego a catástrofe será maior”, dita pelo presidente.

ANÁLISE: Bolsonaro perde duelo com Doria, e governadores encurralam presidente

O isolamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cresceu de forma exponencial nesta quarta-feira (25), e a crise sanitária do coronavírus coloca cada vez mais em dúvida sua capacidade de continuar à frente do cargo. Os próximos dias serão cruciais.

O artífice do movimento foi João Doria. O governador tucano de São Paulo abriu um rombo no já combalido casco do navio governista, descontrolado pelo vaivém sempre tendendo à radicalização de Bolsonaro na condução da gestão da emergência.

O presidente tentou trazer Doria para seu campo ao topar a série de reuniões com governadores via teleconferência, mas acabou mordendo a isca do tucano. O paulista fez uma apresentação dura, mas cordial, durante o encontro desta manhã com seus outros colegas do Sudeste.

Como o temperamento de Bolsonaro é previsível, o presidente reagiu aos berros. Se havia críticas que usualmente colariam em Doria, como a pecha de ter abandonado Bolsonaro uma vez que se aproveitou da onda conservadora que levou os dois ao poder, elas se diluíram na forma.

A aposta radical do presidente, exposta claramente no caudaloso pronunciamento sem aviso prévio da noite anterior, tem um erro central de formulação: se é óbvio que a economia precisa ser preservada como o sistema de saúde, Bolsonaro e seu estilo agressivo carimbaram nele o selo de insensível.

Há aspectos bastante imponderáveis na evolução da epidemia, como as diferenças entre diversos países demonstram. Mas, à falta de certezas científicas ainda em discussão, apostar no caso mais brando de crise não é a política mais sensata no momento. Citar “histórico de atleta”, então, é tão eficaz como sugerir mascar alho para matar o vírus.

Por outro lado, o debate acerca de quarentenas existe no mundo todo, com o conceito de confinamento vertical no centro. Sem entrar no mérito médico, é uma questão que pode, se bem comunicada, convencer parcela expressiva da população irritada com as restrições e dar fôlego a Bolsonaro fora de suas bolhas mais ideológicas.

Doria é presidenciável, isso não é segredo para ninguém. Assim como Wilson Witzel (PSC-RJ) e, num delírio de parte da esquerda, Flávio Dino (PCdoB-MA).

Bolsonaro também é candidato à reeleição, como disse no começo do mandato, e a aposta no terror econômico da crise, em detrimento de recomendações internacionais acerca do vírus, parece ter mais a ver com o temor de que uma recessão enterre suas chances.

O tucano já formatou todo um discurso das marcas negativas que Bolsonaro criou exclusivamente para si nessa crise, como a lembrança dos mortos paulistas na pandemia. Caso todos cheguem a disputar só em 2022 a eleição, retóricas estão prontas de lado a lado.

Isso dito, o trabalho de diferenciação de estilos de liderança parece consolidado. Doria venceu o duelo e viu sua ação recompensada com a debandada sequencial de aliados de Bolsonaro, o mais vistoso deles Ronaldo Caiado, governador goiano pelo DEM. O político é simbólico: comanda um dos estados centrais do agronegócio, setor que foi fulcral para a eleição do presidente.

A reunião de governadores marcada para a tarde desta quarta será mais um ponto de inflexão na disputa. Do jeito que se desenha, o impasse no país na prática só se resolve com a renúncia de Bolsonaro, dado que não parece haver condições políticas para a abertura de um processo de impeachment.

É isso que o movimento dos governadores indica, turbinado pela nota de repúdio ao presidente feita pela frente nacional dos prefeitos. Bolsonaro, desde que foi para os braços do povo que pedia o fechamento do Congresso e do Supremo, perdeu a interlocução civilizada com os outros Poderes. Com a crise do coronavírus apavorando populações, caberá a quem está na ponta manter as rédeas da governabilidade.

Uma outra sinalização importante foi dada pelos militares, tão associados ao capitão reformado do Exército ora no Planalto. A ativa riscou uma linha no solo com o a mensagem sóbria do comandante do Exército, Edson Pujol, vendo a crise como “talvez a maior missão de nossa geração”.

Já os fardados no governo estão atônitos, segundo relatos disponíveis, com o fracasso na sua tentativa de enquadrar o presidente.

As táticas adotadas por Bolsonaro são claramente de escalada de confronto, amparado em sua base digital e na porcentagem da população que o apoia —talvez um terço do eleitorado, mas isso parece fluido à medida que aumenta o volume dos panelaços.

A alienação dos estados tem esse preço político, mas Bolsonaro conta com um ativo: o Ministério da Saúde. Não há como combater a crise do coronavírus sem coordenação nacionalizada, e estados mais dependentes de repasses federais têm menos espaço de manobra do que São Paulo, por exemplo.

A própria posição de Witzel, que se disse otimista após a caótica reunião da manhã, sugere isso. O Rio está quebrado, e precisa de ajuda federal para evitar uma tragédia em seu sistema de saúde. De quebra, se Bolsonaro sair melhor do embate, ele não terá se desgastado tanto quanto Doria.

No limite, há o risco de ser necessário decretar intervenções estaduais num pico de crise. Se isso ocorrer em série, o próprio conceito de federação se esvai. A disputa sobre respiradores, levantada por Doria no duelo da manhã, é um exemplo inicial desse problema.

Essa é a queda de braço que está ocorrendo neste exato momento, com repercussões sérias sobre a estabilidade política do país. Virão mais anúncios de pacotes para a economia e, provavelmente, para o bem-estar da população.

Mas ao emular o comportamento de seu ídolo, Donald Trump, Jair Bolsonaro esqueceu que não tem os trilhões de dólares à disposição do americano para socorros financeiros.

O imbróglio político é o mais sério, e na realidade muito mais grave por envolver vida humanas, desde a crise que levou ao impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016.

Igor Gielow

Em carta, governadores do Nordeste repudiam as maluquices de Bolsonaro

governadores do Nordeste se reuniram em videoconferência, na tarde desta quarta-feira (25,) e decidiram não seguir as orientações do presidente Jair Bolsonaro, que ontem pediu o retorno à normalidade e quebra da quarentena contra o avanço do novo Coronavírus no país.

Em carta assinada por João Azevêdo e os outros oito gestores, o grupo definiu que vai continuar seguindo as orientações da ciência e dos órgãos oficiais de saúde.

Eles também cobraram o presidente para ‘exercer o seu papel de liderança e coalizão em nome do Brasil’.

Leia:

‘CARTA DOS GOVERNADORES DO NORDESTE

25 de março de 2020

Em conferência realizada na tarde desta quarta-feira, 25 de março de 2020, nós governadores do Nordeste pactuamos:

1 – O momento vivido pelo Brasil é gravíssimo. O Coronavírus é um adversário a ser vencido com muito trabalho, bom senso e equilibro;
2 – Vamos continuar adotando medidas baseadas no que afirma a ciência seguindo orientação de profissionais de saúde, capacitados para lidar com a realidade atual;
3 – Vamos manter as medidas preventivas gradualmente revistas de acordo com os registros informados pelos órgãos oficiais de saúde de cada região;
4 – É um momento de guerra contra uma doença altamente contagiosa e com milhares de vítimas fatais. A decisão prioritária e a de cuidar da vida das pessoas, não esquecendo da responsabilidade de administrar a economia dos estados. É um momento de união, de se esquecer diferenças políticas e partidárias. Acirramentos só farão prejudicar a gestão da crise;
5 – Entendemos que cabe ao Governo Federal ação urgente voltada aos trabalhadores informais e autônomos. Agressões e brigas não salvarão o País. O Brasil precisa de responsabilidade e serenidade para encontrar soluções equilibradas;
6 – Ao mesmo tempo, solicitamos a necessidade urgente de uma coordenação e cooperação nacional para proteger empregos e a sobrevivência dos mais pobres;
7 – Ficamos frustrados com o posicionamento agressivo da Presidência da República, que deveria exercer o seu papel de liderança e coalizão em nome do Brasil.

Assinam esta carta:

Rui Costa Governador da Bahia
Renan Filho Governador de Alagoas
Camilo Santana Governador do Ceará
Flávio Dino Governador do Maranhão
João Azevedo Governador da Paraíba
Paulo Câmara Governador de Pernambuco
Wellington Dias Governador do Piauí
Fátima Bezerra Governadora do Rio Grande do Norte
Belivaldo Chagas Governador de Sergipe’

Julian Lemos, um raio de lucidez no bolsonarismo

Foi muito difícil encontrar um bolsonarista lúcido, mas achei um, o deputado federal Julian Lemos. Geralmente os bolsonaristas acreditam que a Terra é plana, a Globo é comunista e o coronavírus é uma gripezinha inventada pela China para destruir a economia do Ocidente.

Julian Lemos consegue ser conservador sem colocar sua sanidade mental em dúvidas. E acredite, dá pra ser conservador sem passar recibo de louco!

Em resposta ao absurdo pronunciamento do chimpanzé metido a engraçado, Julian disse que apoiar um Presidente é antes de tudo o aconselhar de modo correto e não concordar com erros:

“De hoje em diante não me calarei mais diante de declarações e ações equivocadas para não dizer desastrosas como as de hoje. Está em jogo vidas de pessoas, uma hora se diz uma coisa, outra hora se diz outra, se cria uma crise aqui, outra ali, um ministro diz uma coisa e ele vem e diz outra, se propõe uma medida provisória e em menos de 12 horas se volta atrás, isso meu amigos não está correto”!

De acordo com Julian Lemos, Bolsonaro precisa escutar pessoas de bom senso:

Ele as tem, mas não as ouve, eu sei o que digo. A cada dia se auto-isola e é preciso que o povo brasileiro saiba disso, pois todos nós apoiamos um projeto de país e não apenas uma pessoa. Com muita tristeza tenho que admitir, as coisas claramente não estão indo bem.

Apesar das críticas, ninguém pode acusar o deputado de não ser bolsonarista, nem os malucos terraplanistas, uma vez que Julian é o deputado federal paraibano que mais votou a favor das medidas governistas na Câmara.

Em tempos de crise, Julian demonstra que é possível ser conservador e sensato ao mesmo tempo. Assim como o ministro Mandeta tem sido; uma voz da coerência no meio do caos.

Pelo bem do Brasil, afastem o louco!

O chimpanzé metido a engraçado que todos chamam de presidente já percebeu que uma grande parte dos bolsonaristas começa a se voltar contra o líder. Hoje mesmo Bolsonaro perdeu o apoio de Ronaldo Caiado, governador de Goiás.

Nem os mais fanáticos escondem o constrangimento que é apoiar um imbecil comandando uma nação contra uma pandemia sem precedentes.

Um idiota que classificou uma das maiores crises da modernidade de gripezinha e resfriadozinho, demonstra que não tem discernimento mental para continuar no cargo de presidente.

Pelo bem do Brasil, afastem o louco!